terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"Saudade..."
Esse mar que não tenho
o poder de abrir
ainda é o mesmo…
o tom de verde profundo.
Ainda é o mesmo…
O cheiro de maresia,
Que se mistura ao perfume da pele.
Ainda é o mesmo…
O abraço morno e
envolvente das águas.
Ainda é mesmo…
O horizonte tingido de dourado
pela doçura do sol no poente
ainda é o mesmo…
o som das ondas quebando na praia,
que parecem sussurrar teu nome
ainda é o mesmo…
O sopro da brisa que desarruma
cabelos e sentimentos
ainda é o mesmo…
até a saudade, que grita aqui de dentro
ainda é a mesma…
nada mudou”.

Saudade, essa palavra única e indecifrável, exclusiva e determinante, cheia e envolvente...
Saudade, esse sentimento que, mesmo quando não o queremos, nos invade a alma e nos preenche a existência...
Saudade, esse pulsar de vida e de sangue, essa respiração tantas vezes ofegante, esse sobreviver de cada instante...
Saudade é querer bem, é sentir o melhor, é desejar o maior, é lembrar a vida...
Saudade, do teu nome, da tua história, da tua vida, da tua magia...
Saudade, mesmo quando aqui estás, de tantas e variadas formas, mas saudade...
Saudade, de ti, de tantos nomes, de incontáveis corações, de múltiplas cumplicidades, de indizíveis sonhos e palavras feitas não poucas, história, vida, realidade...
"Ainda é o mesmo"...
Acredita que nada mudou; porque na vida e na alma do coração apenas Deus tem poder, apenas Ele comanda esse pulsar e esse sentir.
E gosto de ter saudades. Mesmo que humanamente se saboreie o "fel amargo", divinamente experiencia-se o "mel" do coração que poucos conseguem entender.
Saudade é força de vida, é sopro de caminho, é esperança de recomeçar, é certeza de viver...
Saudade é espanto que delicia, é sentimento que enobrece, é razão descodificada na linguagem do coração...
Saudade.. é o que sinto. É o que tenho. É vida verdadeira. É "sopro da vida que desarruma cabelos e sentimentos" mas que perpetua o que de melhor nós somos...
Saudade, que poderoso sentir, que fulgurante pulsar, que tremendo viver... que nos faz ir sempre mais além..

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"O que importa é partir..."

"Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revôlta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar".

Descobri este este poema que me parece de uma bela intensidade e de uma clara pertinência. Palavras que assentam em corações inquietos - a fecunda inquietação de quem sabe e quem sente que o mundo e o homem podem ser sempre melhores -, em mentes ousadas e abertas capazes do abraço ao desconhecido e da entrega à novidade que chega e desmonta e desconcertas certezas adquiridas que nunca o são verdadeiramente.
Palavras que soam a "grito" de gesto, a "grito" de vida, a "grito" de "viagem" sem se saber os trilhos a seguir mas apenas o destino traçado desde toda a eternidade: o colo de Deus.
Que suave missão esta a de "reforçar a fé de marinheiro" que nos ensina e sublinha que, de facto, "Em qualquer aventura, o que importa é partir, não é chegar"!
Dia após dia, com essa determinação dos "fortes", dos "crentes", cortando as ondas - sempre tantas - sem  desanimar, busca-se aquela "outra margem" de que nos fala com frequência o Evangelho, sabendo e crendo, sentindo e querendo, essa certeza maior que "o que importa é partir, não é chegar".
Partir, a cada instante, sem medos das ondas ou das vagas mais ou menos vorazes, sem receios de cortar as amarras que nos prendem a cais petrificados, avançando e guiando a "embarcação" da vida e da fé, eis a razão que precisamos para, todos os dias, recomeçar de novo a viagem do que temos e do que somos.
Partir, a cada momento, com a coragem de quem navega em mares desconhecidos mas com a consciência e a sublime convicção de que o timoneiro nunca somos nós mesmos mas Aquele Outro, invisível mas misteriosamente presente e capaz de serenar os lagos e mares por onde a "barca" da vida nos levar...
"Em qualquer aventura, o que importa é partir, não é chegar".
Feliz verdade esquecida demasiadas vezes por estes nossos corações ávidos de protagonismos e de desmesuradas honrarias; feliz verdade escondida nas nossas consciências tantas vezes ocupadas e preocupadas em sobrancerias e superioridades enganosas e redutoras da nossa humanidade mais profunda!
Partir, sempre de novo, com o olhar da alma e do coração fixos n'Aquele horizonte, mais próximo ou mais distante, mas decididos a navegar, dizendo adeus a cada cais, à paz tolhida, podre, comodista, a fim de nos transformarmos, sempre mais, em marinheiros do amor e da verdade, em gente que busca, que procura, sempre mais, o único porto seguro que sossega a embarcação da nossa vida: o Amor que Deus é.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Sempre o que vale mais!"

