quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

"Vizinhos com Alma"


Queridos Amigos, queridos "Vizinhos com Alma",
como escreve o poeta, "cada vez que o homem sonha, o mundo pula e avança"...
Pois é nesse sentido e com essa certeza e convicção que vos dirijo a todos estas palavras; porque acredito que este nosso mundo, esta nossa sociedade, pode girar, pular, transformar-se, avançar... 
Porque acredito que cada um de vós tem um coração gigante, porque acredito que a cada um não é indiferente a indignidade e a miséria, a pobreza e as angústias de cada outro, porque acredito que não temos de ser uma terra de gente anónima, nasce o projecto "VIZINHOS COM ALMA".
OS "Vizinhos com Alma" são homens e mulheres, jovens e crianças, que não se conformam com as situações de carência e miséria mesmo, a que estão vetadas demasiadas pessoas, como nós! São pessoas com um coração e uma boa vontade que, unidos, solidários, generosos, sonhadores, realistas, percebem, sentem e sabem que podem ajudar a "pular" e a "girar" esta realidade que nos envolve.
Os "Vizinhos com Alma" são corações que atentos às necessidades dos muitos que se cruzam connosco, precisam da nossa ajuda e da nossa solidariedade, da nossa generosidade e da nossa   fraternidade.
Os "Vizinhos com Alma", são pessoas, como cada uma de vós, que apenas uma vez por mês é desafiada a partilhar géneros alimentares, produtos de higiene, artigos para bebés, para depois serem recolhidos e entregues e partilhados com todos aqueles que vivem situações de emergência social.
Os "Vizinhos com Alma" são gente simples que acredita que pode ter uma "palavra", uma "acção", a dizer e a fazer, neste momento da História, na partilha de bens que se tornam depois verdadeiro tesouro a quem deles beneficiar.
Os "Vizinhos com Alma" são pessoas como eu, como tu, que na nossa humildade e na nossa generosidade partilhadas, conseguimos que outros, muitos outros, possam sentir-se ajudados, acolhidos, amados, nesta fase de vida mais difícil em que se encontram.
Uma vez por mês, um "Responsável de Zona" receberá os bens doados por cada um dos "Vizinhos com Alma"; depois esses mesmos bens serão entregues ou recolhidos pelo nosso Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos, que com os seus responsáveis, técnicos e voluntários os farão chegar a famílias, pessoas concretas que sabemos, muito beneficiarão destes nossos gestos de partilha...
Não precisamos de dar "muito"; precisamos de dar o que nos ditar o coração: muitas migalhas unidas transformam-se num enorme pão; assim será o projecto "VIZINHOS COM ALMA". E quantos mais formos, quantos mais corações e mais boas vontades se unirem a esta causa, maior o “pão” conseguido, maior o número e a qualidade de ajuda prestada aos que mais precisam...
Os “Vizinhos com Alma” não têm de ter raça, cultura específica, credo religioso, convicção política definidas; têm somente que ter um coração que sente, um coração que pulsa, uma sensibilidade que entenda que a nossa sociedade, a nossa Comunidade não está condenada à solidão, à fome, à miséria, ao anonimato, ao desespero, às lágrimas derramadas, escondidas, envergonhadas! 
Os “Vizinhos com Alma” sou eu e és tu. Pessoas simples, mas ousadas na certeza de que, juntos, fazemos pular e girar este nosso mundo...
Organizado pelo Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos, este projecto não tem fronteiras, precisamente porque a caridade, a justiça, a fraternidade, não têm igualmente geografias determinadas... 
Com cada um, com todos, podemos – e conseguiremos – fazer com que a realidade FOME seja banida desta nossa terra, seja realidade terrível e tremenda que não “acampa” nesta nossa terra de Carcavelos... 
Vamos a isso?
Dispostos a abrir o coração?
Decididos a tornarmo-nos "Vizinhos com Alma"?
É "Hoje", é "agora", que mudamos o mundo...


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"Domus Spes"

