"Aquele abraço..."
Hoje queria louvar a Deus, agradecer-Lhe, sorrir-Lhe, de forma particular. Terei, obviamente muitas razões; demasiados motivos sempre para bendizer o nosso Deus...
Porém, hoje gostaria de Lhe agradecer um abraço. Simples, discreto, singelo, mas puro, verdadeiro, cúmplice, de verdadeira comunhão.
Não que ele não existisse, não que jamais se tivesse celebrado... no entanto, o coração lá o saberá, este abraço hoje teve um "sabor" diferente.Como um filho diante do pai, como um irmão mais novo diante do seu irmão mais velho, como um iniciante diante de um sábio, assim senti hoje aquela conversa, aquelas palavras, aqueles sorrisos, aquelas preocupações, aquelas dores, aqueles sonhos, entre mim e o meu Bispo.
Numa conversa amena, simples, mas tendo como suporte o que vale mais - o amor à Igreja de Jesus Cristo que peregrina nesta Diocese de Lisboa - conversámos, melhor, amámos em conjunto esta Igreja que somos. E isso é belo, é grande, é nobre.
Se o Bispo é o pai e o amigo dos seus padres, como afirma o Concílio, esta tarde senti-o sobremaneira. Aquele rosto com traços de cansaço, mas com um sorriso que acolhe e desarma; aquele homem de cabelos brancos, figura pública e com o "slogan" de distante, mas tão próximo, tão presente, tão "pai"...
Aquele Pastor com, decerto, incontáveis preocupações, mas ali diante de mim, com essa predisposição de escutar o que tinha para partilhar como se eu fosse "único" e os meus problemas e os meus sonhos, as minhas mágoas e as minhas alegrias a ganharem morada naquele coração gigante de quem sabe e quer ser pai de verdade.
Com tempo marcado para aquela conversa, ele prolongou-se consideravelmente para além do "combinado"; afinal quando são os corações a dialogar, as agendas tornam-se acessórias e secundárias. Quando as almas mergulham na mesma órbita, o tempo é efémero e dispensável; o que vale e importa é a unidade e a comunhão que se podem experimentar.
Por isso mesmo quero agradecer a Bom Pastor que hoje, mais uma vez, incarnou no acolhimento, na partilha e na amizade do Bispo com um dos seus Padres. Claro que naturalmente por e com todos os outros. Mas cada um sabe e sente por si mesmo...
Aquele abraço, fim de muitas palavras e muitos silêncios, são um sinal de amor à Igreja, a Jesus Cristo que, todos dizemos querer amar e servir; aquele abraço é bênção, é paz, é alento, é confiança, é Evangelho, na vida. Uma conversa, um partilhar, um acolher, sem pressas, sem defesas, onde se sente e sabe que Cristo reina, impera, comanda, esta Barca que é a Igreja e na qual somos apenas, cada um ao seu jeito, remadores... o Timoneiro será sempre Jesus, por mais que se tente remar para o lado oposto daquela margem a que o Mestre nos desafia a alcançar.
Precisamente porque somos humanos, pregadores do invisível e do divino, precisamos de sinais que fortaleçam e sublinhem o caminho da fé que abraçamos. E aquele abraço foi esse sinal - mais um - de que o Céu é o Caminho certo, é a aposta já conquistada...
Sim, fui um filho, sou um filho, que percebe, sente, compreende e ama - mesmo muito - o pai na fé que o Bom Deus me oferece. E orgulho-me disso. Mesmo que outros me não compreendam, ainda que outros possam desdizer o que escrevo, o coração terá sempre razões que a razão desconhece...
E por isso - mesmo só por isso - agradeço a Deus.
Afinal não há nada mais belo na Igreja que a comunhão, a cumplicidade, a verdade. Afinal, não há nada mais significativo na vida de um Padre que saber e sentir, e a isso estar disposto, que no amor e no amar e dar a vida pelo seu Bispo. Continuo a acreditar que assim se escreve e vive o amor à Igreja.

