"Só o amor pode salvar o mundo"
Um grande amigo meu, "velho" companheiro na viagem da vida, tem um tumor!
Repensamos tudo!
Absolutamente tudo!
Apetece recuar no tempo e aproveitar o próprio tempo desperdiçado.
Arrependemo-nos do abraço adiado, do encontro não acontecido, da presença "ausente" mais que o que deveria ser!...
A fé impele-nos à oração, à confiança, à entrega, ao abandono n'Aquele que tudo pode.
E arregaçamos as mangas e tornamo-nos abraço e presença. Perseverança, estímulo e esperança. E deixamos que seja o coração a guiar as palavras, os gestos, pensamentos e atitudes. E ganhamos força e solidificamos a própria fé.
E após uma conversa "terrível" e "dolorosa", "sofrida" e "chorada", eis que ressurge um sorriso e uma forte gargalhada. A cumplicidade sublinha-se na dor e na experiência da cruz. A beleza dos sentimentos mais nobres apresenta-se sem "muralhas" nem "defesas" quando deixamos que seja o coração a comandar o que temos e o que somos.
Mas uma questão - ou bem mais que uma - permanece no horizonte próximo da nossa consciência e do nosso pensamento! Porque será que se teima e acredita tanto no oposto do amor e da verdade?!
Porque razão "damos as mãos" à malícia ou à inveja, à difamação ou à calúnia, quando apenas e só o amor - que é amizade, é cumplicidade, é abraço, é sonho, é esperança, é lágrima derramada, é ternura partilhada - nos tornam verdadeiramente humanos, grandes, fortes, poderosos?!
Porquê tanta luta por protagonismos, por poderes e glórias ao jeito do mundo se apenas nos sentimos verdadeiramente em paz e fortes quando nos entregamos, servimos e oferecemos aos outros?!
Tanta disputa, tanta competição, no mundo e na Igreja, quando nada disso traduz o Evangelho nem anuncia o Reino de Deus!
Preparamo-nos para celebrar o mistério mais profundo da nossa fé: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Um mistério que da Morte faz ressurgir a Vida.
Um mistério que passa pela "loucura" de um amor até ao fim, pelo escândalo do lava-pés, pelo indizível de um Madeiro e nele O Crucificado... para ressuscitar e nos vencer e convencer que apenas pelo amor chegamos à manhã gloriosa da Páscoa.
A Vida não se conquista por palavras bonitas, por boas intenções, por sermões mais ou menos espirituais, por filosofias ou esoterismos, por consciências formatadas espiritualmente!
A Vida alcança-se e celebra-se na liberdade da verdade, na alegria do serviço, na paz da consciência, na beleza da amizade autêntica, na adesão a Cristo e a Cristo Crucificado por amor.
Uma doença tremenda pode ser forma de nos encontrarmos e reencontramos com aquilo que vale mais. Uma dificuldade no caminho pode ser oportunidade de revalorizar cada passo já andado. Uma incerteza no peregrinar pode ser estímulo à confiança e ao abandono no Coração d'Aquele que morreu por nós e por nós ressuscitou.
De facto, "só o amor pode salvar o mundo"!


