sábado, 30 de junho de 2012

"Tocar... em Deus"!

A nossa alegria profunda e duradoura acontece na medida em que nos deixamos "tocar" por Jesus...
A propósito da liturgia da Palavra deste Domingo XIII do Tempo Comum que hoje celebramos, creio que seria importante deliciarmo-nos com essa certeza existencial do crente: Deus, em Jesus, ousa esse "toque" com a nossa humanidade. Mais: deixa-se "tocar" por cada um de nós! Não Se esconde, não Se desvia, não Se afasta, não ignora, jamais Se mostra indiferente... Ele "está", Ele "é", simplesmente!
E na medida em que sonhamos, desejamos, almejamos esse "tocar" Jesus, a possibilidade real e fecunda de nos "cruzarmos" com a eternidade, com a paz, com a vida verdadeira...
Querer "tocar" Jesus, ao menos o seu manto, que seja apenas a orla das suas vestes, acreditando, confiando, podemos curar as nossas enfermidades, libertarmo-nos das nossas prisões, saciar as nossas sedes, dizimar as nossas fomes!!!
Querer "tocar" Jesus, ao menos as suas vestes, será sempre sinal de vida e alegria contagiantes que jamais algo ou alguém nos poderá roubar! "Tocar" Jesus, ao menos nas suas vestes, é certeza de vida nova, de ressurreição interior, de liberdade profunda, de sentido no caminhar...
Hoje, porém, como "tocar" Jesus? Como pode o Homem acercar-se desse "manto divino", como pode esta nossa Humanidade carente de sentido, de rumo, de ordem, "tocar" Esse Senhor que dá vida aos "mortos" de cada tempo?!
Uma resposta se impõe na fé: através da Igreja, continuação no tempo d'Esse Senhor que permanece connosco até ao fim dos tempos.
Assim, importa a interrogação: com que "mantos" nos revestimos nós enquanto Igreja, enquanto Povo de Deus, enquanto "rosto" e presença de Jesus de Nazaré?
Todos o sabemos - e até sentimos - os homens precisam e buscam sentido para as suas vidas; os homens anseiam razões de existência que continuam a não encontrar no dinheiro, nas coisas, nas modas, nos títulos e glórias...
Todos o sabemos: esta nossa humanidade precisa e quer Deus! Quer testemunhas credíveis de uma Verdade maior, de uma Paz inquebrantável, de uma Alegria que permaneça, de uma Vida que valha a pena ser vivida... Ou seja, o mundo quer "tocar" Deus, quer "tocar" Jesus!
E tem de o fazer através e na vida da Igreja. Tem de encontrar essa mesma Paz e Alegria, essa Vida e Verdade, na vida quotidiana da Igreja, isto é, nos nosso testemunho de cristãos enamorados, felizes, fiéis, discípulos, d'Esse Mestre da Galileia.
"Manto" de vida? "Manto" de verdade? "Manto" de partilha? "Manto" de ternura? "Manto" de misericórdia?
"Vestes" de paz? "Vestes" de serviço? "Vestes" de humildade"? "Vestes" de despojamento?
Enquanto Igreja, enquanto Comunidades, enquanto grupos ou movimentos, enquanto famílias, casais, pessoas, ditas crentes na Boa Nova de Cristo, apresentamo-nos ao mundo revestidos das "vestes" do Evangelho, do Reino de Deus ou, ao invés, aparecemos diante dos homens trajados com os "mantos" da indiferença, da vaidade, do egoísmo, da maledicência, do pessimismo, da incoerência, do fariseismo?!
"Tocar" Jesus para que os homens, em nós, O possam "tocar"...
Acreditar que esse "toque" pode "tocar" incontáveis corações que esperam a nossa fidelidade a Jesus. Maravilharmo-nos por Deus precisar de nós para que tantos outros a Ele possam chegar...
Embevecermo-nos pois que nesse sonho e desejo de "tocar" Jesus podemos ser curados e curar o Homem "ferido" deste nosso tempo...

terça-feira, 19 de junho de 2012

"Pelo sonho é que vamos..."!

