terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"Que pastores?"

"Há muitos mercadores da Palavra de Deus"; "No falso profeta não se vê Deus. Vê-se gente enrolada sobre si própria, onde são os interesses pessoais ou de grupos que vêm ao de cima. O profeta verdadeiro não tem interesses. Está colado a Deus e à sua Palavra. É uma transparência de Deus".
Palavras sobre os profetas deste tempo que são autêntica profecia.
É o sentir de D. António Couto, novo Bispo de Lamego, que partilhou com padres e diáconos da nossa Diocese de Lisboa. É a voz de um pastor que alerta outros pastores para o perigo, sempre eminente, de nos anunciarmos a nós mesmos em detrimento da Palavra de Deus, do Reino, do Evangelho de Jesus Cristo.
É a experiência de alguém que anuncia o caminho a trilhar denunciando "estradas" percorridas que desaguam em "nadas", em "mentiras", em "supérfluo" e em "acessório"!
Um partilhar da alma de alguém que entendeu e a cada um de nós, pastores, desafia a entender o cerne da nossa vocação e missão. Somos chamados a ser homens colados a Deus, a ser espelho e transparência do que e do como Deus é! Somos atraídos a essa fascinante tarefa de anunciarmos ao mundo o amor de Deus feito Carne, feito Cruz, e a não nos perdermos em questiúnculas espiritualistas, legalistas ou rituais, que nada dizem de Deus, nada entendem do amor e da paz que é o próprio Deus!
Missão nem sempre "simpática" ou atractiva, pois que, e como também afirma o Bispo de Lamego, "o anúncio comporta uma componente de denúncia" e ainda que "quem denuncia pode ter de pagar esta atitude com a própria vida"!
De facto, não consigo imaginar o anúncio do Evangelho do Reino sem essa dimensão da denúncia corajosa e audaz de tudo quanto é ameaça ao próprio Evangelho! Não me identifico com alguma outra visão de evangelização ou profecia que não comporte essa valentia de acreditar que, como diz a carta de S. Pedro, "é preciso obedecer antes a Deus do que aos homens".
É uma postura, uma opção, como outra! Mas aquela em que vislumbro a aventura da fidelidade a um chamamento primeiro, a uma missão que não nasce nem termina em nós. Uma opção que terá, cada vez mais, de caminhar por trilhos pedregosos pois que há um "facilitismo" e uma "diplomacia" reinantes que imperam inclusive no nosso coração de pastores. Transformando-nos, portanto, naquilo a que D. António Couto apelida de "mercadores da Palavra"!
O profeta, o pastor, o discípulo, o apóstolo, não pode ter interesses próprios, não pode depender da imagem que dá ou que não dá, não pode ficar preso aquilo que os ouvintes querem ou não querem ouvir, não pode anunciar uma palavra que seja sua para conquistar adeptos seus ou alcançar fins que não os de Deus!
Correremos sempre o risco de ser "mercadores", "pregadores", "microfones" de uma voz que é meramente humana, porque nossa, em vez de sermos "canais" de uma Palavra que vem do Alto e que, apesar de nós, precisa ser proclamada, "gritada" cada vez mais!
Se nos encostamos ao nosso próprio "ego", se nos escutamos a nós mesmos, se nos demitimos da profecia que inquieta, que perturba e que incomoda, então acabaremos por esconder Jesus para evidenciarmos a nossa pessoa, a nossa personalidade, a nossa visão sempre deturpada e frágil, de ver a realidade e a força da mensagem que havemos de proclamar! Então acabaremos por enganar os corações, fragilizar os corações, dominar as consciências, em nome do "deus" em que nos tornámos e/ou que deixássemos nos tornassem!
Fomos sonhados para sermos homens colados a Deus e não a interesses dos homens, das modas, de poderes, de honrarias ou de projecções mais ou menos aplaudidas! Essa será sempre a mais enganosa e falaciosa das opções pastorais! E com que facilidade podemos nela cair!
Que Deus e a oração da Igreja, viva e presente em gente boa, simples, sã, justa, nos ajude a ser pastores de "letra grande"!

