"Caminho de Vida"
A liturgia da palavra de hoje pedia-nos categoricamente. "Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor"!
Escutei estas palavras como um "pedido do Céu" à minha pobre humanidade, à minha fraca fé, à minha imensa pobreza. E não estou a escrever com falsas modéstias; antes com a consciência clara do que sou, de como sou, diante do apelo que a Palavra me dirige!Na verdade, é demasiadas vezes difícil incarnar na nossa vida essa mesma palavra; custa e, não raras vezes dói profundamente, esse desejo de fidelidade, de intimidade, de comunhão, com Nosso Senhor.
Não nos envergonharmos, é não desistirmos, é não relativizarmos, é não menosprezarmos, a verdade e a justiça, a caridade e a ternura, a transparência e a docilidade. Não nos envergonharmos de Nosso Senhor é aceitar que o caminho da Cruz, a estrada do amor sem limites, os trilhos do coração oferecido e partilhado, é o derradeiro caminho de fecundidade espiritual e de liberdade religiosa e cristã.
Por isso, ao mesmo tempo que o Apóstolos dos gentios pedia que não nos envergonhássemos de Nosso Senhor, apelava: "Sofre comigo pelo Evangelho"!
Não é um chamamento ao masoquismo; ao contrário, é esse desafio a que completemos na nossa vida quanto falta à Paixão de Jesus e, consequentemente, nos tornarmos "co-redentores" do homem nosso irmão.
Sofrer pelo Evangelho, sofrer por Jesus Cristo, sofrer pela santificação da Igreja, sofrer pela refulgência da Igreja, é tarefa de quantos se dizem e afirmam discípulos do Reino de Deus. Sofrer no sentido de amar até doer, de amar até à exaustão, até ao extremo. Sofrer porque acreditamos que o bem maior é a glória de Deus e esta acontece na vida verdadeira e em abundância do Homem. Esta acontece quando não nos envergonhamos, não nos demitimos, não nos conformamos, se não com o amor ao jeito de Jesus, Nosso Senhor.
Testemunhar Nosso Senhor torna-se impossível para quem desiste de amar. De incarnar o amor na sua vida, de abraçar a experiência de deserto, de "tocar" o Madeiro da Vida! Torna-se impossível para quem fala, escreve, prega, declama, a palavra "amor" mas depois dela se divorcia categoricamente!
"Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor" foi desafio que escutei como caminho a seguir no "já" e no "agora" do meu peregrinar! Que apenas conseguirei na medida em que souber "olhar" bem para dentro de mim mesmo, de reescutar as minhas próprias palavras, de ler as minhas "letras" e de me decidir a recomeçar uma aventura de amor e de fidelidade diária...
Ser intrépido arauto do Evangelho, implica essa predisposição para o sofrimento por amor do Reino e de Nosso Senhor. Repito, um sofrimento redentor, amoroso, generoso, entregue, oferecido, oblativo. Que tenha em nós os traços, as marcas, da Paixão de Cristo. Aquele que é o Amor, anunciado, dito, vivido, incarnado, morto e ressuscitado.
