"Ano da Fé"
Já estamos no "Ano da Fé".
Iniciado oficialmente ontem, em Roma, numa celebração presidida pelo Santo Padre e concelebrada por imensos Bispos, Sacerdotes e milhares e milhares de Fiéis; diante do Altar, diante do Senhor da História e da Vida, eis a Igreja a reconhecer que precisa de revitalizar a sua fé, a sua adesão ao Evangelho, a sua paixão por Jesus Cristo...
O "Ano da Fé", na verdade, bem mais que um tempo para a recitação de fórmulas religiosas, para a repetição sistemática e rotineira de "credos", é esta oportunidade gozosa de fazer uma introspectiva, de ousar uma purificação, da audácia de um encorajamento pessoal, comunitário, eclesial, de olhar a Fé que dizemos possuir e de a viver intensa e genuinamente.
O "Ano da Fé" é esse apelo a "visitar" as raízes da Fé, a beber dessa Fonte sempre nova e inesgotável que é Evangelho, a fim de nos sentirmos e sabermos continuadores de uma "aventura divina", de uma "corrente de amor" que atravessa os séculos, os milénios já...
Passar a "Porta da Fé" é desejar cruzar essa "porta estreita" que é a Palavra revelada em Jesus de Nazaré e fazer dessa mesma palavra o nosso estilo de vida; é deixarmo-nos interpelar e provocar pelo mundo e pelas suas "estórias" para as transfigurar em História de Salvação, usando como critério de transfiguração o Mandamento Novo.
Viver o "Ano da Fé" significará sempre uma vivência da Igreja do mistério em comunhão, em unidade, em compasso de quem caminha e rejeita a estagnação, a rotina e a banalidade; é erguer o olhar para Aquele que é o"caminho, a verdade e a vida" e se desliga de acesssórios, de superficialidades, de mediocridades, que demasiadas vezes são o grande entrave e empecilho à experiência alegre da Fé em Jesus de Nazaré.
O mundo precisa - todos o sabemos e sentimos - de razões de esperança, de testemunhos credíveis da verdade e da paz, de arautos da justiça e da fraternidade; o mundo ambiciona encontrar nos crentes a alegria própria de quem acredita em Deus, o rosto revelador da esperança que mos anima, a serenidade de quem confia no Alto e sabe e crê que aí, que ali, há uma resposta para as inquietações que perturbam e desesperam os corações contemporâneos...
O "Ano da Fé" não implica a magnificência de grandes celebrações, a majestade de brilhantes encontros nem a eficiência de eloquentes discursos; o "Ano da Fé", assim o creio, é o apelo de Deus a recentrarmos a Pessoa de Jesus Cristo nas nossas vidas e na vida da Igreja enquanto Povo de Deus. É ocasião propícia à experiência da humildade, do serviço, da partilha, do acolhimento, da simplicidade, da comunhão, enquanto Igreja. Mais que mostramos aos homens que estamos reunidos em assembleias litúrgicas, reunidos em encontros de formação, etc., precisamos de mostrar, em nome da Fé, que estamos unidos Àquele que, do cimo do Madeiro, atrai todos a Si.
De joelhos, isto é, alicerçados na oração, na relação intensa e apaixonada por Cristo, na intimidade do Seu Coração com o coração de cada um de nós, supliquemos confiantes como os Apóstolos: "Senhor, aumentai a nossa fé"! Apenas desta forma seremos testemunhos de uma Igreja com Fé...