15 comentários:

  1. "Pastores?"
    Eu penso que só assim nos levam no "caminho de DEUS",porque de outro modo,dizendo e fazendo o que nós queremos ,acaba por ser para nós uma rotina,um comodismo,de o ir à missa tranquilos,ouvir o «Pastor», ás vezes nem perceber bem,mas se nos tivessem desinstalado,nos olhando dizendo a Verdade ,nós saímos a pensar,a meditar e a mudar o nosso pensar,querendo e desejando realmente conhecer Jesus e foi assim que o Pe. António conseguiu que eu tivesse uma necessidade tão urgente de conhecer Jesus ,que minha alma só sossegou quando isso aconteceu,e porquê? porque nunca me disse aquilo eu queria ouvir,mas sim a Palavra de DEUS,quantas vezes eu olhava para mim e me perguntava mas eu amo Jesus,e as Suas Palavras ecoavam no meu pensamento, e assim senti uma necessidade muito forte que o meu coração não sossegava para O conhecer e de O receber,de O amar,de LHE entregar a minha vida.
    O Pe.António é um «PASTOR»

    ResponderEliminar
  2. Gostei muito deste partilhar que tem muito conteúdo e muito para pensar,porque na verdade, nós temos que ir à missa e sentir que temos ali Jesus,que o «Pastor» é a ponte que nos leva a conhecer, a amar,a preparar a retirar a força que nos vai conduzir à vida do dia a dia ,no bem e no amor e não para ouvir os que os nossos ouvidos querem ouvir,que feliz me sinto por ter sido o meu «Pastor» em que nunca me disse o que eu queria,mas sim a Palavra de Deus.
    Vou reflectir muito sobre esta partilha
    Pe.António ,Bem haja,uma boa noite.

    ResponderEliminar
  3. Ontem estava muito frio. Por volta das 20horas estava um vento e um frio ...!!!
    Quando saí para ir para a Oração e parei o carro ao pé da Igreja de Carcavelos, não havia vento e eu não senti frio e quando sai senti o mesmo. Incrível ! Não sei se alguém reparou.
    Gostava de agradecer, queria agradecer a noite de ontem: a todos os que estiveram presentes, aos jovens e ao Pe. António. Não foi bonita, foi uma noite lindíssima. Foi uma noite mesmo de oração, de amor, em que o Pe. António fez com que também fosse de partilha.
    Era para não ir, porque não estava na Linha e pensei vir mais tarde. Mas, como sempre, no que diz respeito aos meus encontros com Deus, sinto-me sempre empurrada. E foi o que senti ontem: acabei por chegar mais cedo, jantei e fui à Noite de Oração. E felizmente que tive esse empurrão.
    O fazer silêncio, foi algo que já me ensinaram há muito tempo e vivi sempre com essa aprendizagem. Mas é difícil fazer silêncio. Mas aquele silêncio ontem, contagiou, foi um silêncio que nos ´aqueceu´.
    Aquela partilha da impressão digital, foi forte, foi mesma uma partilha que nos ajudou a sentirmos o que é ser mais igreja.
    Comoveu-me muito aquela noite, por me lembrar de tantos silêncios que aprendi a fazer, por tantos momentos lindíssimos de oração que vivi e que pensei nunca mais voltar a sentir e a viver. E vivi...e senti. Há sempre alguém que nos marca, há sempre alguém. E ontem eu recordei tardes maravilhosas de oração, de profunda oração por outras paragens.
    Padre António, obrigada por me ter feito sentir ainda mais de Cristo, sentir que ali estava uma comunidade com ´fome de Deus´. Sai e levei o silêncio para casa,levei o coração ´aquecido´, levei aqueles toques tão sentidos de viola, que nos fizeram pensar que somos mais que umas simples criaturas.
    Portugal tem poucos Padres Antónios. Nós somos uns surtudos.
    Façamos silêncio dentro dos nossos corações e rezemos para que o Mundo aprenda a rezar, aprenda a viver em comunhão com Deus.
    Obrigada a todos, obrigada Cristo. Que estes momentos sejam muitos e cada vez mais.
    Foi bom, foi muito bom.

