Mandai, Senhor, o Vosso Espírito,
e renovai a Igreja!
Pentecostes!
Onde os Apóstolos perdem os medos que os aprisionavam e impediam de falar aberta e eloquentemente sobre a fé, sobre Cristo Ressuscitado, sobre o Amor definitivamente revelado numa Cruz!
Fogo divino, Fogo do Céu, que queima amarras e prisões, que destrói medos e vergonhas, que aniquila facilitismos e encenações para, derradeiramente, se apresentarem como Igreja, Povo Santo de Deus, capaz de chegar a cada coração humano, quando utiliza a única linguagem perceptível e aceitável por toda a humanidade: o Amor.
Todos aqueles povos, culturas, raças, nações entendia Pedro (a Igreja) pois que falava o Amor, apresentava o Amor, era o Amor...
Como ontem, se a Igreja que somos deseja ser aceite, entendida, acolhida e amada pela humanidade tem "apenas" e "somente" de usar a mesma linguagem do dia de Pentecostes, a linguagem do Amor, esse Fogo de Deus que é capaz de destruir todas as ameaças à vida e à verdade, à humildade e à caridade.
Olhamos à nossa volta, buscamos entender o pensamento da cultura vigente, intentamos decifrar opções, critérios, posturas, horizontes, de gente como nós mas perfeitamente indiferentes à fé, a Jesus Cristo. Parece que a humanidade se afasta de Deus, numa negação crescente, numa rejeição evidente, numa indiferença galopante...
Que caminhos percorremos como Igreja, como cristãos, diante desta realidade?
Como viver a apregoada "nova evangelização"?
Creio que apenas um caminho, o único caminho, o de sempre: a linguagem do Amor, a verdade do Pentecostes, o Fogo da caridade que é a verdade.
Teimosamente preferimos queixar-nos dos desvarios mundanos, das loucuras terrenas, sublinhando posturas eclesiásticas, rituais, normativas, rotineiras, canónicas!!!!
Que fizemos do Amor?
Onde o escondemos?
Onde o perdemos?
Onde o deixámos?
Não valeria a pena repensar quando e onde vivemos verdadeiramente o Amor e ousar experienciá-lo de novo no coração, no seio da Igreja que somos? Não seria mais evangélico abraçar esse Fogo em vez de sermos apóstolos do desamor, da desunião, da discórdia, da diplomacia, das aparências, das lutas pelos lugares honrosos no mundo e na Igreja, dos cinismos e das invejas ocas e vãs?
O mundo jamais nos entenderá se teimarmos no "contra-evangelho", ou seja, naqueles sentimentos e palavras, atitudes e juízos, desejos e objectivos que pautam demasiadas vidas ditas cristãs!
Intentar falar de Deus e viver contra Ele será sempre o pior contra-testemunho que poderemos oferecer aos homens de cada tempo!
Escrever, pregar, anunciar o Amor e permanecer amarrado no desamor será sempre sinal de não evangelização, de afastamento dos homens do Evangelho, de indiferença perante esse sinal eloquente que é a Cruz!
"Mandai, Senhor, o Vosso Espírito, e renovai a terra" cantaremos nas nossas igrejas neste Domingo de Pentecostes.
Mas poderíamos ser mais ousados, mais simples e mais humildes e rezar com fé: "Mandai, Senhor, o Vosso Espírito, e renovai a Igreja"!
A Igreja não se enche de vidas se não lhes falarmos de Amor. Os corações não deixarão de permanecer indiferentes a Deus se não lhes mostramos, na vida, com vida, o Amor.
Os medos dos primeiros Apóstolos impedia-os de anunciar Jesus Cristo!
O medo dos apóstolos de hoje - cada um de nós - o medo, a vergonha, a preguiça, a falsidade, a inveja e o ciúme, a maledicência e o cinismo piedoso, permanecerão impedimento para os tantos, os incontáveis homens e mulheres que se cruzam connosco na vida e para quem a Cruz e o Crucificado Ressuscitado nada significam!
Ficaremos indiferentes?
Teimaremos na vivência e no testemunho do desamor?!
Façamos exame de consciência e concluamos que caminhos andaremos a trilhar...

