"Humildes..."
"O orgulho divide os homens; a humildade une-os" (Henri Lacordaire).
A Humildade será a "palavra-chave" deste dia que amanhece diante de nós; um sentimento que vai sendo banido do "dicionário" das nossas vidas e dos nossos corações; um tesouro que tende a ser desvalorizado neste tempo em que o nosso olhar se vai fixando mais nas "pérolas" nada preciosas da "posse", do "poder", do "endeusamento", da "auto-suficiência"!...
Porém, nesta "teimosia" que nos preenche, ousamos incarnar a Humildade como passo decisivo e determinante para encontrar o verdadeiro Caminho que conduz à Vida; nesta "aposta" aparentemente desvalorizada sabemos e acreditamos que encontraremos a força capaz de mover as "montanhas" de orgulho que perseguem as relações humanas e apenas conseguem alcançar a desarmonia e a desigualdade, a frustração e a mediocridade do próprio coração!
Escolhemos "trabalhar" a Humildade no preenchimento deste nosso terceiro dia de Kandandu 2012. Decidimos olhar para o Mestre e essa sua "característica" tão Sua, tão própria, de fazer de cada outro o "santuário" de cada encontro, de cada palavra, de cada gesto, de cada segundo da existência.
Mais novos e mais velhos, monitendos e monitores, intentaremos trazer e preencher o coração com as palavras de S. João Baptista: "É preciso que eu diminua e Ele cresça"! É preciso que eu diminua, eu me apague, e eles, cada outro que se cruzar hoje connosco, cresça, seja mais importante, deixando de olhar exclusivamente para os nossos umbigos e acreditar na beleza, na riqueza, que comporta e existe no coração do outro, dos outros...
Não será uma "batalha" fácil, tal o "vício" que nos controla na medida em que vamos sendo contra educados" procurando convencer-nos de que valemos pelo que "temos" e não pelo que "somos"!
Nas relações inter-pessoais deste dia que nos é dado como dom do Alto, buscaremos a Humildade como "estrela" que guia e aponta os trilhos a seguir a fim de acertarmos os passos rumo ao verdadeiro Caminho.
Em cada actividade, em cada proposta, cada jogo, cada palavra, intentaremos fazer autêntico e profundo diálogo e relação, onde o outro se sente e sabe "grande", "forte", "rico", porque amado por cada um de nós...
"É preciso dialogar com os que nos rodeiam: é muito triste não conhecer mais que o monólogo. Dialogar é saber escutar e pôr-se na disposição de comungar com o outro. Falar e escutar são dois actos de valor humano idêntico; na realidade são um mesmo acto.
Quem não sabe escutar, nem sequer pode falar em sentido pleno: brada, grita, monologa. Quando não se sabe deixar falar o outro, acaba-se por escutar os próprios gritos. Só os humildes são capazes de dialogar; sem um sincero espírito de acolhimento, o diálogo não é possível.
É preciso acolher o próximo, chame-se ele marido, filhos, subordinados, amigos, etc., para se poder dialogar.
Há silêncios e monólogos que cheiram a morte: morreu o amor. Se há amor, surge o diálogo, pois o amor faz milagres"
A humildade faz milagres...
E isso nos basta...

