domingo, 20 de novembro de 2011

"Seremos julgados pelo amor"

"Seremos julgados pelo amor"!
Uma expressão que nos deveria dar que pensar, ou mais ainda, dar que viver uma vida outra, bem transfigurada daquela que temos levado até aqui...
Urge sempre conversão, tanto mais quando escutamos que Jesus Cristo Se faz irmão, Se faz presente na vida de cada outro, muito em particular daquele que está mais fraco, mais débil, mais abandonado... Urge sempre renovação interior e exterior quando acreditamos que só o amor pode salvar o mundo, só o amor consegue vencer barreiras, egoísmos, elitismos, fomes, sedes, lágrimas, solidões!
Porque somos Igreja, porque trazemos em vasos de barro o dom da fé, a presença de Cristo, a possibilidade de sermos sal e luz, fermento e vida nova, não podemos ostracizar o tesouro do amor que nos habita e fingirmos que nada se passa à nossa volta, que ninguém precisa de nós, do que somos e do que temos! Isso é ignorar a fé, é menosprezar a graça de sermos templos do Espírito Santo, é banalizar a eleição divina que Deus já fez de cada um de nós!
"Tive fome... tive sede... estava nu... estive doente... estive na prisão..."!
Tem fome, tem sede, permanece nu, doente, preso... bem ao nosso lado! Situações «gritantes» que não podemos esquecer, diante das quais não podemos desviar o olhar, se queremos um dia escutar as palavras do Rei do Universo: "Vinde benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino, preparado para vós desde o princípio do mundo...".
O mundo, os homens que se cruzam connosco, aqueles que mais sofrem, têm de encontrar na Igreja uma casa, um porto, um abrigo, uma família, e não, e nunca, e jamais, um grupo de gente estranha indiferente às suas lágrimas, aos seus desesperos, aos seus medos!...
Abramos os olhos, simplesmente... não conseguimos ver a fome, a sede, a nudez, a solidão, o abandono de Deus? Porque nos custará tanto reconhecê-l'O nos sem abrigo, nos toxicodependentes, nos rejeitados da sociedade, nos esquecidos da vida?! Porque nos assusta assim tanto os «odores», os trajes, os rostos, as aparências, de uns quantos que se cruzam connosco?! Porque hesitamos no aperto de mão, no abraço, na ternura, na companhia, numa simples conversa?!
"Tudo quando fizestes - e deixastes de fazer - a um destes Meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim mesmo que o fizestes"! Palavras de ordem para quem se afirma cristão...
O mundo podia ser tão diferente! Bastava e querer... Bastava eu acreditar no amor... Bastava saber que no fim, no fim do meu peregrinar, serei julgado pelo amor...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Amar/atacar a Igreja"

"Só o amor pode salvar o mundo", foram palavras que não esqueci; palavras do início do Pontificado de Bento XVI; palavras que nos relembram algo de essenacial e que nós, teimosamente, tentamos menosprezar quando não mesmo esquecer!
Palavras que até gosto de as envolver numa outra expressão: «só o amor pode salvar a Igreja»! Essa é, de facto, uma das minhas maiores convicções nesta «hora» da nossa história, neste momento do nosso peregrinar enquanto Igreja de Cristo.
Hoje mesmo recebi uma carta, de alguém que desconheço, em que afirmava categoricamente que era um revoltado contra a Igreja, precisamente porque aquilo que experienciava era o «desamor» no seio da própria Igreja! Queixava-se, e bem, dos erros, dos desvios, das maldades e maquinações, das superficialidades, da mundaneidade que impera na Igreja, ao invés da verdade e da transparência, da humildade e da simplicidade, do serviço e do despojamento, etc., etc.
Aliás, há uns tempos atrás o próprio Papa Bento XVI clamava eloquente e veementemente que havia mais mundo na Igreja que espiritualidade! Acaba por ser um cruzar de opiniões, um entendimento naquilo que é essencial...
A diferença reside, todavia, em algo de essencial também, isto é, para transfigurar a Igreja, para a converter, para a edificar mais e mais ao jeito de Jesus Cristo, é estando e sendo Igreja que o podemos e conseguimos fazer!
Fora dela, com um olhar meramente crítico exteriorizado, como se da Igreja eu não fizesse parte, como se a essa família eu não pertencesse, apenas conseguiremos alcançar maior revolta, dúvidas mais sublinhadas e acrescidas, desentendimentos mais acentuados, afastamento progressivo e perigoso!
É verdade que havemos de eliminar o mais possível os defeitos - e são tantos - da Igreja; mas não é menos verdade que apenas o conseguimos eliminando os nossos próprios defeitos e, no coração, no seio da Igreja, da Comunidade a que pertencemos, lutarmos por ser testemunhas do Evangelho de Cristo, num combate, duro muitas vezes, contra esses evangelhos de letra pequena, construídos para tranquilizar pagãos baptizados que se dizem muito cristãos e muito devotos!
Apenas o amor pode salvar a Igreja. E essa verdade não podemos olvidar jamais. Somente encarnando em nós o amor, isto é, Jesus Cristo, poderemos oferecer ao mundo contemporâneo um rosto credível da fé e da Igreja.
Aliás, o mundo não nos pede ou exige mais nada!
O mundo, os homens e mulheres deste tempo, pedem à Igreja que lhes mostremos como é e Quem é Jesus Cristo. E a nossa única resposta possível e credível é o amor. Amor traduzido em obras, em gestos, em palavras, em disponibilidade, em justiça, em partilha, em solidariedade, em santidade, numa palavra.
Há um trabalho imenso a fazer; há uma tarefa demasiado dura e agreste a desempenhar. Mas apenas sendo Igreja consciente, sabendo-nos membros de um Corpo, poderemos levar a bom porto essa mesma missão de salvar a Igreja das suas múltiplas mundanidades e desvios à mensagem, ao projecto, ao Reino de Deus realizado em Jesus de Nazaré.
Ficando de fora, «atirando pedras» à Igreja como se a ela não pertencessemos, conseguiremos somente radicalismos, endeusamento de posições, enclausuramento de opiniões e atitudes...
Estando dentro, teremos a possibilidade de mudar. Mudar nós mesmos os nossos defeitos e pecados. E dessa conversão pessoal poderemos chegar à conversão do outro.
É que mesmo nas críticas à Igreja, que bem as merece pois que não pode nem deve afastar-se de Cristo, só com amor se consegue a conversão desejada ou pretendida. Se é o desamor a comandar a nossa atitude frente à Igreja, pois seremos iguais, quiçá, piores, na medida em que nada na Igreja, enquanto Igreja, enquanto baptizados, fazemos segundo o mandamento novo do amor...

