segunda-feira, 9 de abril de 2012

"Perfume de Vida"

Páscoa.
Páscoa, palavra, realidade "mágica", única, insubstituível, que torna a fé e a vida numa "primavera" revigorada, refrescada...
Páscoa, certeza que nos há-de comprometer, sempre mais, com cada companheiro de viagem. Vida Nova que havemos de transmitir e partilhar a todos quantos ainda não experimentam nem saboreiam a beleza e a força da Vida de Deus, da Vida que Deus é.
Páscoa, ponto de partida para quantos se dizem acreditar em Jesus Cristo e no Seu Evangelho. Partir, sempre de novo, ao encontro de cada rosto que ainda permanece mergulhado na solidão e no esquecimento dos outros, em cada coração que sente a angústia e o desespero de se saber sem esperança, sem oportunidade, sem paz, sem vida verdadeira!
Páscoa, ponto de partida para, como os discípulos de Emaús, com o coração a arder, regressarmos ao coração de cada homem e mulher e aí levar a força de Deus Ressuscitado.
Pensar que a Páscoa é o fim de um caminho, o terminar de uma etapa, será sempre tornar supérflua uma realidade "brutal" e inigualável. 
Reduzir a Páscoa a um "porto" que se alcança porque se caminhou quarenta dias e aí permanecer "parado", "adormecido", "quieto" ou "manietado", será sempre reduzir a pouco aquilo que é muito, aquilo que é tudo!
Importa, como o discípulo predilecto, ver e acreditar.
Não chega, não basta "saber" o que é a Páscoa!
Temos que acreditar que esse mistério que nos ultrapassa se pode tornar "história", se deve tornar vida na vida de cada outro.
A fecundidade da manhã gloriosa da Ressurreição terá de oferecer ao mundo esse "odor", esse "perfume" do Jardim do Éden original, onde Deus Se passeia "de mão dada" com o Homem.
A Páscoa é essa renovada criação onde o Homem pode sentir a presença fecunda e real de um Deus que o ama, acompanha, liberta e salva, definitivamente.
A Igreja, Povo gerado no Amor Crucificado, é hoje essa "bálsamo" que serena, suaviza, pacifica a humanidade a caminho.
A Igreja é hoje a continuação desse sepulcro vazio e desse "grito" incansável de que o Amor vence. Vence definitivamente. E que apostar no "desamor" e em qualquer uma das suas muitas e diversificadas traduções, é perder a oportunidade da própria vida!
A Igreja que eu sou, que nós somos, tem essa missão sublime de "perfumar" este tempo e esta sociedade com essa Primavera Divina que é Cristo Ressuscitado. Missão que não é outra senão esta audácia de ousarmos olhar cada homem como um igual, como um irmão. Nesse sonho belo e feliz de um dia sermos todos, mas todos, a dizer do fundo do coração: "Pai Nosso...".

sábado, 7 de abril de 2012

"Silêncio na Terra"!

Há um profundo silêncio no mundo!
Parece que existimos numa atmosfera de ar rarefeito!
Há algo que desconcerta, algo incompleto, «perturbador», que nos insatisfaz...
Falta-nos algo, melhor, Alguém!
Aquela voz, Aquela presença, Aquela Palavra, Aquele desafio, Aquela paz...
Onde estás?!
Que Te fizeram?1
Que Te fizemos?!
Onde Te escondemos?!
Sim és Tu quem nos falta!
É a Ti que precisamos ver, sentir, tocar, e ser tocados!
É por Ti que existimos, que respiramos, que vivemos... e sem Ti, nada faz sentido, tudo está empobrecido, tudo descamba, tudo permanece inacabado!
É um silêncio que corrói, este!
Um silêncio que asfixia,este!
Um silêncio forçado, este!
Há um «cinzento» que nos cobre e ensombrece!
Quando virá aquela "manhã gloriosa"?!
Sim, porque há um verdadeiro sentido, uma verdade outra, um horizonte mais longínquo... Tem de haver!
A morte, as «mortes» que geramos e construímos, não poderão jamais ter a última palavra!
A Vida semeada na vida do Homem de Nazaré não pode ter sido «secada» sem mais!
A eternidade inaugurada naquele Coração aberto e trespassado não pode encerrar-se definitivamente, assim, à mercê dos egoísmos e devaneios de uns poucos! À maldade e à soberba, à vaidade e ao cinismo de alguns!
Urge esperar no verdadeiro e profundo sentido da palavra.
Uma luz irromperá no seio desta escuridão.
Uma voz ecoará para esmagar esse silêncio imposto à Verdade e à Vida verdadeira.
Uma paz renascerá para abafar e aniquilar, definitivamente, essas «guerras« loucas e sem sentido que ainda apaixonam alguns corações!
Esperar, acreditar, escutar, confiar...
No meio da noite brilhará uma Luz que jamais alguém extinguirá!
Aquele que crucificaram e mataram vem aí...
O Ressuscitado deseja o encontro...
Preparemos o coração. De lâmpadas acesas, punhamo-nos a caminho...
A Ressurreição é uma certeza que conforta e liberta.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