    ResponderEliminar
  4. Olá,Padre Antônio!
    Gostein muito do seu espaço,repleto de sabedoria,sensibilidade e paz!
    Que Deus o abençoe sempre!
    Com carinho,
    Angela

    nospassosdejesusamor.blogspot.com
    docessonhosdepapel.blogspot.com

    ResponderEliminar
  5. Pe. António é de louvar a simplicidade com que nos expôs todo este sentir, vivido e meditado com D.António Couto.Vi algumas entrevistas que gostei muito, numa delas dizia o «Padre não se vê por fora, mas por dentro,um coração novo,ligar-se a Deus e aos seus irmãos,estabelecendo uma família» e também umas palavras do nosso saudoso João Paulo||.
    Só assim as «ovelhas» chegam ao rebanho do seu «Pastor»,porque senão andam numa letargia de um lado para o outro sem encontrar o verdadeiro caminho de Deus,o tempo passa depressa ,os Domingos vão com uma rapidez e quando olhamos para trás caminhamos muito,mas sempre parados, sem vermos nada,nem encontrarmos um caminho que nos mate a sede.
    Eu penso que catequese de adultos é muito importante,a nossa catequese foi deficitária e um pouco fora do amor, da compreensão da Bíblia de Jesus Cristo. O Padre António ensinou-me a amar Jesus, com toda minha vida,com Seu exemplo,com Suas Palavras sempre com verdade não se importando se nos estava a desinstalar,mas com a firme certeza que nos estava a levar para o "Caminho de Deus".
    Só desejo que muitos outros corações se deixem conquistar tocar e sentir Jesus porque tem um «Pastor» com letra Grande.
    Bem haja.

    ResponderEliminar
  6. A mensagem com que hoje nos presenceou fez eco em mim, ao refectir em como viver a radicalidade do Evangelho, sempre com o intuito de obeceder a Deus e não à minha vontade, como aprendi com o Senhor Padre, modificou o meu Ser e a minha vida. Descobri que só podia anunciar Cristo, se o conhecesse. Isso exigiu um estudo atento dos Evangelhos e uma presença constante na Eucaristica, para ouvir e me curar com a Palavra. Depois, surgiu a profunda necessidade de me transformar, de aceitar e humildemente pedir ao Senhor Jesus que me transformasse, para melhor o poder imitar. Isso exigiu de mim muito exame de consciência, confissão, arrependimento, oração e Eucaristia. Entendi com o coração, que tomar o corpo de Cristo fazia de mim um Sacrário Vivo. Deus estava presente no meu coração e eu tinha que saber honrar essa presença. Coloquei a cabeça abaixo do coração e comecei a viver a partir do mesmo. Isto acarretou uma profunda mudança em mim, que me levou a afastar de grupos com os quais já não me identificava. Afastai-me com Amor, a todos abençoando e seguindo o meu percurso. Também na familia sofri de incompreensões. Numa familia tradicinal colada às práticas religiosas tradicionais, soou mal o meu radicalismo evangélico. Mas é a Deus que respondo e não aos Homens. Por isso, não só os Sacerdotes podem sofrer de incompreensão, como Jesus Cristo sofreu, mas também os leigos que acolhem a mensagem de quem quer ser Evangelho vivo na escolha da vivência a partir do coração e do Amor ao próximo, como a si mesmo. Esta exigência comporta a necessidade de amar todos, sem excepção. Com o Amor de Deus, comparado aquele que uma mãe tem para um filho, mesmo perante as suas rebeldias.
    Aprendi com o Senhor Padre a ser assim e a amar assim. E a minha vida mudou. Passei da vivência de um inferno materialista, para a Paz que só alcança sem quer estar a caminhar com a Graça do Senhor Jesus no coração.
    Bem haja Senhor Padre António.
    Amélia Ameixoeira

    ResponderEliminar
  7. Quando se participa,comunga uma missa celebrada pelo Pe. António,não importa o lugar se é à frente atrás,ou até na rua ,porque a Sua voz,o Seu olhar chega a todos e entra em nosso coração.
    Ao ler o comentário sobre a Noite de oração Comunitária ,as minhas lágrimas correram ,porque quando a "saudade" não cabe no peito transborda nos olhos!,por uma simples razão,enquanto lia eu fui vivendo-a,porque ai se encontra a "ponte" entre nós e Jesus,e nós passamos sem nos aperceber e ficamos cheios do Seu Amor.
    Vivi,marcaram.me,foram poucas,são sempre poucas,mas me recorro a elas muita vez,pelo Amor e a humildade do v(n)osso Prior que nos demonstrou, que só uma coisa importa "Eu venho Senhor para fazer a Vossa Vontade"

