sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

"Um tesouro"

"Um amigo é um bem,
Um tesouro que se tem,
Sois vós luz das estrelas,
Que nos guiam mais além.
São momentos bons e maus,
Nesta estrada percorrida,
Digo mais, não vos trocava
Por nada desta vida.

Um amigo é um irmão,
Nosso pensar nossa mão.
Meus amigos estais aqui,
Pra vós canto esta canção.
O tempo voa neste instante,
E digo mais, não vos trocava
Por nada desta vida".

Hoje, particularmente, relembro e «canto» com gozo e com alma, com entrega e com o coração esta mesma música. Nem todos entenderão; não importa. Interessa apenas – e sempre isso me interessou – que este espaço seja «voz» do meu sentir, do meu viver, do meu estar e do meu ser…
Entenderá quem ousar a linguagem do coração…
Falo do dom precioso da amizade. Falo da graça imensa de termos no caminho da vida «almas gémeas» que nos ajudam nesta longa estrada que é a nossa vida. Falo da cumplicidade possível de gerar quando a verdade é o alicerce de cada encontro ou de cada palavra. Falo da fraternidade possível, sentida e vivida quando nos basta, por vezes, um olhar, para nos percebermos mutuamente. Falo da comunhão que se experimenta e nos enche bem por dentro quando deixamos a alma escancarar-se e encontrar acolhimento naquela outra que nos escuta e acolhe, simplesmente com o que temos e o que somos…
Hoje «olho» para trás e agradeço esse tesouro da amizade. Que, verdadeiramente, não trocava por nada desta vida. Porque este sentimento, quando experienciado de verdade, é riqueza e é bálsamo, é preciosidade e é bem incapaz de ser suplantado por um outro qualquer por mais nobre que seja.
“São momentos bons e maus nesta estrada percorrida”… são momentos de verdade, de sonho, de beleza, de grandiosidade, de paz, de «combate», de entrega, de doação, de vida, nesta estrada percorrida. São momentos que o tempo jamais apagará, que realidade alguma extinguirá, pois que os traços e as marcas «assinadas» pelo coração são, simplesmente, incorruptíveis. E, por isso, únicas e insubstituíveis. E, por isso, impossíveis de trocar por nada desta vida…
“Um amigo é um irmão”. Onde o coração vale mais que o sangue e onde o sangue se oferece, se for preciso, por causa do que se vive e se sente no coração. Um irmão, um «mano», mais novo ou mais velho, mas numa comunhão e numa «simbiose» tal que se percebe, compreende e aceita, acredita e vive aquela palavra do Evangelho: “Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15, 13).
Hoje, meu amigo, meu irmão, parte do meu coração, porção da minha vida, posso apenas dizer: obrigado. Por seres assim... Simples e totalmente assim: meu amigo…
Obrigado, porque a minha vida tem outros contornos, tem outro «sabor»; porque o meu coração pulsa de outra forma e com outro «ritmo»… porque “ao encontrar-te, eu encontrei Jesus”

sábado, 31 de dezembro de 2011

"Um olhar..."

A chegada de um Ano Novo comporta sempre consigo uma reflexão, um olhar, uma introspecção, mais ou menos consciente, mais ou menos profunda, mais ou menos exigente e comprometedora, acerca do ano que termina...
Traços, histórias, marcas, momentos, acontecimentos, fazem a história de cada um de nós e a de cada outro... fazem, ou melhor, fizeram o acontecer do ano que passou...
Um olhar sobre o passado ajuda sempre a viver o presente e a preparar o futuro que é um advir permanente. E esse meu olhar sobre o ano de 2011 traz, necessariamente, ao pensamento e ao coração um dos momentos mais determinantes na vida de qualquer sacerdote que é a sua mudança de paróquia. Esse foi, de forma incontornável, o "acontecimento" que marcou este ano que daqui a algumas horas terminará...
Na verdade, cruzam-se neste ano que acaba essas duas realidades distintas: Estoril e Carcavelos. A primeira, uma Comunidade que abracei, servi, amei, durante cinco anos. Uma Paróquia com a sua história, os seus projectos, sonhos, gentes, que jamais se apagarão do meu coração. Cinco anos de paixão, de trabalho, de ousadia, de aprendizagem, com todos aqueles que, de verdade, são Igreja, são Povo de Deus, são Reino a edificar-se no quotidiano de tantas e tantas vidas...
Cinco anos de sorrisos e gargalhadas, de lágrimas e incertezas, de sonhos e esperanças, de cumplicidades e momentos, únicos, irrepetíveis, que deixarão, definitivamente, marcas na história que sou e que construo...
A segunda, Carcavelos, Comunidade onde agora tenho de ser testemunha do Evangelho, rosto de Deus ternura e libertação, profeta da vida verdadeira que enche e preenche o coração humano. Porção do Povo de Deus que, nesta "hora" do meu ser e viver, sou chamado a servir e a amar de forma incondicional, abnegada, única, fecunda...
"Gentes", vidas, corações que, por vocação e missão, são agora o pulsar do meu existir, a razão do meu ser, a essência da própria vida. Simplesmente porque não se ama a Deus, não se serve a Igreja se não nos predispusermos a amar e servir aqueles que Ele mesmo nos confia e pede O revelemos verdadeira e apaixonadamente.
Estoril e Carcavelos, duas realidades distintas, diferentes, na sua exterioridade; porém a mesma pois que são feitas de vidas e de corações a quem o amor tem de ser o tesouro maior de cada uma dessas mesmas vidas.
Realidades diferenciadas mas iguais pois que em cada uma fui e sou chamado a ser presença do Bom Pastor, de Jesus Cristo, que me envia a cada instante a ser arauto de uma Boa Nova que atravessa os séculos e "teimosamente" arrebata o coração humano...
Um olhar para este "passo" acontecido neste ano que acaba, que transporta sentimentos por vezes contraditórios, mas que encontram a razão de ser nessa vontade firme e decidida de acreditar na Igreja. Uma Igreja feita de debilidades, de limitações, de pecados, mas a Igreja do Senhor Jesus que é chamada a ser santa, na realidade da minha, das nossas vidas.
Um Ano Novo diante de mim, diante de nós. Um ciclo de mais 366 dias, onde uma única realidade importa fazer acontecer: o amor. "No coração da Igreja, eu serei o amor"! Sim, esse é o caminho a trilhar. No coração da Igreja, sempre intentarei ser o amor. No seio do mundo, hei-de ser o amor. E nesse sonho e esperança, com a Graça que vem do Alto, tornarei, tornaremos, o mundo e a Igreja mais humanos e, por isso mesmo, mais divinos...
Apenas isso desejo para este 2012 que se vislumbra... Apenas essa vontade interior desejo para mim e para quantos fazem comigo o caminho da vida. Ser o amor. O amor de Deus em nós e, por nós, a cada outro... Maravilhosa tarefa, sublime missão, que havemos de continuar a encarnar na história de cada um de nós...
Um olhar sobre 2011 "fala-me" do Estoril, de Carcavelos... Fala-me da Igreja, fala-me do amor, da vida, do Coração... de Deus. E, portanto, daquilo que vale mais...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

