segunda-feira, 18 de julho de 2011

"Geração(ões) perversa(s)

"Nenhum sinal nos será dado senão o do profeta Jonas". Palavras retiradas do Evangelho de hoje que apelida de "perversa" esta geração que pede sinais a Jesus! Perversa pois que exige ao Mestre a «espectacularidade» das Suas acções, das Suas manifestações; perversa porque não aceita a postura simples e humilde com que Ele Se apresenta diante dos homens e da História; perversa porque no mais íntimo do seu coração aquela (e esta geração) busca a satisfação própria em termos religiosos e espirituais fora de Deus, bem dentro de si mesmos, dos seus limites, das suas verdades, das suas imagens distorcidas de Deus, da verdade, do bem, da vida verdadeira!
O único sinal que será dado aos homens de todos os tempos será o do profeta Jonas, que estando três dias no ventre da baleia simboliza e significa o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, Ele mesmo no seio da terra, Crucificado e Morto e Ressuscitado ao terceiro dia.
E o «sinal de Jonas» em Jesus é o sinal eloquente do Amor sem limites, sem condições, gratuito e incondicional.
E quando o mundo nos exige, como Igreja, «sinais» espectaculares, estrondosos, nós não podemos nem conseguimos oferecer outro que não o «sinal de Jonas», isto é, o sinal maior do amor. Só o amor temos para oferecer e partilhar; só o amor autêntico, generoso, profundo, radical, consegue ser «sinal», «prova», «certeza» da fé que nos anima e do Senhor que nos apaixona e seduz.
Com efeito, os homens deste tempo, creio cada vez mais, estão cansados de palavras e de sermões, de eloquência teológica e sabedoria racional religiosa; o coração humano palpita, exige, precisa, anseia, pelo amor que os cristãos, ao jeito de Jesus de Nazaré, conseguem e podem entregar a cada tempo.
É certo que nos é mais fácil reduzir o apostolado às palavras, às boas intenções; é verdade que não é tão exigente a verborreia espiritual quanto a vida marcada e pautada pela radicalidade do Evangelho! Apetece bem mais exercitar um cristianismo de «sofá» e de «pantufas», de mentalidade vigente com a do mundo - poder, glória, aplausos, pódios, importância, domínio - que a incarnação nas nossas próprias vidas do «sinal de Jonas», das «marcas da Paixão»! Mas enquanto teimarmos, como Igreja, como cristãos, nessas atitudes redutoras de «escrever» um evangelho segundo os nossos apetites e vontades, apenas continuaremos a ser esta geração perversa que se escolhe mais a si mesma que aos desígnios d'Aquele que permanece de braços abertos no cimo de uma Cruz, de Coração trespassado!
Urge uma Igreja do amor, cristãos do amor, comunidades onde o amor não seja palavra bonita mas vida acontecida, onde serviço e entrega, generosidade e partilha, verdade e transparência, são os «trunfos» que temos para apresentar aos descrentes deste nosso tempo.
Havemos, rapidamente, de passar de «geração perversa» a geração crente, serva, pobre, aberta aos dons do Espírito, se pretendemos que a fé seja realidade nesta nossa sociedade...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

"Olhar-te (sempre) mais um pouco"

"Olhar-te um pouco
Enquanto acaba a noite
Enquanto ainda nenhum gesto te magoa
E o mundo for aquilo que sonhares
Nesse lugar só teu

Olhar-te um pouco
Como se fosse sempre
Até ao fim do tempo, até amanhecer
E a luz deixar entrar o mundo inteiro
E o sonho se esconder

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti

Enquanto dormes
Por um momento à noite
É um tempo ausente que te deixa demorar
Sem guerras nem batalhas pra vencer
Nem dias pra rasgar

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti".


