"Seremos julgados pelo amor"
"Seremos julgados pelo amor"!
Uma expressão que nos deveria dar que pensar, ou mais ainda, dar que viver uma vida outra, bem transfigurada daquela que temos levado até aqui...
Urge sempre conversão, tanto mais quando escutamos que Jesus Cristo Se faz irmão, Se faz presente na vida de cada outro, muito em particular daquele que está mais fraco, mais débil, mais abandonado... Urge sempre renovação interior e exterior quando acreditamos que só o amor pode salvar o mundo, só o amor consegue vencer barreiras, egoísmos, elitismos, fomes, sedes, lágrimas, solidões!Porque somos Igreja, porque trazemos em vasos de barro o dom da fé, a presença de Cristo, a possibilidade de sermos sal e luz, fermento e vida nova, não podemos ostracizar o tesouro do amor que nos habita e fingirmos que nada se passa à nossa volta, que ninguém precisa de nós, do que somos e do que temos! Isso é ignorar a fé, é menosprezar a graça de sermos templos do Espírito Santo, é banalizar a eleição divina que Deus já fez de cada um de nós!
"Tive fome... tive sede... estava nu... estive doente... estive na prisão..."!
Tem fome, tem sede, permanece nu, doente, preso... bem ao nosso lado! Situações «gritantes» que não podemos esquecer, diante das quais não podemos desviar o olhar, se queremos um dia escutar as palavras do Rei do Universo: "Vinde benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino, preparado para vós desde o princípio do mundo...".
O mundo, os homens que se cruzam connosco, aqueles que mais sofrem, têm de encontrar na Igreja uma casa, um porto, um abrigo, uma família, e não, e nunca, e jamais, um grupo de gente estranha indiferente às suas lágrimas, aos seus desesperos, aos seus medos!...
Abramos os olhos, simplesmente... não conseguimos ver a fome, a sede, a nudez, a solidão, o abandono de Deus? Porque nos custará tanto reconhecê-l'O nos sem abrigo, nos toxicodependentes, nos rejeitados da sociedade, nos esquecidos da vida?! Porque nos assusta assim tanto os «odores», os trajes, os rostos, as aparências, de uns quantos que se cruzam connosco?! Porque hesitamos no aperto de mão, no abraço, na ternura, na companhia, numa simples conversa?!
"Tudo quando fizestes - e deixastes de fazer - a um destes Meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim mesmo que o fizestes"! Palavras de ordem para quem se afirma cristão...
O mundo podia ser tão diferente! Bastava e querer... Bastava eu acreditar no amor... Bastava saber que no fim, no fim do meu peregrinar, serei julgado pelo amor...

