"Rezar com os pés"
Foi uma experiência inesquecível.
Dura, bastante árdua até, mas para sempre gravada no coração de quantos ousaram fazer o Caminho de Santiago a pé...
Muitas palavras, imensos sorrisos, bastantes bolhas e dores musculares, incontáveis orações, celebrações eucarísticas que jamais esqueceremos, silêncios que tocavam o Céu, sorrisos cúmplices que amarravam os corações, desejo infindável de abraçar o Apóstolo...
Mas uma "marca", uma certeza tornou-se comum: rezámos com os pés.
Desde o primeiro segundo da nossa peregrinação, essa "imagem" e essa "ideia" iriam permanecer nos nossos espíritos: iríamos ter uma exigente, permanente e longa semana de oração.
O Terço era "companhia" permanente ao longo de cada etapa, de cada dia de Caminho; porém, todos ao mesmo tempo, mais devagar ou mais depressa, rezávamos com os pés. Tinhamo-nos comprometido a oferecer cada passo da caminhada; havíamos tomado consciência de que seria uma peregrinação onde cada segundo, cada momento, cada passo, fosse uma prece endereçada ao Coração de Deus.
E se algo de bom e memorável aconteceu foi, precisamente, essa constante consciência de que éramos um grupo que caminhava em permanente oração.
Confraternizámos, rimos, sorrimos, sonhámos, chorámos, partilhámos mas, acima de tudo, quisemos que os nossos passos fossem oração, fossem prece, fossem diálogo de amor, fossem oferta ao nosso Deus...
Na verdade, muito mais que repetir fórmulas religiosas, piedosas, orações rotineiras e balbuciadas sem sentido, quisemos rezar com os pés. E conseguimos. Com muitas dificuldades, a começar pelo permanente calor que se fez sentir, cada descida ou subida, feita com mais ou menos, ou até com muito sacrifício nalguns casos, sabíamos que estávamos a rezar... com os nossos pés.
Guiava-nos o desejo daquele abraço ao Apóstolo; seguíamos determinados a entrar naquela catedral de Santiago e, nesse abraço, após o reconhecimento da nossa condição de peregrinos, após cerca de 114 quilómetros palmilhados, no silêncio e na verdade do coração de cada um de nós, abraçar, sentir, entregar, pedir, confiar, e abandonarmo-nos no "colo" do Pai...
Regressámos já com um "plano" determinado, um objectivo a realizar, um sonho que havemos de tornar realidade: a Jornada Mundial da Juventude, em Julho de 2013, no Rio de Janeiro, à volta do Santo Padre e em comunhão com milhões de outros jovens que, decerto, ali se encontrarão.
Não foi um caminhar em vão, uma actividade de Verão, uma peregrinação a juntar a tantas outras; ao contrário, foi este tomar consciência que somos Igreja, responsáveis por uma Comunidade concreta e que nela havemos de mostrar os sonhos que nos guiam e a determinação real de os concretizar.
Falta menos de um ano para a JMJ de 2013; um gigante desafio se ergue diante de nós todos: os jovens, as famílias, a Comunidade paroquial... mas, porque como diz o poeta, "pelo sonho é que vamos", é já amanhã, que teremos a primeira reunião de preparação para a JMJ 2013.
O que rezámos com os pés será, com certeza, já uma alavanca fecunda e gozosa para conseguirmos alcançar os nossos objectivos.
Assim Deus, e a Sua Igreja, nos ajudem a concretizar o bem que já começámos...

