quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Amar/atacar a Igreja"

"Só o amor pode salvar o mundo", foram palavras que não esqueci; palavras do início do Pontificado de Bento XVI; palavras que nos relembram algo de essenacial e que nós, teimosamente, tentamos menosprezar quando não mesmo esquecer!
Palavras que até gosto de as envolver numa outra expressão: «só o amor pode salvar a Igreja»! Essa é, de facto, uma das minhas maiores convicções nesta «hora» da nossa história, neste momento do nosso peregrinar enquanto Igreja de Cristo.
Hoje mesmo recebi uma carta, de alguém que desconheço, em que afirmava categoricamente que era um revoltado contra a Igreja, precisamente porque aquilo que experienciava era o «desamor» no seio da própria Igreja! Queixava-se, e bem, dos erros, dos desvios, das maldades e maquinações, das superficialidades, da mundaneidade que impera na Igreja, ao invés da verdade e da transparência, da humildade e da simplicidade, do serviço e do despojamento, etc., etc.
Aliás, há uns tempos atrás o próprio Papa Bento XVI clamava eloquente e veementemente que havia mais mundo na Igreja que espiritualidade! Acaba por ser um cruzar de opiniões, um entendimento naquilo que é essencial...
A diferença reside, todavia, em algo de essencial também, isto é, para transfigurar a Igreja, para a converter, para a edificar mais e mais ao jeito de Jesus Cristo, é estando e sendo Igreja que o podemos e conseguimos fazer!
Fora dela, com um olhar meramente crítico exteriorizado, como se da Igreja eu não fizesse parte, como se a essa família eu não pertencesse, apenas conseguiremos alcançar maior revolta, dúvidas mais sublinhadas e acrescidas, desentendimentos mais acentuados, afastamento progressivo e perigoso!
É verdade que havemos de eliminar o mais possível os defeitos - e são tantos - da Igreja; mas não é menos verdade que apenas o conseguimos eliminando os nossos próprios defeitos e, no coração, no seio da Igreja, da Comunidade a que pertencemos, lutarmos por ser testemunhas do Evangelho de Cristo, num combate, duro muitas vezes, contra esses evangelhos de letra pequena, construídos para tranquilizar pagãos baptizados que se dizem muito cristãos e muito devotos!
Apenas o amor pode salvar a Igreja. E essa verdade não podemos olvidar jamais. Somente encarnando em nós o amor, isto é, Jesus Cristo, poderemos oferecer ao mundo contemporâneo um rosto credível da fé e da Igreja.
Aliás, o mundo não nos pede ou exige mais nada!
O mundo, os homens e mulheres deste tempo, pedem à Igreja que lhes mostremos como é e Quem é Jesus Cristo. E a nossa única resposta possível e credível é o amor. Amor traduzido em obras, em gestos, em palavras, em disponibilidade, em justiça, em partilha, em solidariedade, em santidade, numa palavra.
Há um trabalho imenso a fazer; há uma tarefa demasiado dura e agreste a desempenhar. Mas apenas sendo Igreja consciente, sabendo-nos membros de um Corpo, poderemos levar a bom porto essa mesma missão de salvar a Igreja das suas múltiplas mundanidades e desvios à mensagem, ao projecto, ao Reino de Deus realizado em Jesus de Nazaré.
Ficando de fora, «atirando pedras» à Igreja como se a ela não pertencessemos, conseguiremos somente radicalismos, endeusamento de posições, enclausuramento de opiniões e atitudes...
Estando dentro, teremos a possibilidade de mudar. Mudar nós mesmos os nossos defeitos e pecados. E dessa conversão pessoal poderemos chegar à conversão do outro.
É que mesmo nas críticas à Igreja, que bem as merece pois que não pode nem deve afastar-se de Cristo, só com amor se consegue a conversão desejada ou pretendida. Se é o desamor a comandar a nossa atitude frente à Igreja, pois seremos iguais, quiçá, piores, na medida em que nada na Igreja, enquanto Igreja, enquanto baptizados, fazemos segundo o mandamento novo do amor...

domingo, 13 de novembro de 2011

"Chamados e enviados..."

