"Igreja de Cátedra/Igreja de bastão peregrino, companheira de cada homem!"
Um tempo difícil este que nos é dado viver!
Uma crise tremenda, a níveis vários, que traz consequências inimagináveis, também elas de variadas formas e manifestações! Desesperos, desalentos, cansaços, medos, derrotismos, dúvidas, "cinzentos" que vão pautando o dia-a-dia de tantos e tantas homens e mulheres desiludidos já da bela aventura da vida!!!
Segundo afirmam quase todos os analistas, comentaristas e demais opinadores, o ano de 2013 não se apresenta com sérios optimismos e credíveis melhorias na vida de enormes multidões de corações!
Que pensar? Que fazer? Como agir e reagir, diante destas realidades?!
Creio, sinceramente, que, enquanto discípulos de Jesus, enquanto Igreja de Cristo, importa sermos homens e mulheres, Família de Deus, que está bem ao lado, bem no centro, de toda esta realidade, sem evasões, sem medos nem olhares enviesados e deturpadores da história real. Sermos esta Igreja que, como afirma o Concílio, assume com todas as suas forças e capacidades essa verdade bela e ousada que nos ensina que nada do que é humano nos é distante, estranho ou ambíguo.
Nesta "hora" da História, a Igreja que somos, as Paróquias que construímos, tem de ser bem mais Mãe do que Mestra! Havemos de ser uma Igreja que se abeira de cada um dos mais pobres e desesperados deste tempo, mas que oferece bem mais do que palavras "bonitas"; antes com projectos, acções, que sustêm o homem decaído, que lhes cura as feridas com o bálsamo da esperança, da ternura, do afecto, do acolhimento.
Havemos de perceber e entender que este não é o momento da "Cátedra" mas o do "bastão de peregrino" que se faz companheiro e bom samaritano de cada homem.
Esta será sempre a melhor tarefa da evangelização, da "nova evangelização" tanto apregoada por aí... este será sempre o melhor caminho para nos tornarmos credíveis, enquanto Igreja de Cristo. Não o caminho dos discursos, dos sermões, das palavras belas mas ocas e vãs; antes o caminho da proximidade, da fraternidade, da empatia, da presença solidária, do abraço partilhado, da mão aberta, do olhar compreensivo, da ternura compartilhada...
Mais que nunca, esta é a "hora"" do amor, do Mandamento Novo; diante das encruzilhadas que se apresentam diante do homem contemporâneo, "perdido", "sozinho", "vagabundeando" pelas sendas dos desesperos, das incredulidades, do desemprego, dos despedimentos, dos inúmeros momentos de "não sentido", esta é a "hora" de sermos a Igreja ao jeito de Cristo, feito "um" com cada história, cada vida, cada coração... a fim de não nos reduzirmos a uma Igreja de palavras, mas sermos um Povo de amor, de caridade, de Evangelho vivido e partilhado...


