"Dignos de Deus..."
É quase impossível de suportar a Palavra hoje proclamada; porque ela rompe com os nossos esquemas mais tradicionais, ela esbarra com conceitos que temos como imutáveis, ela desorienta as certezas que já acumulámos; ela abana construções que temos por terminadas e definitivas!
Descobrimos e redescobrimos um Deus que chama e provoca a segui-l'O com absoluta fidelidade, sem podermos pactuar com «senhores» outros que cobiçam permanentemente o lugar de Deus na vida e no coração!
Trata-se de escolhermos se queremos, ou não, ser dignos de Deus, ou seja, se desejamos, ou não, assumir radicalmente a nossa condição de baptizados, de discípulos, de enamorados de Jesus Cristo! E quando se «agenda» o amor a Deus e ao próximo, não se é, portanto, digno de Deus; quando a hipocrisia assume lugar de destaque na nossa conduta quotidiana, não se é, portanto, digno de Deus; quando se vive em função da imagem e da aparência diante do olhar dos outros em vez da verdade e da justiça que Deus vê, não se é, portanto, digno de Deus; cada vez que Cristo e a Igreja são secundarizados por valores que denominamos de nobres e de positivos, de fundamentais e insubstituíveis, não se é, portanto, digno de Deus; sempre que absolutizamos a nossa postura, pensamentos, verdades, e até a própria vida, não se é, portanto, digno de Deus; sempre que fazemos de Deus mais um simples concorrente com as demais realidades que nos podem oferecer a paz e a felicidade almejadas pelos nossos corações, não se é, portanto, digno de Deus!
O caminho é bem claro e está sobejamente traçado diante de nós: Cristo Jesus, servo da humanidade, que lava os pés aos irmãos, e que entrega a Sua vida pela nossa própria vida.
E porque o discípulo não é mais que o seu Senhor, para sermos dignos continuadores desta divina missão, jamais podemos criar evangelhos de conveniência, liturgias de agrado particular, comportamentos legitimados pela nossa inércia e endeusamento pessoais, pregações que minimalizem a Boa Nova do Reino, sermões que obstaculizem a beleza de Cristo e de Cristo Crucificado por Amor!
Evangelhos à nossa medida, espiritualidades de acordo com as nossas vontades, cristianismo reduzido à nossa imagem, fé secundarizada à nossa semelhança, alcança, simplesmente essa Palavra incómoda e escandalosa do texto sagrado hoje proclamado na liturgia de hoje: «não é digno de Mim»!
Importa escolher com ousadia; importa decidir com coragem e determinação: ou por Cristo ou contra Cristo! Jamais haverá meio termo! Para leigos, sacerdotes, bispos! Ou por Ele, ou contra Ele!
Por que ou por quem nos decidimos verdadeiramente?
