sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"Domus Spes"

Este é já o nome que está destinado ao novo projecto que nascerá muito breve na nossa Paróquia de Carcavelos; será a continuação daquele primeiro denominado "Esperança de Recomeçar".
Este é uma importante e derradeira prestação de serviços a muitos "Sem-abrigo" que a nós recorrem em busca de, rigorosamente, tudo!
À partida pensamos e já decidimos - nas nossas cabeças - que os assim "rotulados" "Sem-abrigo" são pessoas (para muitos já nem isso são!!!) com os traços e as marcas da toxicodependência, do alcoolismo, do HIV, dos sub mundos da violência, da delinquência, etc!
Alguns sê-lo-ão, certamente; porém, muitos, muitos mesmo, nada têm a ver com essas realidades "madrastas" da dignidade humana. Muitas dessas vidas são homens e mulheres de coração "gigante" a quem a vida não "sorriu" a determinado momento; são homens e mulheres que, por desgraça, sem família, sem trabalho, sem capacidade de se governarem minimamente, caíram nestas "malhas" tremendas e terríveis da solidão, rejeição, abandono, fome, nudez interior e exterior, incapazes de, sozinhos, reerguerem a esperança e lutarem pela dignidade que têm direito.
Há já vários anos que no Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos, nesse projecto "Esperança de Recomeçar" nos dedicamos ao acolhimento dessas pessoas. O pão de cada dia não lhes é negado; a oportunidade de higiene diária, vestirem-se com dignidade, apoios na busca de emprego e na possível saída dessa situação degradante em que se deixaram envolver, é ajuda que todos os dias procuramos oferecer e partilhar...
Porém, porque não é fácil a resolução dos múltiplos problemas que estas vidas comportam, porque muitos deles há já vários anos que "perseveram" nesta angustiante realidade, torna-se bastante difícil a abertura de uma "porta" que os liberte definitivamente destes grilhões opressores!
No entanto, nestes tempos que nos são dados viver, não é difícil encontrar pessoas que se percebem sem nada, sem trabalho, sem casa, sem tecto, sem pão, de um momento para o outro! Gente que um dia até ajudou outra gente em dificuldades e que hoje, são eles mesmo que nos procuram, mendigando pão, esperança, sonhos, dignidade!
Alguns, sem se aperceberem, engrossam esta lista crescente de "Sem-abrigo" nas ruas, esquinas, praças e vielas das nossas cidades e vilas! Homens e mulheres com rostos ainda não marcados pela indignidade a que se viram caídos mas que, se nada se fizer, atempadamente, depressa se tornarão rostos "cansados", "abatidos", "vazios"!!!
A "Domus Spes" será verdadeiramente uma "Casa da Esperança". Será um espaço, um tecto, uma casa, um acolhimento, um abraço, um carinho que enquanto for preciso, e até serem capazes de se tornarem novamente "livres" e "capazes" retornem à normalidade da vida, os retirarão da vida da rua!
Em muitos casos, esta mesma "vida na rua" é um "parêntesis" horrível e tremendo que lhes acontece na história! Se nada se fizer, se os habituarmos e nos habituarmos a vê-los viver "na rua", depressa esse mesmo "parêntesis" se tornará em algo de definitivo. Terrivelmente definitivo!
É isso que pretendemos travar; é essa exclusão, essa marginalização, essa solidão, definitivas e indignas de cada pessoa humana que ousamos enfrentar na medida das nossas possibilidades...
Breve, muito breve, se Deus quiser, esta "Domus Spes" terá os seus primeiros residentes. E eles, porque somos cristãos, também são Cristo para nós: "tudo o que fizerdes a um dos mais pequeninos dos Meus irmãos é a Mim mesmo que o fazeis" (cf Mt 25).
E esta "Casa da Esperança" será causa de alegria do nosso Deus, da nossa Igreja, desta nossa Comunidade, da Fé que nos alimenta e desafia a ir sempre mais além...

Porque somos responsáveis pela edificação da "Civilização do amor", porque não podemos fechar os olhos à realidade que nos envolve, porque importa saber inovar e crescer na "ousadia da caridade", como lhe chama o Senhor Patriarca, nascerá a "Domus Spes"... Mesmo Casa de Esperança, porque ninguém está, para sempre, condenado à tristeza, ao abandono, à solidão, ao esquecimento, à banalidade dos nossos gestos e das nossas atenções...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

"Igreja de Cátedra/Igreja de bastão peregrino, companheira de cada homem!"

