"Não acreditarão!"
Apenas se formos demasiados surdos e apáticos, indiferentes e anestesiados, deixaremos de escutar e de nos inquietar diante dessa interjeição e desse "grito" do mundo: "Não acreditarei"!
Somente na medida em que nos deixarmos encerrar no nosso "ego" e aceitarmos esses "grilhões" que nos aprisionam a um individualismo que "mata" e que "cega" a nossa vocação a sermos Igreja e Comunidade, recusaremos a atenção ao eco e às consequências dessa inquietação dos homens deste tempo: "Não acreditarei"!Na verdade, "paira" no "ar" essa provocação de homens e mulheres que buscam encontrar Deus e a Sua salvação na vida quotidiana daqueles que se afirmam discípulos de Jesus de Nazaré! Porém, exigem que nós, Igreja, vivamos ao jeito do Mestre; exigem que espelhemos a Boa Nova por Ele pregada e vivida; pedem que lhes revelemos a paz e a vida próprias de quem tem Jesus na vida, no coração!
Com efeito, cada vez menos, nesta "hora" da História, o mundo precisa de palavras, de "histórias", de "sermões", de "catequeses" ou "teologias" desprovidas de vida, de encarnação, de testemunhos credíveis dessas mesmas palavras!
O mundo, os homens, necessitam que lhes mostremos o Lado Aberto de Jesus, que lhes revelemos os sinais dos cravos, as marcas da Paixão de Cristo, ou seja, os sinais eloquentes do Amor de Deus revelado e vivido até ao extremos pelo próprio Jesus de Nazaré.
Quando nos reduzimos, enquanto Igreja, enquanto Povo de Deus, enquanto celebrantes da Páscoa, a vãs palavras e a vazios princípios, a ocos horizontes e a estéreis liturgias, o mundo não aposta, não crê, não adere, à mensagem de vida e de verdade que a Igreja comporta e carrega consigo ao longo dos tempos!
Enquanto teimarmos num individualismo desencorajador, enquanto testemunharmos a falta de compromisso com a vida de cada outro, enquanto reduzirmos a nossa adesão ao Evangelho a rituais e a gestos supérfluos, os homens não acreditarão!
Sempre que são vaidades e desejos de sobranceria aquilo que nos conduz enquanto comunidade, o mundo não acreditará!
Cada vez que somos causa de discórdia, de maledicência, de egoísmos e de indiferenças enquanto os nossos irmãos padecem de razões de esperança e de fé, eles não acreditarão!
Se teimarmos em ser Igreja que se gasta e desgasta em conflitos e guerras internas em detrimento do serviço e da generosidade, da verdade e do compromisso com a cruz de cada outro, aqueles que precisam de encontrar Deus na nossa vida, não acreditarão!
Páscoa é sempre compromisso com o nosso irmão. O sepulcro vazio implicará uma transformação no nosso pensar e nosso agir. A evangelização, para ser eficaz e credível, urge a nossa entrega e a nossa dedicação à história e ao coração daqueles que se cruzam connosco!
Senão, senão, o mundo afastar-se-á do Evangelho e de Deus, jamais acreditando no Mistério da Ressurreição...

