sábado, 18 de fevereiro de 2012

"Santa loucura" (4)

Obrigado São. Obrigado Rita. Obrigado Filipa. 
Obrigado Luís. Obrigado Tomás.
Obrigado "General". Obrigado Zé e Ricardo. 
Obrigado Pedro e Nuno. Obrigado Gabriel, Euclides e Rickie. 
Obrigado Zé Carlos, Vitalli e Marco. 
Obrigado João, Orlindo e Carlos. 
Obrigado Paulo e Luís Pinto.
Pode até parecer-vos uma "lista" exaustiva de nomes! Porém, é imensamente mais do que isso. É a gratidão pura e sincera deste meu coração a esses outros corações que quiserem e ousaram oferecer-se e partilhar o que tinham de mais nobre e mais valioso: as suas próprias vidas. Com o seu tempo e a sua história. Os seus passados e os seus sorrisos. Os seus medos e anseios como os seus sonhos e vontades de lutar...
"Obrigado" pela experiência que me proporcionaram, pelos momentos que vivi, pelos sorrisos que recebi, o alento que me ofereceram, o sonho que alimentaram...
Mais do que "nomes", são almas que ficam na minha história, são vidas que marcaram a minha vida. São razão de caminhar, razão de combater, razão de acreditar que, dia após dia, o mundo pode, verdadeiramente, ser bem mais bonito.
Obrigado a vidas que, evidentemente, não são perfeitas. Como o não é a minha nem a de nenhum de nós. Mas um "obrigado" porque nessas imperfeições pode sempre sobressair a riqueza da verdade e da simplicidade. Porque podemos sempre maravilhar-nos e aprender com a humildade e a ternura de que são capazes todos os outros, para além de estigmas, dores, abandonos ou rejeições. Um "obrigado" porque sublinharam a minha "fé" no poder da cumplicidade, da amizade, dos laços do coração. Um "obrigado" a cada um porque, para além das nossas diferenças e imperfeições, podemos e conseguimos olhar e fixar-nos naquilo que nos é comum e nos ajuda a caminhar sempre mais além: o poder do coração.
Regressados agora à "normalidade" das nossas vidas, aos quotidianos do nosso caminho, há que relembrar que há momentos e encontros, há episódios e vontades, bem mais fortes que os "encontrões" que a vida nos possa já ter proporcionado.
"Só por hoje", e dia após dia, em cada vinte e quatro horas de caminho, podemos ser todos homens e mulheres que transformam o mundo e a Igreja em algo belo e grandioso. Simplesmente porque acreditamos no poder da humildade, na força da verdade, no esplendor da simplicidade, na grandiosidade de ousarmos sonhar...
"Tomás, passo a passo foi entrando
e os "jubileus" conquistando
com pena nos deixou,
mas a sua marca ficou".
Um "verso", umas palavras, escritas pelo e com o coração daqueles que se sentiram e souberam iguais e únicos a cada um de nós porque nos "atrevemos" a ser irmãos. Dirigidas a alguém que incarnou a aventura que todos fizemos nossa... Palavras confiadas, afinal, a todos nós... que merecem que digamos aos "jubileus" pelo menos "obrigado".
Para o fim deste texto, o "Obrigado" maior a Carcavelos e a quantos proporcionaram estes dias únicos. A todos os que generosamente colaboraram neste projecto.
A quantos na "retaguarda" da oração sustentaram cada um dos nossos passos.
Aos muitos e muitos que, no segredo e na discrição, estiveram e quiseram estar presentes nesta "santa loucura"...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


"Santa loucura" (3)

"Depois de hesitar

Peguei no telefone e liguei

Para conversar

Estou?!
Está?!

Tu não estás bem, não enganas ninguém

Conta lá o que é que a vida te fez agora

Aparece por cá, bebemos um chá
e o frio fica lá fora...
Ah, tu tens sempre uma cura

Ah, nenhum mal perdura

Para lá do tempo, tudo leva o vento

Só fica um amigo, um sexto sentido

E um lamento...
Sabes eu não tenho andado nada bem

Sentir que alguma coisa molha os teus olhos

Molha os meus também

Eu sofro por ti, eu sofro contigo

Há quem diga que esta dor é telepatia

Mas eu juro que é amor".

