"É possível o "impossível"..."
Um tempo e um espaço onde tentámos proporcionar a cada um dos presentes algo de novo e de diferente, algo de nobre e de único, para além da sua triste condição de pessoas sem tecto, sem trabalho, sem famílias, grande parte, sem sonhos nem esperanças, muitos deles...
Mas este ano, podemos afirmar, apesar de ter sido um momento fantástico, onde brotaram sorrisos, palmas, alegria, este Almoço de Natal foi apenas um "prelúdio" da iniciativa que vamos levar a cabo na Noite Santa de Natal e no próprio Dia de Natal.
Conseguiu-se que a Consoada este ano, para estes homens e mulheres, fosse uma realidade; não terão que estar sozinhos, chorosos, lembrando outra noites de 24 de Dezembro bem mais festivas e alegres; este ano, nessa Noite e nesse Dia, todos eles terão a Ceia de Natal, pernoitarão no salão paroquial da nossa igreja e terão almoço e jantar no Dia de Natal.
Houve corações que perceberam que aquela rejeição, aquela solidão, aqueles "nãos" à Família de Nazaré não podem mais ser repetidos na vida de ninguém! Houve corações que entenderam que Natal é deixar-se espantar pela "magia" da simplicidade e da humildade e se predispuseram a abdicar das suas ceias pessoais, familiares, para se sentarem à mesa com estes homens e mulheres, enxovalhados da vida e esquecidos por grande parte da sociedade e, não raras vezes, da Igreja!
Aquela Noite Santíssima, antes da celebração da Missa do "Galo", onde nos alegraremos com o Nascimento do Menino Deus, será preenchida com essa comunhão de mesa, de presença, de cumplicidade, de ternura, para com esses corações mais pobres e vazios. E isso é sinal e testemunho de uma grandeza gigante, de uma caridade imensa, de uma fé enorme.
Fazermo-nos "um" com os mais pobres naquela Noite, será preciosa ajuda para a celebração do Mistério de Amor que é o Natal de Jesus Cristo.
Será uma celebração com os traços da verdade e da caridade, da fraternidade e do serviço, da doação e do despojamento... afinal, como naquele primeiro Natal.
Cada um de nós poderá ser "Maria" e "José" ao abraçarmos, ao acolhermos, ao "aquecermos", ao "guardarmos" esses corações sozinhos, frágeis, magoados, sangrados... Uma simples presença que fará toda a diferença...
No meio de demasiados "cinzentos" e "escuridões" que pautam o mundo e obscurecem por vezes a Igreja, é muito bom olhar e sentir e pressentir que um mundo novo e levanta, uma nova civilização se ergue, uma Igreja outra irrompe...
Na verdade, de novo, a certeza dessa "verdade" maior: quando Deus quer e o homem sonha, a obra nasce... mesmo.

