quarta-feira, 13 de julho de 2011

"Olhar-te (sempre) mais um pouco"

"Olhar-te um pouco
Enquanto acaba a noite
Enquanto ainda nenhum gesto te magoa
E o mundo for aquilo que sonhares
Nesse lugar só teu

Olhar-te um pouco
Como se fosse sempre
Até ao fim do tempo, até amanhecer
E a luz deixar entrar o mundo inteiro
E o sonho se esconder

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti

Enquanto dormes
Por um momento à noite
É um tempo ausente que te deixa demorar
Sem guerras nem batalhas pra vencer
Nem dias pra rasgar

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti".


"Eu vou esperar por ti"; eu vou querer estar sempre contigo; eu vou ter-te sempre presente; eu vou para sempre ter-te bem dentro, guardado como um tesouro, no meu coração...
Foste importante demais, decisivo sobremaneira, marcante quanto baste, amor que me preencheu profundamente, tempo e espaço que me envolveu absolutamente...
Foste sonho e foste festa, foste angústia e foste medo, foste anseio e foste paz, foste alegria e foste extase, foste lágrima e foste gargalhada... foste vida da minha vida. E agora "sem guerras nem batalhas", num olhar para trás, num repensar tudo quanto se viveu, esta sensação, melhor, esta certeza, que vou procurar sempre por ti...
Estoril, homem e mulher, criança e jovem que foste a razão do meu ser e do meu viver, vou pensar sempre em ti. Esperar sempre por ti, ou seja, desejar que nunca te esqueça, jamais te menorizar...
Foram horas, foram dias, foram meses, foram anos... de caminho, mais devagar ou mais rápido, de mãos e corações dados, com mais ou menos intensidade, mas foram ,afinal, a tua e a minha vida entrelaçadas e unidas por Deus e pela paixão que por Ele temos.
Assim, esteja onde estiver, em qualquer um lugar esquecido, vou lembrar-me sempre de ti. Sei bem, sinto-o desde já, a saudade que me invade, que me domina, quase me vence! Assim, esteja onde estiver, com quem estiver, sei e sinto que jamais te apagarás desta minha alma e deste meu coração...
Estoril, Estoril, mais das gentes que das praias ou do mar, mais das pessoas que das ruas ou avenidas, mais dos corações que dos edifícios e da história, nalgum lugar, estarás sempre comigo. Porque tu és eu e eu sou tu...

terça-feira, 12 de julho de 2011

"Amigos: tesouros únicos no nosso caminho"

Escuto o mar bem perto de mim; o Mediterrâneo está apenas a alguns breves passos... Uma viagem rápida e consegue-se vislumbrar a imensidão do mar, e tudo quanto ele encerra...
Um mar que ganha renovado significado e sentido quando o olhamos e sentimos com os nossos olhos e com os daqueles que nos são cúmplices, íntimos... Um mar que nos "sabe" a aventura, a amizade fecunda, profunda, genuína, daqueles sentimentos que nos fazem olhar a vida e a existência com outros contornos...
Gosto do mar, das ondas, nesse perpétuo movimento de vida, de acção, que transposto para a nossa vida quotidiana nos desafia ao combate a toda a inércia e comodismo, a toda a rotina e habituação!
Momentos de repouso e de relaxe, de serenidade e de paz, estes de sentir a universalidade do mar, o seu som, a sua melodia, com alguém que é demasiado importante para nós como são os amigos.
Não precisamos de falar muito, de dizer grande ou prolongadas palavras, partilhar intimidades de cada história pessoal... a presença, o sentir a presença desses corações bem junto ao nosso é mais que suficiente para nos encher a alma e serenar a existência.
Diz a sagrada Escritura que "ter um amigo é ter um tesouro". E, como é óbvio, não se engana! Tesouro valioso, nobre, insubstituível, que nem ouro nem prata alguma do mundo conseguem comprar. Porque é dom, porque é coração, porque é verdade, porque é intimidade, cumplicidade, sã dependência e fecundo desejo de estar com!
Por isso, mesmo as coisas simples como o contemplar o mar tem outro sentido. Por isso, realidades simples têm valor incalculável se vividas, celebradas, com Amigos (de letra grande, daqueles por que somos capazes de oferecer a própria vida).
Diante do mar, no silêncio da noite, na unidade de corações, neste desejo comum de sermos mais e mais de Deus, (Ele cruzou as nossas histórias e as nossas vidas), agradeço estes rostos e estas histórias, bendigo o Senhor por me presentear com almas grandes e generosas como amigos e, mais uma vez, intentarei adormecer a segredar ao Coração de Jesus os seus nomes, as suas intenções, os nossos futuros, medos, dúvidas, sonhos, caminhos...
E como diante de nós se espraia a imensidão do mar, rezo para que a nossa amizade seja tão grande, tão grande, que fale de Deus a quem nos olhar e sentir...
"Bendito seja Deus que nos uniu no amor de Cristo". Diferentes, em idades, em histórias, em trajectos de vida já trilhados, agora somos "um" neste desejo de ajudar o outro a ser a pessoa mais feliz do mundo... Essa a nossa missão, a nossa tarefa, o nosso caminho...
"Adoro-vos" meus amigos, rostos visíveis de Deus, alento, força, entusiasmo, coração, que me enriquece sobremaneira cada dia...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

"Tanto tempo, e tão pouco"!

