"Um tesouro"
"Um amigo é um bem,Um tesouro que se tem,
Sois vós luz das estrelas,
Que nos guiam mais além.
São momentos bons e maus,
Nesta estrada percorrida,
Digo mais, não vos trocava
Por nada desta vida.
Um amigo é um irmão,
Nosso pensar nossa mão.
Meus amigos estais aqui,
Pra vós canto esta canção.
O tempo voa neste instante,
E digo mais, não vos trocava
Por nada desta vida".
Hoje, particularmente, relembro e «canto» com gozo e com alma, com entrega e com o coração esta mesma música. Nem todos entenderão; não importa. Interessa apenas – e sempre isso me interessou – que este espaço seja «voz» do meu sentir, do meu viver, do meu estar e do meu ser…
Entenderá quem ousar a linguagem do coração…
Falo do dom precioso da amizade. Falo da graça imensa de termos no caminho da vida «almas gémeas» que nos ajudam nesta longa estrada que é a nossa vida. Falo da cumplicidade possível de gerar quando a verdade é o alicerce de cada encontro ou de cada palavra. Falo da fraternidade possível, sentida e vivida quando nos basta, por vezes, um olhar, para nos percebermos mutuamente. Falo da comunhão que se experimenta e nos enche bem por dentro quando deixamos a alma escancarar-se e encontrar acolhimento naquela outra que nos escuta e acolhe, simplesmente com o que temos e o que somos…
Hoje «olho» para trás e agradeço esse tesouro da amizade. Que, verdadeiramente, não trocava por nada desta vida. Porque este sentimento, quando experienciado de verdade, é riqueza e é bálsamo, é preciosidade e é bem incapaz de ser suplantado por um outro qualquer por mais nobre que seja.
“São momentos bons e maus nesta estrada percorrida”… são momentos de verdade, de sonho, de beleza, de grandiosidade, de paz, de «combate», de entrega, de doação, de vida, nesta estrada percorrida. São momentos que o tempo jamais apagará, que realidade alguma extinguirá, pois que os traços e as marcas «assinadas» pelo coração são, simplesmente, incorruptíveis. E, por isso, únicas e insubstituíveis. E, por isso, impossíveis de trocar por nada desta vida…
“Um amigo é um irmão”. Onde o coração vale mais que o sangue e onde o sangue se oferece, se for preciso, por causa do que se vive e se sente no coração. Um irmão, um «mano», mais novo ou mais velho, mas numa comunhão e numa «simbiose» tal que se percebe, compreende e aceita, acredita e vive aquela palavra do Evangelho: “Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15, 13).
Hoje, meu amigo, meu irmão, parte do meu coração, porção da minha vida, posso apenas dizer: obrigado. Por seres assim... Simples e totalmente assim: meu amigo…
Obrigado, porque a minha vida tem outros contornos, tem outro «sabor»; porque o meu coração pulsa de outra forma e com outro «ritmo»… porque “ao encontrar-te, eu encontrei Jesus”…