"Páscoa nas ruas"!

Um gesto que nos baralha e confunde!
Uma atitude que espanta e escandaliza até!
Baixar-se, rebaixar-se, como um escravo, que de joelhos lava os pés empoeirados e sujos daqueles homens seus irmãos!
Uma lição que o Mestre pede que seja continuada, repetida, vivida, pela Sua Igreja, como sinal visível e eloquente do Seu amor vivido até ao extremo. Um exemplo que não podemos apenas repetir, liturgicamente, uma vez ao ano, mas que urge ser experienciado no quotidiano da vida e da acção da Igreja que peregrina em cada tempo.
Lavar os pés ao mundo será sempre esta tarefa nobre e sublime de quem se sente e sabe seguidor deste Mestre de Nazaré. Baixar-se, joelhar-se, e com toda a humildade e dedicação tocar, lavar, enxugar, os pés dos homens nossos irmãos...
E se não o fizermos gratuita e incondicionalmente, não teremos parte com Ele, não entenderemos nunca o Evangelho, não aderiremos jamais ao Reino dos Céus, não anunciaremos, com credibilidade, a beleza de Jesus de Nazaré.
"Só o amor pode salvar o mundo" será o "mote" deste Tríduo Pascal de 2012. Creio que apenas alicerçados nesta verdade proclamada pelo Papa Bento XVI poderemos viver com autenticidade e profundidade a Páscoa de Cristo.
"Só o amor pode salvar o mundo" e a Igreja que somos e que queremos edificar.
Só o amor, traduzido em incontáveis formas, fala categorica e eloquentemente da fé que dizemos possuir.
Só o amor nos fará entender a "lógica" do lava-pés, da caminhada para o Calvário, da Eucaristia, da Paixão, da Morte, de Jesus Cristo.
Apenas "mergulhados" nesta órbita do amor entendemos o "escândalo" de um Senhor Todo Poderoso que Se faz Servo, Se faz "nada", Se torna "Morte" a fim de nos enriquecer com a Sua Graça e a Sua Vida oferecida no Madeiro da Cruz.
Hoje havemos de olhar e ver um Deus de joelhos diante dos homens. De toalha à cintura, lava e enxuga os pés dos Apóstolos numa catequese do que é verdadeiro serviço, doação, dedicação e entrega.
Os ensinamentos de Jesus não são nunca palavras sem consequências, filosofias idealistas, utopias irrealizáveis. São gestos acontecidos, são realidades assumidas, são vida partilhada. Para que agora nos, os discípulos deste tempo, o façamos também. E nos alegremos com esta atitude e esta postura enquanto Igreja, enquanto Comunidade cristã, enquanto seguidores e crentes do Evangelho de Jesus.
Porque apenas "o amor pode salvar o mundo" ousemos viver e testemunhar, em gestos concretos, esse amor de Deus nas nossas próprias vidas. Apenas dessa forma "falaremos" da Páscoa de Cristo. Essa realidade única e sublime não pode reduzir-se a uma liturgia fechada, trancada e escondida nas igrejas mas, ao contrário, tem de ser exposta e visível a quantos se cruzam connosco.
Sendo amor, sendo serviço, sendo partilha, sendo verdade, sendo justiça, sendo generosidade, diremos ao mundo a verdade da Páscoa...
A Páscoa tem, afinal, de sair à rua, à vida dos homens nossos contemporâneos.
Eles têm esse direito.
Páscoa nas "ruas" das nossas cidades, é essa disposição interior e verdadeira de lavar os pés aos homens. Aqui e agora!
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