quarta-feira, 30 de novembro de 2011

"Chova-nos o Justo..."

"Ó nuvens, chovei do alto,
E apareça a salvação
Que Deus nos traz escondida
Em humano coração.

Abra-se a terra e germine
Em fecunda virgindade,
O Salvador prometido
Para toda a humanidade.

Deus está perto de nós
E já se sente pulsar
O coração do Senhor
Que vem connosco morar.

Glória seja dada ao Pai
E ao Filho que Ele nos deu
E ao Espírito fecundo
Que sobre a Virgem desceu".

Continuamos neste tempo maravilhoso do Advento; avançamos nesta estrada solene que nos há-de levar ao encontro com o Menino que é Deus...
Importa, conscientemente, desejar preparar o coração, purificá-lo, transformá-lo, a fim de que O Salvador nele escontre espaço para nascer... e permanecer!
Importa rezar mais; celebrar mais e melhor a Eucaristia; abrirmo-nos à partilha e à generosidade para com os mais pobres e carenciados, renunciando, seja ao supérfluo seja ao que consideramos essencial, pois que para esses, o nosso acessório torna-se fundamental, o nosso essencial é para eles decisivo...
De olhos abertos, de coração escancarado, rumamos em direcção a Belém. Há que ter cuidado com as luzes, os holofotes, que nos podem ofuscar; há que ter em atenção os barulhos, os stresses, as correrias, que podem conseguir que nos afastemos da estrada principal... Belém, aquela Gruta sagrada, aquela paz duradoira, aquele despojamento enriquecedor, aquele Amor grandioso e gratuito, são o nosso destino comum.
Não deixemos que nada, nem ninguém, «perturbem» esta decisão interior de viver Advento, de preparar, com autenticidade, Natal!
Para que o mundo creia; para que a Igreja se santifique; para que cada um de nós seja luz refulgente nas escuridões deste nosso tempo...
Imploremos sem desfalecer: «Ó nuvens chovei do alto... e apareça a Salvação»...

domingo, 27 de novembro de 2011

"A Caminho"
"Vinde, vinde, ó desejado
nascer em meu coração;
tomais dele inteira posse,
tende-o na Vossa mão".

É o tempo solene e sagrado do Advento.
É este tempo favorável, em que (re)começa uma história de amor inaudita e irrepetível entre Ele e mim próprio. É esta renovada oportunidade de me fazer tenda, fazer morada, fazer casa, onde Ele nasce, Ele vem, Ele permanece...
É o tempo do desejo profundo e sincero de Deus; tempo da vontade forte e derradeira para que o Salvador escolha cada um dos nossos corações para neles habitar, os ter nas Suas mãos...
Abre-se a terra, de novo, e germina o Redentor; as nuvens chovem do alto e ressurgirá, glorioso na simplicidade, rico na pobreza, magnificente no despojamento, omnipotente na omni-impotência, poderoso na fraqueza, Aquele que mudou, muda e mudará definitivamente a História. A minha. A tua. Se quisermos e deixarmos...
Atentos, vigilantes, ousados e audazes, decididos a rumar até ao Presépio, eis o nosso destino.
Sem medos das luzes fortes dos holofotes do mundo, sem receios das «estrelas» enganosas que intentam seduzir o coração, sem vergonha de escolhermos a simplicidade e a verdade como companheiros de «viagem», partamos, desde este primeiro dia de Advento, com a vontade daquele Encontro...
Sim, é de um Encontro que se trata. Nada mais do que um Encontro. Mas nada menos do que esse Encontro... com Deus. Com a Vida. Com a Paz. Com a Eternidade. Envolta em panos e prostrada numa manjedoura! Paradoxo indescritível! Bênção indizível. Abraço definitivo...
A caminho...
A caminho, homens de boa vontade, porque um Deus feito Criança está à nossa espera...
A caminho, porque o mundo precisa que lhe digamos que um Menino nasce para nós, um Filho nos é dado...
A caminho... até Deus.

domingo, 20 de novembro de 2011

"Seremos julgados pelo amor"

"Seremos julgados pelo amor"!
Uma expressão que nos deveria dar que pensar, ou mais ainda, dar que viver uma vida outra, bem transfigurada daquela que temos levado até aqui...
Urge sempre conversão, tanto mais quando escutamos que Jesus Cristo Se faz irmão, Se faz presente na vida de cada outro, muito em particular daquele que está mais fraco, mais débil, mais abandonado... Urge sempre renovação interior e exterior quando acreditamos que só o amor pode salvar o mundo, só o amor consegue vencer barreiras, egoísmos, elitismos, fomes, sedes, lágrimas, solidões!
Porque somos Igreja, porque trazemos em vasos de barro o dom da fé, a presença de Cristo, a possibilidade de sermos sal e luz, fermento e vida nova, não podemos ostracizar o tesouro do amor que nos habita e fingirmos que nada se passa à nossa volta, que ninguém precisa de nós, do que somos e do que temos! Isso é ignorar a fé, é menosprezar a graça de sermos templos do Espírito Santo, é banalizar a eleição divina que Deus já fez de cada um de nós!
"Tive fome... tive sede... estava nu... estive doente... estive na prisão..."!
Tem fome, tem sede, permanece nu, doente, preso... bem ao nosso lado! Situações «gritantes» que não podemos esquecer, diante das quais não podemos desviar o olhar, se queremos um dia escutar as palavras do Rei do Universo: "Vinde benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino, preparado para vós desde o princípio do mundo...".
O mundo, os homens que se cruzam connosco, aqueles que mais sofrem, têm de encontrar na Igreja uma casa, um porto, um abrigo, uma família, e não, e nunca, e jamais, um grupo de gente estranha indiferente às suas lágrimas, aos seus desesperos, aos seus medos!...
Abramos os olhos, simplesmente... não conseguimos ver a fome, a sede, a nudez, a solidão, o abandono de Deus? Porque nos custará tanto reconhecê-l'O nos sem abrigo, nos toxicodependentes, nos rejeitados da sociedade, nos esquecidos da vida?! Porque nos assusta assim tanto os «odores», os trajes, os rostos, as aparências, de uns quantos que se cruzam connosco?! Porque hesitamos no aperto de mão, no abraço, na ternura, na companhia, numa simples conversa?!
"Tudo quando fizestes - e deixastes de fazer - a um destes Meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim mesmo que o fizestes"! Palavras de ordem para quem se afirma cristão...
O mundo podia ser tão diferente! Bastava e querer... Bastava eu acreditar no amor... Bastava saber que no fim, no fim do meu peregrinar, serei julgado pelo amor...
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