Acabámos de "sonhar"...
Sim, porque continuo a acreditar que, como diz o poeta, "pelo sonho é que vamos...".
Eu com mais seis jovens da Paróquia ousámos arregaçar as mangas e, do coração aberto, vamos dar "corpo" a uma nova aventura... uma Peregrinação a Santiago de Compostela, trilhando nós os passos já percorridos por tantos outros antes de nós...
Após o Campo de Férias, a realizar na última semana de Julho, como culminar do Ano Pastoral, reabrimo-lo na primeira semana de Setembro com os Caminhos de Santiago...
Devaneio? Utopia? Impossível?
Talvez!
Ou talvez a oportunidade de erguer vontades e unir esforços, de descruzar braços e preparar veredas...
Sonhar será sempre uma "característica" das gentes inconformadas, das pessoas inquietas, dos corações irrequietos, das almas grandes e positivamente desassossegadas...
Na verdade, é pelo sonho que vamos, é pela capacidade de inquietude que podemos transformar o nosso mundo e o nosso tempo. É pela consciência de inconformidade, pelo desejo de uma ousadia permanente e crescente, pela vontade de deixar a História com traços distintos daquela em que a encontrámos, que iremos transfigurar o Homem que somos em cada tempo presente.
E a fé é "sublinhado" edificante nesta aventura de "sonhar".
A Pessoa de Jesus Cristo é "alavanca", "catapulta" nesta dimensão do "atrevimento" de construção do Homem Novo a que somos chamados a edificar.
E este "trabalho" ou este "combate" travado é apenas vencido na medida em que o fazemos com o "outro" e O "Outro". Decididamente, sozinho, podemos até andar mais rápido, mais depressa... mas com as mãos dadas ao outro e ao Outro, vamos, verdadeiramente, mais longe.
Sonhar sozinho é possível... mas podemos cair na "armadilha" de o transformar numa longínqua e inatingível quimera, numa inultrapassável ilusão!
Sonhar de mãos, de corações, de almas, dadas ao outro e ao Outro, torna sempre viável e possível esse mesmo sonho.
Sonhar unidos ao outro e ao Outro torna mais belo e cúmplice esse mesmo sonho. Apetece deixar envolver o coração todo, o coração inteiro e que esse "amanhã" fosse já "hoje"!
Sonhar envolvido na história de cada outro, abraçados ao Outro, capacita a nossa fraqueza e debilidade, encoraja a nossa pobreza e enobrece a nossa humanidade.
E vamos...
Com tarefas a cumprir, com tempos a tornear, com dificuldades a ultrapassar, com obstáculos a tornear, sonhamos...
Os sorrisos visíveis em cada um dos rostos denota, necessariamente, o sorriso que transportam nos corações. E só por isso já valeu a pena uma reunião numa noite de terça-feira, dia designado de "folga"!
Porque, "pelo sonho é que vamos..."!

terça-feira, 12 de junho de 2012

"Imensamente grato"

Sabe bem quando o cansaço nos "agiganta" bem por dentro.
Sabe bem sempre que sentimos o coração cheio e completo.
Sabe bem à alma e à existência olhar ao redor e acreditar que Deus permanece vivo, real e presente, bem ao nosso lado nas coisas, factos, acontecimentos, gestos, sinais, maiores ou mais pequenas..
Poder presidir à celebração e à Festa da Primeira Comunhão dos mais pequeninos das nossas Comunidades é sempre uma bênção do Céu. Sentir a pureza e a beleza, o desejo profundo e sincero, genuíno e "delicioso" de Jesus, desses mesmos pequeninos, é verdade e é mistério que nos enriquece, enobrece, engrandece.
Aqueles sorrisos, aqueles corações, aquela fé, aquela dedicação, aquela concentração, aquele desejo de se tornarem, para sempre, morada de Deus, não consegue não derrubar "muralhas", "barreiras", "preconceitos" ou dúvidas que, porventura, possam tentar destacar-se nos nossos próprios corações!
É tão rica a beleza da verdade da fé e dos corações...
É tão gratificante a simplicidade e a pureza da alma...
É tão enternecedor e edificante a genuinidade e a transparência dos que verdadeiramente desejam a Deus...
Uma "catequese", um testemunho, uma referência, que estes pequeninos me deram, ensinaram, presentearam...
Um cansaço físico tremenda e verdadeiramente confortado e ultrapassado com a alegria interior que me proporcionaram esses corações transformados agora em "morada, "casa", "palácio" de Jesus.
Alegria ainda depois aumentada ao ver jovens disponíveis e incansáveis ao serviço dos irmãos, da Comunidade que é nossa, ao prepararem com imenso afinco e dedicação toda a "logística" para a celebração da Eucaristia da tarde de Domingo que agora é celebrada ao ar livre no nosso Centro Comunitário.
Aqueles esforços, desejos e vontades, aquela entrega, dedicação e suores, para que os outros se sentissem bem e verdadeiramente acolhidos, são sinal visível e eloquente do que é serviço à Igreja, do que é fé no Senhor que não veio para ser servido mas para servir e dar a vida pela multidão.
Foram dias, estes últimos, com os traços da exaustão física e, simultaneamente, com as marcas da alegria da fé e do regozijo da alma.
Naquela pequena multidão vislumbrava-se o rosto da Igreja.
Naquela assembleia, de crianças, jovens, adultos, idosos, a presença do Senhor Ressuscitado que continua a seduzir e a atrair a Si os corações...
Cansado à noite, mas com o coração a arder por olhar e ver nestes tantos corações a presença de Deus.
E mais feliz ainda por saber e acreditar que Deus sorri ao olhar estes mesmos corações. Por saber e acreditar que só Ele sabe e conhece profundamente a verdade e a entrega de cada um deles. E que, à Sua maneira e ao Seu jeito os recompensará... cem vezes mais neste mundo e no outro com a vida eterna.
Às crianças, aos jovens, aos adultos que, particularmente e de forma tão visível estes dias mostraram categoricamente a essência da fé e do serviço a Deus e à Sua Igreja, a minha mais profunda homenagem e gratidão...
O vosso cansaço - tão visível - é a alegria de Deus e a certeza de que o mistério do Seu Amor são realidade viva e permanente.
Os vossos esforços, a vossa disponibilidade, o vosso suar, são alicerce de fé para mim, para quantos souberam olhar para o vosso testemunho de paixão pelo Homem, pela Vida, pela Fé.
Não vos consigo abraçar a todos pessoalmente; porém, ainda que desta forma, sintam e saibam da minha alegria, da minha gratidão, da minha paz interior, por me ensinarem como Deus é: amor, serviço, dedicação, silenciosa, discreta, humilde, profunda...
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