"Semente a lançar..."
Entregue a uma nova porção da «vinha do Senhor».
Enviado para ser presença do «Dono da vinha» e, com outros braços, decidir-me à edificação dessa «vinha» de Deus.
Um terreno, demasiadas vezes devastado - como nos dizia ontem o profeta - que em vez de uvas e fruto bom apenas produz agraços; uma terra sonhada para ser sagrada, mas que demasiadas vezes se deixa profanar!
Porção do Povo de Deus, cada Comunidade, que apenas deveria ser «regada» com o Sangue Precioso do Redentor, feito vida nas nossas vidas mas que, não raras vezes, é apenas aspergida com a «água» das nossas misérias, dos nossos endeusamentos, auto-suficiências, pecados!Desafiado a semear de novo a semente do Reino, sabendo clara e categoricamente que há-de cair em diversos «terrenos»; chamado a lançar as redes, estando consciente que muitos são aqueles que se negarão a entrar nas redes que poderiam conduzir ao colo do Pai.
Compete-me semear! Simplesmente! Jamais ver os efeitos dessa sementeira, os frutos de qualquer esforço, entrega ou dedicação.
Chamado a nem sequer julgar - valorizar ou menosprezar - o terreno onde devo lançar a semente do amor de Deus; apenas e somente não me poupar a esforços para que esse amor seja anunciado, dilatado, proposto, «gritado»...
«Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade», não podem ser palavras vãs ou ocas que profiro no silêncio da igreja ou do cimo do ambão! Terão de ser vida na minha vida, encarnação no meu ministério, «programa» existencial para onde o Mestre me envia.
E, agora aqui, no coração destas gentes, intentarei, como sei e como posso, a propósito e a despropósito, falar da Paixão de Jesus e da paixão que tenho por Jesus. No meio das dificuldades, dos agraços da vinha, das pedras do caminho, das barreiras que se erguem, importa - só isso me pode importar - falar, anunciar, melhor, viver, Jesus.
E oxalá eu consiga um dia «escrever» com o meu viver como o Apóstolo: "Para mim, viver é Cristo"!
Confio-me, Carcavelos, à tua oração; entrego-me aos teus cuidados, para que possa, de verdade, cuidar de ti.
Juntos, na órbita única de Deus, a do amor, atrairemos muitos outros para o Reino, tantos daqueles muitos que aqui peregrinam na vida e para quem o Evangelho, a fé e Cristo Jesus são algo absolutamente indiferente, desprezível, insignificante!
Na unidade, na comunhão, na verdade, da nossa pertença à Igreja, a esta Comunidade, porção da «vinha do Senhor» hão-de dizer de nós: "Vêde como eles se amam"!
Lancemos a semente... a do Reino de Deus e jamais, e nunca, a nossa!

