"Recomeçar com o Amor..."
O trecho da Carta aos Coríntios hoje proclamada na liturgia da Palavra dá, categoricamente, o "tom" para o recomeçar de um novo ano pastoral, para o iniciar de mais uma semana de caminho, do começo dos trabalhos nas faculdades e nas escolas, do regresso ao trabalho quotidiano após o merecido tempo de férias de cada um...
O "Hino da Caridade" é, verdadeiramente, um "mapa" que indica o caminho a percorrer, que aponta os trilhos a seguir, que marca a vida a tecer em cada momento do nosso viver; com efeito, apenas a caridade, é dizer, o amor, dão plenitude e sentido a um coração e a uma vida que se afirmam ser de fé e de adesão ao Evangelho do Senhor Jesus.
Oferecer o corpo às chamas, transportar montanhas, fazer mil e uma coisas, por mais nobres que estas possam ser, mesmo a nível eclesial, religioso, social, se estas estiverem desprovidas de amor, de nada nos aproveitará!
Diante do proclamado "Ano da Fé", a iniciar já em Outubro, pelo Papa Bento XVI, creio que importaria à Igreja toda - e portanto a cada um de nós - repensar desde a primeira hora se esta mesma Fé que professamos com os lábios e com a boca estará repassada pelo Amor...
Sem o Amor, cada gesto, cada pensamento, cada atitude, cada desejo, tornar-se-ão, simplesmente, atitudes humanas, quiçá bastante nobres até, mas sem os traços do divino que as deveriam caracterizar pelo facto de sermos discípulos de Jesus.
Muitas das actividades da própria Igreja, muitos dos serviços prestados nas nossas Comunidades, tantos dos discursos, das homilias, das catequeses, dos sermões e das conferências, teriam um efeito muito mais catalisador, muito mais evangelizador, muito mais santificante, se tivessem este sentimento e atitude do Amor autêntico, servo, gratuito, verdadeiro, generoso, incondicional, desmedido...
O Amor é paciente, o Amor é gratuito, o Amor é generoso, o Amor não se ensoberbece, o Amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera... o Amor é tudo, verdadeiramente.
E creio que seria bom, fantástico até, se quiséssemos trazer o Amor para a "normalidade" da nossa vida e não o remetêssemos para um lugar recôndito e escondido do nosso ser! Como seria o mundo, como seria a Igreja, como se tornariam as nossas Comunidades cristãs se fosse o Amor a comandar e a conduzir as agendas, os planos, os desafios, pastorais que abraçamos em nome de Jesus Cristo?!
Talvez "loucas", talvez "despercebidas", talvez "incompreensíveis", mas certamente com o sabor do Reino de Deus e, necessariamente, como provocação e proposta aos homens de um novo estilo de vida humana, de uma outra forma de palmilhar os caminhos da vida...
E se experimentássemos ser uma Igreja onde o Amor não é palavra bonita, sermão eloquente, quimera longínqua, mas realidade a acontecer?
Tudo se aproveitaria cem vezes mais neste mundo e nesta Igreja e no outro, a vida eterna...

