"Não insubstituíveis mas fundamentais..."
"Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo" afirmou categoricamente Jesus aos Seus discípulos e, portanto, a cada um de nós. Reconheço nestas palavras do Mestre a nossa sublime vocação, o espantoso chamamento que nos é dirigido, a fim de deixarmos este mundo diferente daquilo que o encontrámos. Ser «sal» é prontificarmo-nos a viver de tal forma que possamos dar renovado «sabor» a esta sociedade, a este tempo, que se caracteriza por uma insalubridade medonha, um insosso que assusta e atemoriza até!Sobre cada um de nós «recai» essa missão e tarefa apaixonantes de sermos esse «sal» e essa «luz» que conseguem, pela graça do Espírito de Deus, transfigurar o sentido da História. Ela avançará, ou não, mediante a nossa presença e compromisso fecundos nos diversos ambientes, estruturas, que nos são dadas viver!É verdade que não somos insubstituíveis; mas não é menos verdade que somos fundamentais e decisivos para orientar este tempo para aquilo que chamamos Reino de Deus.
Se a nossa entrega e a nossa fé tiverem os traços da verdade e da confiança, se a nossa pertença à Igreja, às Comunidades, sentirem os efeitos da nossa adesão comprometida, fecunda, generosa e abnegada, necessariamente o nosso tempo «respirará» outro «ar»; a nossa sociedade e a nossa Igreja poderão sentir o «odor» de um «perfume» outro, que não se dilui com o vento por mais forte que ele possa ser.
"Sem Mim nada podereis fazer; coMigo, fareis coisas maiores do que Eu" é promessa de Jesus Cristo. Na verdade, quando deixamos que Deus nos impregne, quando aceitamos valorizar mais a Sua palavra que a dos homens, quando acreditamos na Sua presença misteriosa mais que naquela visível e falível do e de quem vemos, a vida ganha outros contornos, a esperança é verdade a acontecer, o sonho é realidade que nos envolve eapaixona...
Quando, ao contrário, deixamos que a apatia e a inércia, a falta de compromisso e o comodismo se apoderem dos nossos corações, transformamo-nos em «velhos do Restelo» para que nada está bem, para quem em nada já crê, para quem desconfia da beleza da vida e do mundo que nos envolve.
Ser «sal» e ser «luz» implicará desassossego, é certo; trará inquietações, atrairá sobre nós provocações que, esponjados nos nossos sofás não trariam! Mas, ao mesmo tempo, a História e a Igreja ficariam privadas dos talentos e dos dons que o Céu nos concedeu! E, por consequência, tudo será mais triste, mais pobre, mais desanimador, mais negativo!
É importante, é urgente, revalorizar a nossa missão apostólica a fim de que outros se sintam e saibam envolvidos nessa aventura inenarrável de transformar a realidade com os critérios d'Aquele Galileu que passou a marcar e a contar a História de forma distinta.
Somos únicos. Somos especiais. Somos precisos. Deus quer as nossas mãos e os nossos pés; quer a nossa boca e o nosso coração. Sem nós, Deus ficará mais pobre. E a tarefa da construção do mundo permanecerá inacabada...