Este é já o nome que está destinado ao novo projecto que nascerá muito breve na nossa Paróquia de Carcavelos; será a continuação daquele primeiro denominado "Esperança de Recomeçar".
Este é uma importante e derradeira prestação de serviços a muitos "Sem-abrigo" que a nós recorrem em busca de, rigorosamente, tudo!
À partida pensamos e já decidimos - nas nossas cabeças - que os assim "rotulados" "Sem-abrigo" são pessoas (para muitos já nem isso são!!!) com os traços e as marcas da toxicodependência, do alcoolismo, do HIV, dos sub mundos da violência, da delinquência, etc!
Alguns sê-lo-ão, certamente; porém, muitos, muitos mesmo, nada têm a ver com essas realidades "madrastas" da dignidade humana. Muitas dessas vidas são homens e mulheres de coração "gigante" a quem a vida não "sorriu" a determinado momento; são homens e mulheres que, por desgraça, sem família, sem trabalho, sem capacidade de se governarem minimamente, caíram nestas "malhas" tremendas e terríveis da solidão, rejeição, abandono, fome, nudez interior e exterior, incapazes de, sozinhos, reerguerem a esperança e lutarem pela dignidade que têm direito.
Há já vários anos que no Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos, nesse projecto "Esperança de Recomeçar" nos dedicamos ao acolhimento dessas pessoas. O pão de cada dia não lhes é negado; a oportunidade de higiene diária, vestirem-se com dignidade, apoios na busca de emprego e na possível saída dessa situação degradante em que se deixaram envolver, é ajuda que todos os dias procuramos oferecer e partilhar...
Porém, porque não é fácil a resolução dos múltiplos problemas que estas vidas comportam, porque muitos deles há já vários anos que "perseveram" nesta angustiante realidade, torna-se bastante difícil a abertura de uma "porta" que os liberte definitivamente destes grilhões opressores!
No entanto, nestes tempos que nos são dados viver, não é difícil encontrar pessoas que se percebem sem nada, sem trabalho, sem casa, sem tecto, sem pão, de um momento para o outro! Gente que um dia até ajudou outra gente em dificuldades e que hoje, são eles mesmo que nos procuram, mendigando pão, esperança, sonhos, dignidade!
Alguns, sem se aperceberem, engrossam esta lista crescente de "Sem-abrigo" nas ruas, esquinas, praças e vielas das nossas cidades e vilas! Homens e mulheres com rostos ainda não marcados pela indignidade a que se viram caídos mas que, se nada se fizer, atempadamente, depressa se tornarão rostos "cansados", "abatidos", "vazios"!!!
A "Domus Spes" será verdadeiramente uma "Casa da Esperança". Será um espaço, um tecto, uma casa, um acolhimento, um abraço, um carinho que enquanto for preciso, e até serem capazes de se tornarem novamente "livres" e "capazes" retornem à normalidade da vida, os retirarão da vida da rua!
Em muitos casos, esta mesma "vida na rua" é um "parêntesis" horrível e tremendo que lhes acontece na história! Se nada se fizer, se os habituarmos e nos habituarmos a vê-los viver "na rua", depressa esse mesmo "parêntesis" se tornará em algo de definitivo. Terrivelmente definitivo!
É isso que pretendemos travar; é essa exclusão, essa marginalização, essa solidão, definitivas e indignas de cada pessoa humana que ousamos enfrentar na medida das nossas possibilidades...
Breve, muito breve, se Deus quiser, esta "Domus Spes" terá os seus primeiros residentes. E eles, porque somos cristãos, também são Cristo para nós: "tudo o que fizerdes a um dos mais pequeninos dos Meus irmãos é a Mim mesmo que o fazeis" (cf Mt 25).
E esta "Casa da Esperança" será causa de alegria do nosso Deus, da nossa Igreja, desta nossa Comunidade, da Fé que nos alimenta e desafia a ir sempre mais além...

Porque somos responsáveis pela edificação da "Civilização do amor", porque não podemos fechar os olhos à realidade que nos envolve, porque importa saber inovar e crescer na "ousadia da caridade", como lhe chama o Senhor Patriarca, nascerá a "Domus Spes"... Mesmo Casa de Esperança, porque ninguém está, para sempre, condenado à tristeza, ao abandono, à solidão, ao esquecimento, à banalidade dos nossos gestos e das nossas atenções...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

"Igreja de Cátedra/Igreja de bastão peregrino, companheira de cada homem!"

Um tempo difícil este que nos é dado viver!
Uma crise tremenda, a níveis vários, que traz consequências inimagináveis, também elas de variadas formas e manifestações! Desesperos, desalentos, cansaços, medos, derrotismos, dúvidas, "cinzentos" que vão pautando o dia-a-dia de tantos e tantas homens e mulheres desiludidos já da bela aventura da vida!!!
Segundo afirmam quase todos os analistas, comentaristas e demais opinadores, o ano de 2013 não se apresenta com sérios optimismos e credíveis melhorias na vida de enormes multidões de corações!
Que pensar? Que fazer? Como agir e reagir, diante destas realidades?!
Qual o nosso "papel" enquanto cristãos, enquanto Comunidades, enquanto Igreja?
Creio, sinceramente, que, enquanto discípulos de Jesus, enquanto Igreja de Cristo, importa sermos homens e mulheres, Família de Deus, que está bem ao lado, bem no centro, de toda esta realidade, sem evasões, sem medos nem olhares enviesados e deturpadores da história real. Sermos esta Igreja que, como afirma o Concílio, assume com todas as suas forças e capacidades essa verdade bela e ousada que nos ensina que nada do que é humano nos é distante, estranho ou ambíguo.
Nesta "hora" da História, a Igreja que somos, as Paróquias que construímos, tem de ser bem mais Mãe do que Mestra! Havemos de ser uma Igreja que se abeira de cada um dos mais pobres e desesperados deste tempo, mas que oferece bem mais do que palavras "bonitas"; antes com projectos, acções, que sustêm o homem decaído, que lhes cura as feridas com o bálsamo da esperança, da ternura, do afecto, do acolhimento.
Havemos de perceber e entender que este não é o momento da "Cátedra" mas o do "bastão de peregrino" que se faz companheiro e bom samaritano de cada homem.
Esta será sempre a melhor tarefa da evangelização, da "nova evangelização" tanto apregoada por aí... este será sempre o melhor caminho para nos tornarmos credíveis, enquanto Igreja de Cristo. Não o caminho dos discursos, dos sermões, das palavras belas mas ocas e vãs; antes o caminho da proximidade, da fraternidade, da empatia, da presença solidária, do abraço partilhado, da mão aberta, do olhar compreensivo, da ternura compartilhada...
Mais que nunca, esta é a "hora"" do amor, do Mandamento Novo; diante das encruzilhadas que se apresentam diante do homem contemporâneo, "perdido", "sozinho", "vagabundeando" pelas sendas dos desesperos, das incredulidades, do desemprego, dos despedimentos, dos inúmeros momentos de "não sentido", esta é a "hora" de sermos a Igreja ao jeito de Cristo, feito "um" com cada história, cada vida, cada coração... a fim de não nos reduzirmos a uma Igreja de palavras, mas sermos um Povo de amor, de caridade, de Evangelho vivido e partilhado...
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