"Geração(ões) perversa(s)
"Nenhum sinal nos será dado senão o do profeta Jonas". Palavras retiradas do Evangelho de hoje que apelida de "perversa" esta geração que pede sinais a Jesus! Perversa pois que exige ao Mestre a «espectacularidade» das Suas acções, das Suas manifestações; perversa porque não aceita a postura simples e humilde com que Ele Se apresenta diante dos homens e da História; perversa porque no mais íntimo do seu coração aquela (e esta geração) busca a satisfação própria em termos religiosos e espirituais fora de Deus, bem dentro de si mesmos, dos seus limites, das suas verdades, das suas imagens distorcidas de Deus, da verdade, do bem, da vida verdadeira!O único sinal que será dado aos homens de todos os tempos será o do profeta Jonas, que estando três dias no ventre da baleia simboliza e significa o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, Ele mesmo no seio da terra, Crucificado e Morto e Ressuscitado ao terceiro dia.
E o «sinal de Jonas» em Jesus é o sinal eloquente do Amor sem limites, sem condições, gratuito e incondicional.
E quando o mundo nos exige, como Igreja, «sinais» espectaculares, estrondosos, nós não podemos nem conseguimos oferecer outro que não o «sinal de Jonas», isto é, o sinal maior do amor. Só o amor temos para oferecer e partilhar; só o amor autêntico, generoso, profundo, radical, consegue ser «sinal», «prova», «certeza» da fé que nos anima e do Senhor que nos apaixona e seduz.
Com efeito, os homens deste tempo, creio cada vez mais, estão cansados de palavras e de sermões, de eloquência teológica e sabedoria racional religiosa; o coração humano palpita, exige, precisa, anseia, pelo amor que os cristãos, ao jeito de Jesus de Nazaré, conseguem e podem entregar a cada tempo.
É certo que nos é mais fácil reduzir o apostolado às palavras, às boas intenções; é verdade que não é tão exigente a verborreia espiritual quanto a vida marcada e pautada pela radicalidade do Evangelho! Apetece bem mais exercitar um cristianismo de «sofá» e de «pantufas», de mentalidade vigente com a do mundo - poder, glória, aplausos, pódios, importância, domínio - que a incarnação nas nossas próprias vidas do «sinal de Jonas», das «marcas da Paixão»! Mas enquanto teimarmos, como Igreja, como cristãos, nessas atitudes redutoras de «escrever» um evangelho segundo os nossos apetites e vontades, apenas continuaremos a ser esta geração perversa que se escolhe mais a si mesma que aos desígnios d'Aquele que permanece de braços abertos no cimo de uma Cruz, de Coração trespassado!
Urge uma Igreja do amor, cristãos do amor, comunidades onde o amor não seja palavra bonita mas vida acontecida, onde serviço e entrega, generosidade e partilha, verdade e transparência, são os «trunfos» que temos para apresentar aos descrentes deste nosso tempo.
Havemos, rapidamente, de passar de «geração perversa» a geração crente, serva, pobre, aberta aos dons do Espírito, se pretendemos que a fé seja realidade nesta nossa sociedade...