Escrever continuará sempre a ser uma forma privilegiada de comunicar; mais ainda quando essa escrita, por mais pobre, banal ou simples que seja, falar da experiência do coração. Escrever é também essa oportunidade, sempre renovada, de nos expormos, de nos entregarmos, de nos oferecermos e partilharmos o que somos, sentimos e vivemos...
Também é óbvio que podemos "adulterar", pela escrita" a intenção original, ou seja, poderemos sempre afirmar que fazemos, sentimos ou vivemos algo que não corresponda à verdade da vida! Mas isso será sempre fraude existencial!
E não é isso que se pretende quando se fala na primeira pessoa; pelo menos eu jamais o faria. Quando escrevo faço-o a pensar em mim e em cada um daqueles que, porventura, olharem estas letras e ousarem entender o "pulsar" do coração que me habita...
Escrevo, portanto, para reforçar, em mim e em cada outro, aquilo que vale mais, aquilo que importa deveras, aquilo que acredito ser a única verdade que enche e preenche o viver quotidiano de cada um de nós. Escrevo para sublinhar, na razão, na inteligência, no coração, aquele sentimento avassalador e contagiante que consegue transformar o mundo em cada tempo: o Amor.
Bem sei que esta é uma "palavra" demasiado gasta; é até um "sentimento" ambíguo em demasiadas vidas; é realidade desacreditada em outras tantas... Todavia, eu teimo acreditar que "Amor" não é palavra vã, não se reduz a poesia ou a romance, não se traduz apenas em canções ou "grandes metragens" mais ou menos visionadas por espectadores passivos e alheios a esse mesmo sentimento!
Verdadeiramente, creio que o Amor, essa capacidade de nos fazer brilhar os olhos e a alma de forma única e insubstituível, será sempre o que vale mais na nossa vida. O Amor, essa força gigante e poderosa, é a razão do nosso viver a cada instante. Porque apenas o Amor nos faz ser testemunhas da verdade e da justiça. Porque apenas o Amor nos consegue a capacidade de olhar e pensar nos outros antes de nos olharmos e pensarmos em nós mesmos. Porque apenas o Amor nos conquista uma paz e uma serenidade que jamais outra realidade nos alcança. Porque apenas o Amor, essa vontade firme e decidida de fazer o outro feliz, de o tornar a pessoa mais importante do mundo, nos arrebata bem por dentro e nos dá razões para viver autêntica e profundamente do coração. Porque apenas o Amor nos desafia à aventura permanente de surpreender e espantar o outro a cada instante para o tornar "grande", "único", "indispensável" nas nossas próprias vidas.
Quão triste deverá ser uma vida que não crê na "magia" do Amor!
Quão desperdiçada deve estar e sentir-se uma pessoa que não entende que apenas o Amor nos torna profundamente felizes e nos transforma em pessoas determinadas a deixar o mundo melhor do que o encontrámos!
Diante de todas - e são muitas, são incontáveis - as coisas belas que a vida nos proporciona, o Amor, firme, altruísta, puro, transparente, oferecido, será sempre o que vale mais na nossa vida. Vivido de múltiplas formas, apresentado de diversas maneiras, traduzido em indeterminadas "línguas", será sempre o que vale mais em nós e nos outros...
O sorriso de quem se sabe e sente amado é tão grande e tão intenso como o daquele que ama. E como este nosso tempo precisa desses sorrisos que brotam do fundo da alma e do coração!
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