    ResponderEliminar
  8. José Carlos Pinto Soares8 de fevereiro de 2012 às 16:45

    Ser pastor de verdade será tarefa e missão difícil, exigente. E isso comprova-se no sacerdócio desse prior que não é o meu mas que assumi desde há uns tempos atrás. Precisamente porque me ensina e me diz palavras que nem sempre quero ouvir, palavras que nem sempre soam bem aos meus ouvidos acomodados e ao meu coração instalado. Um pastor que, a falar e a ser assim, nos tempos e na Igreja de hoje, certamente será desprezado, perseguido até. Mas essa será a sua força, coadjuvado pelo sonho e pela oração de quantos preferem uma Igreja do Evangelho mais que uma Igreja dos homens. Uma coragem que contagia e nos faz ir mais além.

    ResponderEliminar
  9. Ovelhas sem um pastor "correm" desgovernadas, por isso precisamos sempre de alguem que nos guie e esse é sem duvida o papel de um verdadeiro pastor.

    ResponderEliminar
  10. Realmente há pastores e pastores. Os que guia o seu povo e os que se guiam a si mesmos em proveito próprio. E isso atormenta o coração de muitas paróquias e de muitos cristãos. Isso afasta gente que até enchiam a igreja. Em Carcavelos percebe-se que algo de novo e de bom acontece. São muitos mesmo os que pretendem ser guiados por um verdadeiro pastor.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tem toda a razão,enchiam a Igreja...

      Eliminar
  11. Nós podemos morar numa casa mais ou menos,
    numa rua mais ou menos
    Podemos dormir numa cama mais ou menos
    Podemos olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos
    -O que nós não podemos mesmo nunca de jeito nenhum
    é ter fé mais ou menos
    é acreditar mais ou menos
    é ter saudade mais ou menos
    senão corremos o risco de sermos pessoas mais ou menos.
    Tudo na vida tem de ser definido,com determinação,com amor,com verdade,e por isso também um «Pastor» mais ou menos,nunca não consegue que as Suas «ovelhas» se juntem ao «rebanho»,porque na vida nunca se pode agradar a todos, e um «Pastor» só a Deus tem que fazer a Vontade,e ai sim à determinação e muito amor, porque a Sua Palavra é única, e de DEUS.
    Pe. António seja sempre o «PASTOR» que nos desinstala com a verdade.

    ResponderEliminar
  12. Ao Pastor com carinho

    Há um pastor maior
    Na vida do Pastor
    E o que seria do pastor
    AH,se não fosse o Senhor
    E o que seria da Igreja
    se não fosse o AMOR
    Daquele a quem DEUS
    Um dia,Consagrou

    Pastor que também é ovelha
    e é por Deus apascentado
    Vem hoje aos braços do amado
    e lança todos os Teus fardos
    se ás vezes sobrecarregado
    te sentes desorientado
    o Teu clamor é sempre ouvido
    Jesus sempre estará contigo

    Ser Pastor é bem assim
    se sente só na multidão
    e ás vezes pede o coração
    um ombro AMIGO,um irmão
    mas é nos braços do Senhor
    que Tu encontras Teu valor
    se o preço é alto,meu irmão
    Grande é o Teu galardão

    JESUS é o bom Pastor
    e ELE É Teu amigo e Teu Senhor
    e sempre estará contigo.

    Uma música de Cristina Mel,com uma letra linda
    Pe. António Jesus é Seu amigo,e estará sempre consigo.

    ResponderEliminar
  13. Li uma frase!um,não vários pensamentos do nosso querido e saudoso
    João Paulo II,que nos dizem:
    "O consagrado é aquele que afirma e vive em si mesmo o senhorio absoluto de Deus,que quer ser tudo em todos".

    E um outro:
    " O que carateriza e distingue do resto dos homens não são os talentos ou as disposições naturais,é a sua firme determinação em caminhar sobre as pegadas de Jesus".

    ResponderEliminar

Web Analytics