quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Avé Maria, Senhora Nossa..."

Salvé, ó Senhora Mãe de Deus e nossa Mãe;
Bendita és tu entre todas as mulheres.
Salvé, ó Mãe de todos os homens e mulheres, corações, vidas e histórias;
Salvé, Senhora do Céu e da Terra,
Senhora de Jasna Gora, Virgem Negra, Mãe e Rainha de quantos de ti se abeiram para deixar uma prece ou uma breve gratidão.
Senhora venerada por toda a humanidade, nesta dia fiz-me teu peregrino de Czestochowa, unindo-me a uma incontável multidão de tantos outros peregrinos que te buscavam, te queriam, te procuravam, te pediam, te agradeciam, te louvavam...
Senti-me pequenino diante da grandiosidade da tua presença;
mas confiadamente balbuciei Avé-Marias pelas intenções que trago no coração.
E ali, ó minha boa e incomparável Mãe, entreguei-te pessoas e corações concretos;
ali confiei medos e sonhos, mágoas e alegrias;
ali soletrei-te nomes e histórias e pedi, pedi, pedi... numa prece que sabes, Mãe, é abandonada e crente, pobre mas confiante...
E agradeci. Tu sabes que agradeci.
E também sabes que razões não me faltavam para o fazer!
Quantas alegrias, quantas realidades, quantos momentos únicos e insubstituíveis, quantas histórias, quantas vidas...
Mãe de Deus, Senhora Virgem Negra, consoladora dos aflitos,
Mãe dos pobres e dos simples, 
Senhora do "Sim" inacabado e perpetuado até ao fim dos tempos:
nesta noite em que escrevo estas palavras
como gostava que relembrasses quanto hoje dirigi filialmente ao teu coração!
Que relembrasses cada prece, cada nome, cada intenção, cada desafio, cada sonho...
Senhora de Jasna Gora
Senhora da Boa-Nova
Senhora de todos os nomes:
eu me ofereço todo a ti, e em prova da minha devoção para contigo
te consagro e entrego tudo quanto tenho e quanto sou.
Que adormeça com a certeza do teu olhar materno
sobre a minha pequenez, a minha miséria e a minha fragilidade.
Que adormeça com a paz que senti ao contemplar hoje o teu rosto negro,
o teu rosto puro, límpido e sereno,
que nos acolhe, simplesmente, como somos: peregrinos a desejar experimentar a paz e a serenidade desse teu colo de Amor indizível e terno.
Ámen.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

"O tempo, esse bem precioso..."

Saber parar o ritmo normal e quotidiano da nossa vida é cada vez mais uma verdadeira "arte". Na verdade, a voragem do tempo consegue demasiadas vezes "cegar-nos" para o essencial, para o que vale mais, consegue anestesiar-nos sobremaneira a ponto de nos transfigurar em gente distraída e apática diante da própria vida verdadeira.
As férias, mais longas ou mais curtas, podem - e devem ser - essa oportunidade real e autêntica de nos encontrarmos connosco próprios, com os outros, com Deus. Ser capaz, de novo, de recentrar o nosso olhar, ser capaz de se aperceber da beleza que nos rodeia, seja a Natureza, seja cada outro que caminha e peregrina bem ao nosso lado.
É maravilhoso descobrir e redescobrir traços novos e antigos que definem a beleza do coração do outro. Beleza que a pressa e o stress quotidianos asfixiam e escondem, banalizam e rotinam! Beleza que a vida corrida de cada dia consegue camuflar e nos deixa, evidentemente, mais pobres, mais cegos...
Ter tempo para escutar cada palavra que o outro tem, de verdade, para dizer; tempo para olhar bem nos olhos quem connosco faz caminho e entender, então mais profundamente esse coração, essa vida, essa história; ter tempo para fazer do nosso tempo o tempo do outro... eis um segredo que enche e preenche bem as férias que possamos ter.
Aqui, pelas estradas, vilas e cidades da Polónia, procuro oferecer esse tempo a quem está comigo. E para além da contemplação da beleza natural, elevar os nossos sentimentos e tentar sermos capazes de "na mesma onda" encontrar Aquele que nos reúne no amor de Cristo, na fé da Igreja, no sonho comum de sermos mais e sempre mais de Deus.
Em cada sorriso, em cada palavra ou em cada silêncio, em cada combinação do que fazer ou visitar, buscar a novidade do outro, respeitá-lo e amá-lo como ele é e ele precisa ser amado e jamais intentar ser objecto e direcção desse mesmo amor; desejar e querer profundamente que o outro seja o mais importante, alegrando-nos com o nosso "apagamento" é caminho seguro e fecundo para conseguirmos a paz de espírito e a harmonia existencial que a "correria" de cada dia nos rouba tão subtilmente!
Continua a ser verdade que nas férias o tempo não pára; todavia ele parece ganhar outro sentido, ele parece prolongar-se indefinidamente, ele parece ser fonte de água cristalina que verdadeiramente nos sacia.
Esta é uma possível postura nas férias que possamos ter. A valorização do tempo porque oferecido, porque doado, ao outro...
Haverá outras formas, sem dúvida. Esta, porém, está a encher-me de gozo interior, de alegria, daquela que não se vê mas se sente bem cá dentro a transbordar...

