terça-feira, 25 de setembro de 2012

"Imortais"


"Por mais que a vida nos agarre assim
Nos troque planos sem sequer pedir
Sem perguntar a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir
Eu sei que ainda somos imortais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se o meu caminho for para onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes
É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer
Por mais que a vida nos agarre assim
Nos dê em troca do que nos roubou
Às vezes fogo e mar, loucura e chão
Ás vezes só a cinza do que sobrou
Eu sei que ainda somos muito mais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se a minha vida for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes
É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu sei te dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer
.
Uma letra de uma canção para muitos conhecida; mas que bem podem ser palavras sentidas no nosso coração, fácil e possível de ser o próprio Deus a segredar-nos essas mesmas palavras... Um Deus que nos quer tanto, que jamais saberia não nos ter, um Deus que espanta e surpreende a cada instante sempre que nos deixamos deslumbrar pela beleza daqueles braços abertos e daquele Coração trespassado. Um Deus que Se manifesta nas coisas belas e boas do nosso quotidiano; mas um Deus que Se revela também em agruras e lágrimas que não esperamos mas que acabam por "regar" o nosso próprio crescimento e nos fazer entender que mesmo nessa experiência de Cruz, n'Ele seremos sempre imortais...
E olhar os outros de frente, olhá-los bem fundo, no mais profundo da sua alma, não é caminho de vida e de amor? E sermos capazes, com a pureza do coração e a transparência da alma, dizermos àqueles a quem verdadeiramente o sentimos: "É que eu quero-te tanto; não saberia não te ter; é que eu quero-te tanto; é sempre mais do que eu sei te dizer"...
Custa reconhecer que somos humanos! Teoricamente "gritamos" essa verdade; porém, porque negamos a força dos afectos, a ousadia do coração, a beleza da ternura, a graça dos sentimentos nobres que nascem e renascem em cada um de nós, perdemos essa oportunidade de fazer esse outro sentir-se e saber-se único, especial, importante, insubstituível. Como nós o somos em relação a Deus. 
Não, não basta partir do pressuposto que o outro "já sabe"! Ele tem de ouvir, ele tem de sentir, ele tem de experienciar, esse afecto, essa amizade, esse amor, que nutres por esse mesmo coração. Como Deus o faz connosco na força da Sua Palavra que não passa e, sobretudo, na Sua presença real e efectiva feita Pão de vIda eterna, caminho que nos transforma em imortais...
Será que não haverá alguém - e serão tantos talvez - aqueles a quem poderíamos segredar a letra desta mesma música... E porque esperamos? E porque teimamos no medo e na vergonha de dizermos que amamos, que sentimos, que somos humanos, que somos divinos, que somos imortais?!...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

"Recomeçar com o Amor..."

O trecho da Carta aos Coríntios hoje proclamada na liturgia da Palavra dá, categoricamente, o "tom" para o recomeçar de um novo ano pastoral, para o iniciar de mais uma semana de caminho, do começo dos trabalhos nas faculdades e nas escolas, do regresso ao trabalho quotidiano após o merecido tempo de férias de cada um...
O "Hino da Caridade" é, verdadeiramente, um "mapa" que indica o caminho a percorrer, que aponta os trilhos a seguir, que marca a vida a tecer em cada momento do nosso viver; com efeito, apenas a caridade, é dizer, o amor, dão plenitude e sentido a um coração e a uma vida que se afirmam ser de fé e de adesão ao Evangelho do Senhor Jesus.
Oferecer o corpo às chamas, transportar montanhas, fazer mil e uma coisas, por mais nobres que estas possam ser, mesmo a nível eclesial, religioso, social, se estas estiverem desprovidas de amor, de nada nos aproveitará!
Diante do proclamado "Ano da Fé", a iniciar já em Outubro, pelo Papa Bento XVI, creio que importaria à Igreja toda - e portanto a cada um de nós - repensar desde a primeira hora se esta mesma Fé que professamos com os lábios e com a boca estará repassada pelo Amor...
Sem o Amor, cada gesto, cada pensamento, cada atitude, cada desejo, tornar-se-ão, simplesmente, atitudes humanas, quiçá bastante nobres até, mas sem os traços do divino que as deveriam caracterizar pelo facto de sermos discípulos de Jesus.
Muitas das actividades da própria Igreja, muitos dos serviços prestados nas nossas Comunidades, tantos dos discursos, das homilias, das catequeses, dos sermões e das conferências, teriam um efeito muito mais catalisador, muito mais evangelizador, muito mais santificante, se tivessem este sentimento e atitude do Amor autêntico, servo, gratuito, verdadeiro, generoso, incondicional, desmedido...
O Amor é paciente, o Amor é gratuito, o Amor é generoso, o Amor não se ensoberbece, o Amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera... o Amor é tudo, verdadeiramente.
E creio que seria bom, fantástico até, se quiséssemos trazer o Amor para a "normalidade" da nossa vida e não o remetêssemos para um lugar recôndito e escondido do nosso ser! Como seria o mundo, como seria a Igreja, como se tornariam as nossas Comunidades cristãs se fosse o Amor a comandar e a conduzir as agendas, os planos, os desafios, pastorais que abraçamos em nome de Jesus Cristo?!
Talvez "loucas", talvez "despercebidas", talvez "incompreensíveis", mas certamente com o sabor do Reino de Deus e, necessariamente, como provocação e proposta aos homens de um novo estilo de vida humana, de uma outra forma de palmilhar os caminhos da vida...
E se experimentássemos ser uma Igreja onde o Amor não é palavra bonita, sermão eloquente, quimera longínqua, mas realidade a acontecer?
Tudo se aproveitaria cem vezes mais neste mundo e nesta  Igreja e no outro, a vida eterna...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