Uma música que relembro e entoo esta noite...
Fizemos um balanço, uma avaliação destes dias diferentes vividos em grupo, em família, em comunidade...
E com o coração escancarado, liberto de muitos dos medos e ansiedades, entrelaçados por sentimentos de fecunda amizade e cúmplice comunhão, há sorrisos belos e rostos emocionados. Há uma gratidão generalizada, unânime, humilde, simples, serena.
Deixámos, por estes dias "o frio lá fora" e ousámos acender o "lume" próprio de quem crê na força do coração e na vontade da mudança. Pouco a pouco, fomos derrubando barreiras de "gelo" e de "neve" e construímos harmonias e fraternidades "aquecidas" pelo fogo da alma partilhada, da história tornada comum, de pessoas reconhecidas pelo nome...
E percebemos que nenhum mal perdura ou se torna definitivo; que um passado pode nunca mais ser realidade negra ou destrutiva mas, ao contrário, lição de vida que nos faz sonhar e querer um sorriso e uma vontade que saem do mais fundo de nós mesmos...
E se alguma coisa, muitas coisas, demasiadas coisas, molharam os olhos, há sempre a certeza que resta o abraço do amigo, a presença que recebe e que acolhe, o silêncio que escuta e a palavra que fala sem medos de juízos ou condenações.
Sim, "eu sofro por ti, eu sofro contigo".
E isso não é telepatia, magia pontual, boa vontade episódica... isso é amor.
Sim, "eu juro que é amor".
Que apenas te pede seja feliz para eu me sentir em paz. Que apenas te exige gostes de ti para eu mesmo ser capaz de gostar, de amar, aquilo que és: pessoa, gente, filho, irmão, companheiro de viagem, peregrino ao meu lado para um Abraço outro sonhado para ti e para mim desde toda a eternidade.
E nunca, nunca te esqueças: "sentir que alguma coisa molha os teus olhos, molha os meus também"! E saber que o amor te enche e te preenche, que o sonho te guia e te conduz, faz-me caminhar decididamente ao teu lado... para sempre.
Obrigado por me ensinares que a dor se pode transformar em amor. Por me ensinares que a solidão se transfigura em comunhão. Que as lágrimas que molharam o teu rosto foram o "caminho" para nos encontrarmos. E nos abraçarmos...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

"Santa loucura" (2)

"Está a mostrar um mundo que para eles não é alcançável. A seguir à euforia vem a depressão. O mais importante é a revelação superior. E essa não está em Madrid"!
Estas são palavras escritas hoje mesmo num dos comentários feitos ao blog no texto ontem escrito. Não o publico na íntegra propositadamente; apenas estas palavras que revelam e relatam o pensar e o sentir de alguém diante da "santa loucura" que experiencio com estes jovens e estes homens aqui em Espanha durante esta semana...
Cito-as pois que nos mostram a todos como o coração nos pode pregar partidas e em nome do endeusamento pessoal e das verdades adquiridas e tomadas como dogmáticas conseguem desvirtuar a simplicidade e a beleza da realidade!
É evidente que nunca passou na minha mente nem da dos outros responsáveis estarmos convencidos que Madrid - ou outro qualquer lugar do mundo - se poderia tornar substituição dessa dita "revelação superior"! Mas temos e vivemos duma convicção: que essa "revelação superior" se manifesta e apresenta em forma e transfigurada de carinho, de compreensão, de abraço, de sonho, de partilha, de vidas entrecruzadas, de mãos e corações dados. Temos e vivemos duma convicção: que a "revelação superior" não são palavras ocas ou vãs, boas vontades aprisionadas no pensamento sem a coragem de a concretizar na vida! 
Na verdade, estou plenamente convencido que são sentimentos negativos, como ressentimentos não ultrapassados, como invejas estéreis e asfixiantes, que produzem e fazem nascer atitudes destrutivas e maléficas como as reveladas nesse comentário!
A seguir à euforia, à alegria, ao sonho e ao entusiasmo, ao tornar a acreditar na vida, não vem a depressão! Pode vir - e virá - a vontade acrescida de aumentar estes mesmos sentimentos de felicidade e de cumplicidade vivida e partilhada. E isto, precisamente, porque a "revelação superior" está na grandiosidade que pode ter cada coração humano. O contrário é que é preocupante! Ou seja, que continue gente convencida que Deus é "palavra", é "intenção", é "filosofia", é "demagogia" espiritualizante! Deus está em Madrid, em Carcavelos, em toda a parte onde permanecerem corações abertos à verdade e à compaixão, à solidariedade e à amizade, ao serviço e à partilha verdadeiras. Não estará, certamente, em corações fechados ao outro, em vidas egoístas e centradas em si mesmas que apenas conseguem olhar o seu próprio umbigo!
Estou, estamos, categorica e absolutamente convencidos que estamos no caminho certo. Que estamos a mostrar um mundo real, possível, edificável, fecundo, pois que esse brota do coração regenerado, da esperança reconquistada, da dignidade reencontrada, dos sorrisos tornados realidade.
Deixo uma questão para mim mesmo e para quantos lerem estas linhas: porque será que teimamos em incarnar a figura de "velhos do Restelo"?! Porque será que a felicidade dos outros, o sonhos dos demais, é sempre uma ameaça às nossas incertezas tornadas verdades, aos nossos erros traduzidos e assumidos como dogmas de vida, à nossa mesquinhez feita critério de vida?!
Deus sabe e vê a verdade que nos conduz. E não nos deixará desviar do caminho do coração e da força dos sentimentos que acalentamos.
Lamento imenso, mas, teimosamente, abraçarei cada um destes corações que hoje são os meus irmãos, a minha família, aqueles que Deus me pede os sirva e ama como a Ele mesmo. Ainda que isso se torne desconforto para alguns!
A paz e a alegria que vejo e que sinto nestes corações valem mais, imensamente mais, que o pensar desvirtuado e doentio de uns quantos caminhantes sem rumo...
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