"Eu vou esperar por ti"; eu vou querer estar sempre contigo; eu vou ter-te sempre presente; eu vou para sempre ter-te bem dentro, guardado como um tesouro, no meu coração...
Foste importante demais, decisivo sobremaneira, marcante quanto baste, amor que me preencheu profundamente, tempo e espaço que me envolveu absolutamente...
Foste sonho e foste festa, foste angústia e foste medo, foste anseio e foste paz, foste alegria e foste extase, foste lágrima e foste gargalhada... foste vida da minha vida. E agora "sem guerras nem batalhas", num olhar para trás, num repensar tudo quanto se viveu, esta sensação, melhor, esta certeza, que vou procurar sempre por ti...
Estoril, homem e mulher, criança e jovem que foste a razão do meu ser e do meu viver, vou pensar sempre em ti. Esperar sempre por ti, ou seja, desejar que nunca te esqueça, jamais te menorizar...
Foram horas, foram dias, foram meses, foram anos... de caminho, mais devagar ou mais rápido, de mãos e corações dados, com mais ou menos intensidade, mas foram ,afinal, a tua e a minha vida entrelaçadas e unidas por Deus e pela paixão que por Ele temos.
Assim, esteja onde estiver, em qualquer um lugar esquecido, vou lembrar-me sempre de ti. Sei bem, sinto-o desde já, a saudade que me invade, que me domina, quase me vence! Assim, esteja onde estiver, com quem estiver, sei e sinto que jamais te apagarás desta minha alma e deste meu coração...
Estoril, Estoril, mais das gentes que das praias ou do mar, mais das pessoas que das ruas ou avenidas, mais dos corações que dos edifícios e da história, nalgum lugar, estarás sempre comigo. Porque tu és eu e eu sou tu...

terça-feira, 12 de julho de 2011

"Amigos: tesouros únicos no nosso caminho"

Escuto o mar bem perto de mim; o Mediterrâneo está apenas a alguns breves passos... Uma viagem rápida e consegue-se vislumbrar a imensidão do mar, e tudo quanto ele encerra...
Um mar que ganha renovado significado e sentido quando o olhamos e sentimos com os nossos olhos e com os daqueles que nos são cúmplices, íntimos... Um mar que nos "sabe" a aventura, a amizade fecunda, profunda, genuína, daqueles sentimentos que nos fazem olhar a vida e a existência com outros contornos...
Gosto do mar, das ondas, nesse perpétuo movimento de vida, de acção, que transposto para a nossa vida quotidiana nos desafia ao combate a toda a inércia e comodismo, a toda a rotina e habituação!
Momentos de repouso e de relaxe, de serenidade e de paz, estes de sentir a universalidade do mar, o seu som, a sua melodia, com alguém que é demasiado importante para nós como são os amigos.
Não precisamos de falar muito, de dizer grande ou prolongadas palavras, partilhar intimidades de cada história pessoal... a presença, o sentir a presença desses corações bem junto ao nosso é mais que suficiente para nos encher a alma e serenar a existência.
Diz a sagrada Escritura que "ter um amigo é ter um tesouro". E, como é óbvio, não se engana! Tesouro valioso, nobre, insubstituível, que nem ouro nem prata alguma do mundo conseguem comprar. Porque é dom, porque é coração, porque é verdade, porque é intimidade, cumplicidade, sã dependência e fecundo desejo de estar com!
Por isso, mesmo as coisas simples como o contemplar o mar tem outro sentido. Por isso, realidades simples têm valor incalculável se vividas, celebradas, com Amigos (de letra grande, daqueles por que somos capazes de oferecer a própria vida).
Diante do mar, no silêncio da noite, na unidade de corações, neste desejo comum de sermos mais e mais de Deus, (Ele cruzou as nossas histórias e as nossas vidas), agradeço estes rostos e estas histórias, bendigo o Senhor por me presentear com almas grandes e generosas como amigos e, mais uma vez, intentarei adormecer a segredar ao Coração de Jesus os seus nomes, as suas intenções, os nossos futuros, medos, dúvidas, sonhos, caminhos...
E como diante de nós se espraia a imensidão do mar, rezo para que a nossa amizade seja tão grande, tão grande, que fale de Deus a quem nos olhar e sentir...
"Bendito seja Deus que nos uniu no amor de Cristo". Diferentes, em idades, em histórias, em trajectos de vida já trilhados, agora somos "um" neste desejo de ajudar o outro a ser a pessoa mais feliz do mundo... Essa a nossa missão, a nossa tarefa, o nosso caminho...
"Adoro-vos" meus amigos, rostos visíveis de Deus, alento, força, entusiasmo, coração, que me enriquece sobremaneira cada dia...
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