JMJ 2013? 
Porque não? 
Claro que sim!

Mais que uma quimera ou uma utopia marcada pelo devaneio, eis que a Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro, Brasil, como que num "segundo", se torna evento e sonho, ambição e desafio, audácia e vontade firme de concretizar por parte dos jovens da nossa Paróquia.
Na verdade, sabemos todos que serão muitos os obstáculos a ultrapassar, as barreiras a vencer, as dificuldades a deixar para trás; sabemos e sentimos que uma enorme responsabilidade recaiu sobre quantos se decidiram abraçar o apelo do Papa Bento XVI e a de quantos a ele aderirem...
Todavia, precisamente porque "pelo sonho é que vamos" como escreve o poeta, acreditamos que com os esforços e a dedicação, a boa vontade e a entrega de cada um, jovens e adultos, crianças e idosos, numa palavra, a Paróquia, conseguiremos levar a "bom porto" esta mesma aventura e tornar realizável este mesmo sonho.
Será uma caminhada de toda a Comunidade; um trabalho a desenvolver, esforços a congregar, comunhão a edificar, sã ambição que terá de ser compartilhada por todos quantos se sentem e formam parte deste todo maior que é a Paróquia de Carcavelos.
Como afirmou já várias vezes o Santo Padre, os jovens têm de ser a grande aposta e prioridade da Igreja e das Comunidades, dos Pastores e dos esforços pastorais. Eis pois uma oportunidade excelente para vivermos esta convicção do Papa, na medida em que todos abraçarmos este sonho que é "levar" os jovens da Paróquia a viverem essa experiência inolvidável que é uma Jornada Mundial da Juventude.
A JMJ 2013 vai ser a "palavra de ordem" deste ano pastoral. Terá de o ser.
Porque vamos, em comunhão com toda a Igreja, viver o "Ano da Fé", abraçar este projecto comunitário pode bem ser o desejar passar a "porta" da fraternidade, da cumplicidade, da comunhão, do diálogo, da verdade, da caridade, da justiça, da entre-ajuda, do acolhimento, da reciprocidade, afinal, da Fé, que dizemos ter e professar.
Todas as ajudas serão preciosas; todas as ideias serão bem vindas; cada sugestão será acolhida; cada gesto de partilha será um passo dado na construção deste sonho gigante que acalentam os jovens da Paróquia e eu próprio que desde esse primeiro segundo "abençoei" essa ousadia e essa vontade de sonhar...
Como Pastor tenho que agradecer esta oportunidade de me desinstalar, de arriscar, de ir bem mais além e mais alto que estes jovens me proporcionam.
Foram esses corações jovens, positivamente inquietos, decididos e audazes que me fizeram acreditar que seria possível...
Serei apenas e tão somente aquele que os ajudará a alimentar esse sonho e essa chama; aquele que lhes dirá sempre que "o medo, a falta de coragem, mata antes de se morrer"; serei aquele que, de braços erguidos ao Céu e mendigando a generosidade de todos os ajudará a viver essa proposta do Sucessor de Pedro.
A esses que se decidiram sonhar e arriscar, um obrigado gigante.
A quantos se decidiram provocar-me e desafiar-me a acolher essa proposta, um bem haja impagável...
Teremos muito trabalho; "nuvens escuras" intentarão obscurecer os nossos passos; comodismos e apatias serão muros a subir confiadamente... mas o destino está traçado: JMJ no Rio de Janeiro em Julho de 2013.
Deus providenciará. E isso nos basta...
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