domingo, 13 de novembro de 2011

"Chamados e enviados..."

Em dia de Domingo somos convocados à missão, ao apostolado, à urgência da evangelização, com estes muitos ou poucos talentos que Deus nos ofereceu. Diante de nós esta possibilidade de sermos chamados de servos bons e fiéis ou servos maus e preguiçosos!
Na verdade, num mistério imenso e indizível de amor, Jesus quis permanecer «dependente» da Sua Igreja, isto é, de cada um de nós! Somos as Suas mãos e os Seus pés; somos a Sua boca e o Seu coração; numa palavra, somos a Sua Vida. E essa é uma fantástica e comprometedora missão. Ao mesmo tempo que imensamente responsável. Porque Deus está «preso» à nossa disponibilidade, está «amarrado» aos nossos «sins» ou aos nossos «nãos». Porque Deus não avança, não abraça, não escuta, não ama, se a Sua Igreja - cada um de nós - se decidir a esconder os talentos que possui, se optarmos por permanecer em sonos e anestesias que «hipotecam» o Reino de Deus e a entrada nele de tantos e tantos que cruzam as suas vidas connosco.
E quem de nós não possui dons e talentos para os colocar a render?! Quem de nós não tem um coração capaz de se abrir e de se entregar à mais espantosa das aventuras que é, simplesmente, amar. Amar ao jeito de Jesus. Entregar-se ao jeito de Jesus...
E, por mais que nos entreguemos, que partilhemos, que sejamos generosos, que amemos, jamais poderemos afirmar que terminámos o trabalho de doação e de evangelização. Não há «idade de reforma» para esta aventura divina de sermos a vida, a voz, a vez, de Deus neste nosso tempo!
Há que escolher conscientemente se queremos ser estes servos bons e fiéis, que se entregam desmesuradamente ou aqueles outros, preguiçosos e apáticos, adormecidos e indiferentes à construção da «civilizaação do amor».
O que não fizermos, aquilo que não amarmos, será trabalho que permanecerá por fazer! Será sinal de que alguém ficou privado de Deus, do Seu Rosto, da paz do Seu Coração. Simplesmente porque nos demitimos da nossa missão, da nossa vocação de baptizados, da nossa tarefa eclesial.
Em dia de Domingo, como se fosse a primeira vez, ouve-se o apelo do Mestre: vinde coMigo e farei de vós pescadores de homens!
É tempo de lançar as redes para a «pesca»; o mundo, Deus, precisam imensamente de nós. Cinco talentos, ou dois ou apenas um, são «matéria» a pôr a render para que muitos outros façam a experiência admirável do encontro e da permanência em Deus e no Seu Reino...
Porque hesitamos?
Porque não arriscamos?
Este é o tempo; este é o nosso tempo...
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