"T.P. - Terço no Parque"
Não posso afirmar que tenha sido um Terço «fácil» aquele da passada quarta-feira. no Paredão do Estoril, rezado juntamente com alguns jovens da Paróquia; sabíamos todos, bem cá dentro, que seria o último rezado ali, com intenções pelo Estoril, as suas gentes, as suas preocupações, sonhos, dificuldades, ambições...
Sinceramente, não sei se se «soltaram» mais «Avé-Marias» do que lágrimas! Afinal, foram tantas, tantas as vezes que tantos de nós ali os congregámos em oração, em prece confiante, nessa construção da Igreja, da Comunidade que enchia e preenchia as nossas vidas...Olhar e escutar aquele mar, sentir bem por dentro a inquietude das ondas, e impossível de não o fazer, aquela viagem pelo tempo, passando pela consciência e pelo coração tantos e tantos rostos, tantas e tantas histórias...
Talvez tenha até sido mesmo dos Terços mais difíceis de rezar; um Terço sofrido, confiante, mas sangrado, entregue, mas angustiado! Sabia bem que a «história» iria mudar, que aquele espaço deixaria de ser quotidiano em mim e em quem me acompanhava!...
«T.P.» assim lhe chamávamos e era conhecido; T.P. «código» que nos congregava no essencial, que nos fazia encontrar e sonhar, pedir e entregar... resta a esperança que a semente tenha caído em boa terra e outros, de quando em vez, por ali ousem essa aventura tão bela de «chutar Avé-Marias para o Céu».
Todavia, o «T.P.» nestes meus passos, neste meu peregrinar, tem de ser realidade a acontecer; ele significa imensamente mais que o passar das «contas» do Rosário por entre os dedos; é, isso sim, tempo de oração pessoal e comunitário, espaço de intimidade e cumplicidade entre todos os que ousam essa oração simples e aparentemente repetitiva...
Assim, o Terço no Paredão transfigurou-se já no «Terço no Parque», este Parque enorme que se encontra bem diante da casa onde agora moro.
E ontem à noite, dia da natividade de Nossa Senhora (nada é por acaso) começámos quatro corações este T.P. (Terço no Parque) aqui em Carcavelos, na Quinta da Alagoa.
Porque no Reino de Deus não há geografia, sabíamos que, ainda que longe do mar e do som da ondas, sob o «olhar» sereno e sossegado das inúmeras árvores envolventes, tendo como companheiros os patos que deambulavam ainda no lago, rezámos. Rezámos por nós, pelo que tínhamos já vivido em comum, por este Carcavelos que Deus ama, pelas paz nos nossos corações, pelas gentes que aqui são a Igreja a servir e a amar...
Diferente? Sem dúvida. Mas apenas na exterioridade do espaço. Afinal para rezar bem, para rezar a sério, basta um coração crente, uma vontade firme de o fazer, uma intenção definida para confiar ao Céu...
E pedimos que este primeiro Terço no Parque se transformasse em muitos outros, em incontáveis, para que Carcavelos fosse mais e mais terra de Deus, e as suas gentes fossem mais e mais corações enamorados de Cristo e da Sua Igreja.
Ontem fomos quatro; hoje podemos ser mais, menos, quem sabe? E que importa?
O que vale mesmo é a verdade e a simplicidade, a pureza e a transparência do coração que reza. Deus fará o resto...