terça-feira, 23 de agosto de 2011


"Vida..."

Após a experiência única e irrepetível da vivência da Jornada Mundial da Juventude, onde palavras escritas ou ditas jamais conseguirão exprimir aquilo que pulsou neste meu coração; depois de ter vivido momentos inolvidáveis e definitivamente marcantes, bem ao lado de milhões de jovens diferentes, sonhadores, audazes, onde a fé em Jesus Cristo e na Sua Igreja era o nosso denominador comum; depois da experiência do deslumbramento, do espanto, da alegria, da gratidão, por ter podido vivenciar com trezentos jovens da nossa paróquia a JMJ 2011, e onde agora nos são pedidos os "frutos" dessa mesma aventura divina, celebrar o dom da vida logo de seguida é, de certeza, dom do Alto.
É o Céu a pedir que seja capaz de "parar", de "reflectir", de "rezar" e de "aprofundar" este mesmo mistério que é a nossa própria vida...
Que objectivos? Que sonhos? Que perspectivas? Que predisposições interiores? Que capacidade de entrega? Que vontades? Que liberdade? Que caminhos novos a trilhar? Que direcção seguir?...
Questões nunca respondidas definitivamente; perguntas às quais nem sempre é fácil uma resposta pronta e decidida; porém, urgentes, inadiáveis, que precisam do meu coração aberto para ser capaz de rebentar com "silêncios", "dúvidas", "medos", "indefinições"!
Hoje, neste dia de aniversário, queria pedir a Deus que me concedesse simplesmente "um pouco de Céu". Sim, "um pouco de Céu"...
Estou em Cracóvia, Polónia, terra natal de João Paulo II. Quis que os dias a seguir às Jornadas fossem diferentes no sentido de não regressar imediatamente a casa; quis que estes dias posteriores a essa vivência única tivessem a marca da diferença. Passar uns dias nesta terra outra, com a história que ela comporta, com os exemplos que ela nos oferece...
Com dois amigos do coração, onde a cumplicidade é denominador comum, decidimos viver uma semana onde pudéssemos experienciar a liberdade da amizade verdadeira, da liberdade profunda, da paz que por vezes encontramos apenas "longe" do "metro quadrado" do nosso viver quotidiano.
A descoberta do "outro" e daquele "Outro" que cruzou as nossas vidas e as nossas histórias, nas palavras que trocarmos e nos silêncios que vivermos, nos passeios que fizermos e nos espantos que descobrirmos, será o nosso único objectivo.
Deixar que o tempo avance e nós nele tenhamos um lugar derradeiro. Sermos livres e únicos, sermos nós próprios, quando demasiadas vezes este mundo nos impede da verdade total, da transparência profunda, da partilha sem reservas...
Celebrar o dom da vida é agradecer sobretudo. O que a vida nos trouxe de bom e de menos bom. Agradecer as vidas que fazem a nossa própria vida. Agradecer particularmente aquela "gente que fica na história da gente"!
É esse o meu propósito para este dia. No Altar, daqui a pouco, colocarei na patena da oblação todos e cada um que fizeram caminho ao longo destes anos. Aqueles corações que me enriqueceram com a sua bondade e beleza, a sua verdade e generosidade, a sua fé e o seu testemunho...
Vida que quero consagrar de novo a Deus; entregar-lha mais uma vez de forma definitiva e única. E pedir que neste "pouco de Céu" que quero viver, Ele tenha um lugar destacado. E olhar rostos, histórias, saudades, momentos, e dizer-Lhe simplesmente "bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo".
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