"Geografia do Coração"
"Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado"!
Esta é a grande «notícia» que jamais alguém poderá ou conseguirá «calar»; esta é a Boa-Nova que havemos de proclamar, «gritando» com a vida, a todos os homens e mulheres; esta é a verdade mais fecunda e mais bela diante da qual podemos e devemos transfigurar os corações de cada um de nós...
Deus «rasga» os Céus e vem habitar a fragilidade humana; Deus manifesta-Se poderoso apresentando-Se pobre e frágil; Deus entrega-Se Omnipotente podendo ser olhado na Sua Omni-impotência! Deus revela a Sua glória e majestade no despojamento de uma Gruta, envolto em panos e deitado numa manjedoira!Ó poderoso mistério; ó grandioso sinal daquilo que Deus é: Amor!
E é, precisamente, esse Amor, essa ternura e compaixão, esse abraço e comunhão que Deus faz com cada homem que havemos de aprender a «falar», a «pregar», a anunciar!
Se "a caridade é o olhar do coração", como afirma o Papa, então o coração da Igreja, dos cristãos, de cada Comunidade, não pode pulsar com outros sentimentos, o olhar da Igreja apenas pode ser, precisamente, o da caridade, da fraternidade, da solidariedade, com quantos ainda não conseguem «saborear» a paz e a beleza do que significa o Nascimento do Filho de Deus!
Porque "o natal não pertence à geografia do espaço mas à geografia do coração", então urge rasgar «fronteiras» dentro deste santuário que transportamos em nós mesmos: o nosso coração capaz de amar, capaz de partilhar, capaz de ser «tenda» d'Esse Emanuel que vem connosco morar...
Rezamos hoje nas Eucaristias: «Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus..."!
Porém, sabemos todos que esta afirmação não é verdade plena!
Na terra que habitamos, na Igreja que somos, há ainda demasiados corações, imensas e incontáveis vidas que não podem nem conseguem ver e experienciar a salvação, a paz e a ternura do nosso Deus! Somos ainda demasiado opacos para deixar passar a Luz que Esse Menino irradia! A frieza dos corações ainda ofusca o «calor» do Coração do Menino!
E o Natal mais não é senão esse desafio a sermos «espelhos» de um Amor que atravessa e rasga as nuvens para se encontrar com o coração de cada homem e de cada tempo. O Natal é essa preciosa oportunidade de refazermos a nossa história e a reescrevermos com a linguagem perceptível da caridade e dos afectos, da justiça e da verdadeira humanidade.
Deitado numa manjedoira, envolto em panos, eis Deus oferecido aos nossos braços, aos nossos colos para que O acolhamos na dor e nas lágrimas de cada outro. Porque jamais haverá Natal, jamais o celebraremos com dignidade e com verdade se desviarmos o olhar daquele a quem havemos de fazer nosso próximo!
Natal: mistério de Amor, gesto de Vida verdadeira, abraço divino que as nossas vidas concretas podem e devem dizer a cada outro...
A todos e a cada um o desejo de Santo Natal..., isto é, o desejo de que estas festividades não se confinem à geografia de um qualquer espaço mas antes à geografia do coração...