Em dia de Domingo somos convocados à missão, ao apostolado, à urgência da evangelização, com estes muitos ou poucos talentos que Deus nos ofereceu. Diante de nós esta possibilidade de sermos chamados de servos bons e fiéis ou servos maus e preguiçosos!
Na verdade, num mistério imenso e indizível de amor, Jesus quis permanecer «dependente» da Sua Igreja, isto é, de cada um de nós! Somos as Suas mãos e os Seus pés; somos a Sua boca e o Seu coração; numa palavra, somos a Sua Vida. E essa é uma fantástica e comprometedora missão. Ao mesmo tempo que imensamente responsável. Porque Deus está «preso» à nossa disponibilidade, está «amarrado» aos nossos «sins» ou aos nossos «nãos». Porque Deus não avança, não abraça, não escuta, não ama, se a Sua Igreja - cada um de nós - se decidir a esconder os talentos que possui, se optarmos por permanecer em sonos e anestesias que «hipotecam» o Reino de Deus e a entrada nele de tantos e tantos que cruzam as suas vidas connosco.
E quem de nós não possui dons e talentos para os colocar a render?! Quem de nós não tem um coração capaz de se abrir e de se entregar à mais espantosa das aventuras que é, simplesmente, amar. Amar ao jeito de Jesus. Entregar-se ao jeito de Jesus...
E, por mais que nos entreguemos, que partilhemos, que sejamos generosos, que amemos, jamais poderemos afirmar que terminámos o trabalho de doação e de evangelização. Não há «idade de reforma» para esta aventura divina de sermos a vida, a voz, a vez, de Deus neste nosso tempo!
Há que escolher conscientemente se queremos ser estes servos bons e fiéis, que se entregam desmesuradamente ou aqueles outros, preguiçosos e apáticos, adormecidos e indiferentes à construção da «civilizaação do amor».
O que não fizermos, aquilo que não amarmos, será trabalho que permanecerá por fazer! Será sinal de que alguém ficou privado de Deus, do Seu Rosto, da paz do Seu Coração. Simplesmente porque nos demitimos da nossa missão, da nossa vocação de baptizados, da nossa tarefa eclesial.
Em dia de Domingo, como se fosse a primeira vez, ouve-se o apelo do Mestre: vinde coMigo e farei de vós pescadores de homens!
É tempo de lançar as redes para a «pesca»; o mundo, Deus, precisam imensamente de nós. Cinco talentos, ou dois ou apenas um, são «matéria» a pôr a render para que muitos outros façam a experiência admirável do encontro e da permanência em Deus e no Seu Reino...
Porque hesitamos?
Porque não arriscamos?
Este é o tempo; este é o nosso tempo...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Nada é impossível..."

"Por qué tengo miedo, si nada es imposible para Ti?
Por qué tengo miedo, si nada es imposible para
Ti?
Por qué tengo tristeza, si nada es imposible para Ti?
Por qué tengo tristeza, si nada es imposible para Ti

Nada es imposible para Ti
Nada es imposible para Ti

Nada es imposible para Ti
Nada es imposible para Ti


Por qué tengo dudas, si nada es imposible para Ti?
Por qué tengo dudas, si nada es imposible para Ti?


Enséñame a amar, porque nada es imposible para Ti
Enséñame a amar, porque nada es imposible para Ti
Enséñame a perdonar, porque nada es imposible para Ti
Enséñame a perdonar, porque nada es imposible para Ti
Nada es imposible para Ti
Nada es imposible para Ti

Nada es imposible para Ti
Nada es imposible para Ti

Tú te hiciste hombre, porque nada es imposible para Ti
Tú venciste a la muerte, porque nada es imposible para Ti
Tú estás entre nosotros, porque nada es imposible para Ti
Nada es imposible para Ti
Por qué tengo miedo, si nada es imposible para Ti?
Nada es imposible para Ti
Nada es imposible para Ti
 
Nada es imposible para Ti
Nada es imposible para Ti"

Quem escuta esta Irmã a cantar esta música não fica, de todo, indiferente! Quem ousar abrir os olhos da alma diante desta harmonia, desta «sinfonia» divina, percebe e crê que em Deus e com Deus, toda a vida se transforma, ganhando outros rumos e horizontes, acolhendo força e entrega, entusiasmo e confiança...
De verdade, nada é impossível para Ele. Deus, o Omnipotente revelado e entregue na omni-impotência de Jesus Cristo Crucificado é a raiz de todas as possibilidades quando a fé fraqueja, a dúvida nos invade, a apatia nos vence, a indiferença nos seduz e o desânimo nos asfixia!
Porquê ter medo?
Porquê duvidar?
Porquê hesitar?
Porquê essa teimosia em não nos entregarmos?
Porquê essas defesas que nos impedem de ir mais longe e mais alto?
Porquê permanecer presos a passados que jamais regressarão?
Nada é impossível para Deus. Nada. Absolutamente nada!
Basta confiar. Acreditar que o tempo de Deus nunca será o nosso. Entender que a paciência é a ciência, a arte de ter paz, a paz que é dom do Alto e que é essa que devemos pedir, «mendigar» cada momento do nosso viver.
E rezar. Sem desfalecer. Sem duvidar. Sem medos ou vergonhas. Rezar muito: Ensina-me a perdoar; ensina-me a servir; ensina-me a entregar; ensina-me a amar... Sempre. Sobretudo quando custa e dói, particularmente quando as coisas parecem não fazer sentido, quando a aventura do Reino de Deus se nos afigura demasiado distante!...
Rezar!
Porque nada é impossível para Deus!
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