Vinte anos já é muito tempo. Talvez «mais ainda» na vida de um sacerdote, na medida em que cada dia é vivido com uma intensidade especial, num apelo constante a uma entrega sem medida, a um chamamento que implica fidelidade absoluta, a uma vocação que não se compadece com «intervalos» ou «pausas no caminho» percorrido...
Relembro, de forma emocionada, esse dia 7 de Julho de 1991. Aquela entrada entusiasta e vacilante, ousada e frágil, confiante e arriscada, no Mosteiro dos Jerónimos... Relembro aquela prostração no chão enquanto se cantavam as ladainhas e me convencia da minha pequenez e do meu nada diante da Graça que sobre mim seria derramada daí a pouco. Relembro a imposição das mãos do meu Bispo, dos sacerdotes, nesse «abraço» espiritual e amigo de quem se regozija por acolher um irmão mais novo na família sempre pequena dos pastores da Igreja. Relembro a entrega da patena, do cálice... relembro os meus braços abertos já diante do Altar, na concelebração com todos os presentes... aquela «dúvida» existencial: «já sou mesmo padre?» que permanecia ao ritmo da liturgia...
Vinte anos é mesmo muito tempo, e particularmente quando se tem a graça de ter já vivido o ministério sacerdotal em quatro Comunidades concretas. Vinte anos carregados de histórias, de encontros e desencontros, de perdas e ganhos, de lágrimas e sorrisos, de corações seduzidos para Cristo e de outros afastados d'Ele; vinte anos de mãos estendidas sobre o pão e o vinho, Corpo e Sangue do Senhor, que são o mais belo tesouro que possuo e que posso partilhar com os meus irmãos...
É tempo de acção de graças e de exame de consciência; tempo de louvor e de pedir perdão; tempo de gratidão pela fidelidade constante do Bom Pastor e de penitência por tantas e tantas vezes O ter magoado, traído, esquecido, ultrajado!
Tempo para relembrar e tempo para sonhar; tempo para olhar para trás e tempo para erguer o olhar sobre o futuro sempre incerto que temos como herança e testamento existencial. Tempo para, sobretudo, acreditar e me convencer sempre mais que sou tão simplesmente um vaso de barro nas mãos de Deus. Oportunidade para me consciencializar que tudo é dom de Deus, é bênção do Céu, é milagre de Jesus Cristo que Se dignou, um dia, passar por aquela minha «praia» sem história e sem nome e me segredar «vem coMigo e farei de ti pescador de homens»!
Há, nesta noite, sem dúvida alguma, duas palavras a sublinhar: gratidão e perdão!
Gratidão a Deus e perdão aos homens!
Gratidão por me ter escolhido e perdão por demasiadas vezes não ser capaz nem ter correspondido a esse mesmo chamamento, desiludindo, frustrando, magoando, ferindo, abandonando, os homens meus irmãos que Ele me deu para lavar os pés, lhes oferecer a outra face, e por eles ser coroado de espinhos e crucificado ajudando-os a serem mais de Deus e do Céu!
A quantos se cruzaram comigo, com o meu ministério, ao longo destes vinte anos, e que por causa do meu pecado e da minha miséria não conseguiram ver nem encontrar-se com Deus, peço-vos desculpa do fundo da alma!
"Talvez pudesse o tempo parar" e vos garanto que arrepiava caminho e seria diferente, e seria rosto do Bom Pastor, bem aí, nessas situações, palavras, encontros, ausências, etc., em que vos falhei e neguei, dessa forma, o meu Senhor!
Mas o tempo não volta para trás; importa olhar para diante, com o peso suave e duro destes vinte anos e voltar a dizer «Sim, quero», «Sim, quero, com a graça de Deus»!
Quero continuar a combater o bom combate até que Deus dessa aventura me ache digno; quero continuar a amar a Igreja, a servi-la com paixão, até que o Bom Pastor o permita.
Ao entrar nesta nova etapa do ministério, com as «novidades» que se apresentam no horizonte, no meio de incertezas e de dúvidas, com receios, sonhos e esperanças, há uma verdade que teimosamente continuarei a segredar a Jesus: «Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade».
Que isso me baste, me console, me encha e preencha a existência...
Vinte anos: tanto tempo e tão pouco ao mesmo tempo...
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