"Nada nos separará..."

Uma graça, um dom, um presente do Céu, um abraço de Deus...
É assim que acolho, humildemente, esta experiência vivida durante três dias com cerca de 100 jovens da Paróquia, numa Peregrinação a pé a Fátima terminada (iniciada) ontem...
Passo a passo, perdiam-se medos, dúvidas, "muralhas", "barreiras", indiferenças, a fim de se transfigurarem em alegria, festa, confiança, entrega, amizade, cumplicidade, fé...
Adolescentes e jovens, com adultos que, por amor, se disponibilizaram a servi-los, pudemos viver momentos únicos e definitivamente marcantes para cada um de nós...
Uma verdade ficou, certamente, gravada no mais profundo das nossas almas: "Nada nos separará do amor de Deus"! Verdade que entoámos tantas e tantas vezes para nos vencermos e convencermos cada vez mais; verdade que, progressivamente, foi pautando os nossos passos e nos fez ultrapassar dificuldades, obstáculos para nos irmos predispondo à "novidade" que Deus nos preparava a cada instante...
Deus fala-nos por diversas formas; Deus interpela-nos e distintas maneiras; Deus revela-Se como e quando quer... E cada coração de cada peregrino era, necessariamente, uma presença do Céu no meu próprio coração.
Jamais agradecerei suficientemente o sorriso de cada um dos jovens; nunca conseguirei louvar a alegria que cada um deles me proporcionou... Na verdade, caminhar a pé até Fátima, Altar do Mundo, logo a seguir à celebração do Natal do Senhor, foi bênção divina. O cansaço, transfigura-se em gratidão, em gozo da alma,  em vontade firme de entrega, de doação, de confiança, de abandono...
Neste momento lembro a letra daquela canção: "Eles não sabem nem sonham..."!
Com efeito, ninguém, saberá, ninguém entenderá, ninguém, sonhará a paz e a alegria que experienciámos ao longo destes dias... aquela entrada no Santuário, aquele abraço feito de silêncio e de prece, aquela corrente de vidas, almas e corações, não se explica, não se diz, não se escreve... simplesmente-se, vive-se, agradece-se, louva-se...
Sim, se quisermos, nada nos separará! Nada nem ninguém nos separará do amor de Deus, do serviço à Igreja, do sonho pela verdade e pela justiça, da cumplicidade de corações, da vontade de ressuscitar uma Comunidade com rosto, com história, única... Carcavelos.
Se eu soubesse, se existisse, se pudesse inventar, uma forma de fazer sentir o meu orgulho, a minha gratidão, a cada um dos que ousaram partir, sonhar, criar e recriar... fá-lo-ia imediatamente...
Sim, creio firmemente que "nada nos separará"... Nem mentiras, nem invejas ou ciúmes, nem difamações ou mesquinhez humana, apatias ou maledicências... nada nos separará do amor de Deus, da paixão pela Igreja, da vontade de fazer de Carcavelos um lugar onde Deus Se sinta bem, um espaço onde o Céu sorria, simplesmente... porque somos corações pobres, simples, que desejam ser "águias" e deixam para trás essa vulgaridade de sermos "galinhas"...
Jovens, amigos especiais de Deus, "nada nos separará do amor de Deus"... Ninguém...
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