Um tempo difícil este que nos é dado viver!
Uma crise tremenda, a níveis vários, que traz consequências inimagináveis, também elas de variadas formas e manifestações! Desesperos, desalentos, cansaços, medos, derrotismos, dúvidas, "cinzentos" que vão pautando o dia-a-dia de tantos e tantas homens e mulheres desiludidos já da bela aventura da vida!!!
Segundo afirmam quase todos os analistas, comentaristas e demais opinadores, o ano de 2013 não se apresenta com sérios optimismos e credíveis melhorias na vida de enormes multidões de corações!
Que pensar? Que fazer? Como agir e reagir, diante destas realidades?!
Qual o nosso "papel" enquanto cristãos, enquanto Comunidades, enquanto Igreja?
Creio, sinceramente, que, enquanto discípulos de Jesus, enquanto Igreja de Cristo, importa sermos homens e mulheres, Família de Deus, que está bem ao lado, bem no centro, de toda esta realidade, sem evasões, sem medos nem olhares enviesados e deturpadores da história real. Sermos esta Igreja que, como afirma o Concílio, assume com todas as suas forças e capacidades essa verdade bela e ousada que nos ensina que nada do que é humano nos é distante, estranho ou ambíguo.
Nesta "hora" da História, a Igreja que somos, as Paróquias que construímos, tem de ser bem mais Mãe do que Mestra! Havemos de ser uma Igreja que se abeira de cada um dos mais pobres e desesperados deste tempo, mas que oferece bem mais do que palavras "bonitas"; antes com projectos, acções, que sustêm o homem decaído, que lhes cura as feridas com o bálsamo da esperança, da ternura, do afecto, do acolhimento.
Havemos de perceber e entender que este não é o momento da "Cátedra" mas o do "bastão de peregrino" que se faz companheiro e bom samaritano de cada homem.
Esta será sempre a melhor tarefa da evangelização, da "nova evangelização" tanto apregoada por aí... este será sempre o melhor caminho para nos tornarmos credíveis, enquanto Igreja de Cristo. Não o caminho dos discursos, dos sermões, das palavras belas mas ocas e vãs; antes o caminho da proximidade, da fraternidade, da empatia, da presença solidária, do abraço partilhado, da mão aberta, do olhar compreensivo, da ternura compartilhada...
Mais que nunca, esta é a "hora"" do amor, do Mandamento Novo; diante das encruzilhadas que se apresentam diante do homem contemporâneo, "perdido", "sozinho", "vagabundeando" pelas sendas dos desesperos, das incredulidades, do desemprego, dos despedimentos, dos inúmeros momentos de "não sentido", esta é a "hora" de sermos a Igreja ao jeito de Cristo, feito "um" com cada história, cada vida, cada coração... a fim de não nos reduzirmos a uma Igreja de palavras, mas sermos um Povo de amor, de caridade, de Evangelho vivido e partilhado...

domingo, 30 de dezembro de 2012

"Querer e crer..."

Nos dias que vamos vivendo o valor da "Gratidão" já não é algo de habitual!
Por isso mesmo, tentar recentrar e revitalizar essa atitude é algo de importante e determinante. A nível da sociedade e a nível da própria fé.
Esse era o "mote", a "razão" primeira da nossa Peregrinação a pé a Fátima, entre os dia 26 e 29 deste mês. Imediatamente depois das celebrações natalícias, decidimos, de novo, ir junto de Nossa Senhora agradecer o seu "Sim" que nos conseguiu e alcançou o Salvador do mundo.
Sim, poderíamos fazê-lo noutra altura; sim poderíamos tê-lo feito de outra maneira...
Mas decidimos, em grupo, em família, em Comunidade, mesmo que nos custasse - e custou bastante - caminhar a pé rumo ao Altar do mundo e fixarmos o nosso olhar naquele outro tão doce, tão sereno, tão meigo, tão próximo, de Maria...
Basta querer e crer, para sermos capazes de mudar o mundo que nos envolve.
Foi esta a "verdade" que redescobrimos nesta caminhada; basta querer agradecer e crer que nesse agradecimento nos tornamos mais fortes, mais audazes, mais decididos, mais comprometidos, que tornaremos a Igreja que somos, a Comunidade que construímos em Reino de Deus mais visível, atraente, apaixonante...
Com temperaturas a rondar os zero graus, logo pelas manhãs, com os pés doridos, os músculos a contorcer-se, as bolhas a teimar impôr-se, a chuva a intentar travar o avanço dos passos, nada conseguiu roubar os sorrisos, a determinação, a vontade, de dizer "Obrigado" à Mãe de Deus e pedir-lhe que nos ensine, como ela, esse mesmo "Sim" no "querer" e no "crer" que com Jesus a alegria não é efémera, passageira, não é pontual mas, ao contrário, se transforma e, algo de definitivo, de completo, derradeiro...
Poder, podemos todos!
Querer é apenas de alguns!
E querer, crendo simultaneamente, é o caminho a prosseguir nos nossos ambientes, diante de quantos privam connosco, com todos os que nos escutam, vêem e connosco privam...
Mais uma vez experienciámos a força da oração, a importância da Comunidade, a beleza da fé, a importância de nos sabermos e sentirmos responsáveis pela vida da própria Igreja.
"Querer" e "Crer" que o mundo novo, a Igreja mais santa, depende de cada um de nós, da nossa entrega e da nossa corresponsabilidade foi algo que trouxemos guardados nestes nossos corações.
Deus, de facto  não escolhe os capacitados; Deus capacita aqueles que escolhe. E nós acreditamos que mais uma vez o Senhor da Vida, o "fruto bendito" de Maria nos capacita para sermos, mais e melhor, jovens e adultos que "querem" e "crêem" na força da gratidão a Deus diante dos dons, tantos, com que nos presenteia.
"Bendito seja Deus que reuniu no amor de Cristo".
Web Analytics