domingo, 12 de junho de 2011

Mandai, Senhor, o Vosso Espírito, 
e renovai a Igreja!

Pentecostes!
Dia, sinal. certeza, da força, vitalidade e divindade da Igreja!Pentecostes!
Onde os Apóstolos perdem os medos que os aprisionavam e impediam de falar aberta e eloquentemente sobre a fé, sobre Cristo Ressuscitado, sobre o Amor definitivamente revelado numa Cruz!
Fogo divino, Fogo do Céu, que queima amarras e prisões, que destrói medos e vergonhas, que aniquila facilitismos e encenações para, derradeiramente, se apresentarem como Igreja, Povo Santo de Deus, capaz de chegar a cada coração humano, quando utiliza a única linguagem perceptível e aceitável por toda a humanidade: o Amor.
Todos aqueles povos, culturas, raças, nações entendia Pedro (a Igreja) pois que falava o Amor, apresentava o Amor, era o Amor...
Como ontem, se a Igreja que somos deseja ser aceite, entendida, acolhida e amada pela humanidade tem "apenas" e "somente" de usar a mesma linguagem do dia de Pentecostes, a linguagem do Amor, esse Fogo de Deus que é capaz de destruir todas as ameaças à vida e à verdade, à humildade e à caridade.
Olhamos à nossa volta, buscamos entender o pensamento da cultura vigente, intentamos decifrar opções, critérios, posturas, horizontes, de gente como nós mas perfeitamente indiferentes à fé, a Jesus Cristo. Parece que a humanidade se afasta de Deus, numa negação crescente, numa rejeição evidente, numa indiferença galopante...
Que caminhos percorremos como Igreja, como cristãos, diante desta realidade?
Como viver a apregoada "nova evangelização"?
Creio que apenas um caminho, o único caminho, o de sempre: a linguagem do Amor, a verdade do Pentecostes, o Fogo da caridade que é a verdade.
Teimosamente preferimos queixar-nos dos desvarios mundanos, das loucuras terrenas, sublinhando posturas eclesiásticas, rituais, normativas, rotineiras, canónicas!!!!
Que fizemos do Amor?
Onde o escondemos?
Onde o perdemos?
Onde o deixámos?
Não valeria a pena repensar quando e onde vivemos verdadeiramente o Amor e ousar experienciá-lo de novo no coração, no seio da Igreja que somos? Não seria mais evangélico abraçar esse Fogo em vez de sermos apóstolos do desamor, da desunião, da discórdia, da diplomacia, das aparências, das lutas pelos lugares honrosos no mundo e na Igreja, dos cinismos e das invejas ocas e vãs?
O mundo jamais nos entenderá se teimarmos no "contra-evangelho", ou seja, naqueles sentimentos e palavras, atitudes e juízos, desejos e objectivos que pautam demasiadas vidas ditas cristãs!
Intentar falar de Deus e viver contra Ele será sempre o pior contra-testemunho que poderemos oferecer aos homens de cada tempo!
Escrever, pregar, anunciar o Amor e permanecer amarrado no desamor será sempre sinal de não evangelização, de afastamento dos homens do Evangelho, de indiferença perante esse sinal eloquente que é a Cruz!
"Mandai, Senhor, o Vosso Espírito, e renovai a terra" cantaremos nas nossas igrejas neste Domingo de Pentecostes.
Mas poderíamos ser mais ousados, mais simples e mais humildes e rezar com fé: "Mandai, Senhor, o Vosso Espírito, e renovai a Igreja"!
A Igreja não se enche de vidas se não lhes falarmos de Amor. Os corações não deixarão de permanecer indiferentes a Deus se não lhes mostramos, na vida, com vida, o Amor.
Os medos dos primeiros Apóstolos impedia-os de anunciar Jesus Cristo!
O medo dos apóstolos de hoje - cada um de nós - o medo, a vergonha, a preguiça, a falsidade, a inveja e o ciúme, a maledicência e o cinismo piedoso, permanecerão impedimento para os tantos, os incontáveis homens e mulheres que se cruzam connosco na vida e para quem a Cruz e o Crucificado Ressuscitado nada significam!
Ficaremos indiferentes?
Teimaremos na vivência e no testemunho do desamor?!
Façamos exame de consciência e concluamos que caminhos andaremos a trilhar...

terça-feira, 7 de junho de 2011

"Ondas de mares altos"

"À margem
Estarei
Estarei
Bem por sobre as águas
Muito bem
À margem,
Também
Serei


Serei sobre as águas
Sabe bem
Margens, bravas, vagas
Margens, claras, vagas
Ausente, não sou diferente;
- eu ando nas margens da corrente
E o tempo que voa - à toa eu ando,
Nas margens da corrente"
.
O tempo parece agora ser mais breve, mais lento, quase parado...
A aparência pode até ter os traços da ausência, do esquecimento, da desistência ou, pior, do abandono!
Mas, nem ausente nem diferente; simplesmente esta necessidade de preservar um coração que não pode ser impedido de amar; simplesmente este esforço, esta mesma vontade, de forma distinta, de estar, servir, entregar, gastar e desgastar o que tenho e o que sou.
As vagas bravas intentam violentar e, negativamente, desassossegar, esta vida que desejo serena, objectiva, direccionada, tranquila. As vagas bravas, provenientes de muitas "marés" buscam uma desarmonia que intento não permitir, mas que, porque humanos que somos, conseguem fazer marear aquilo que parecia certo, seguro, determinado!
Mas estarei bem por sobre as águas que buscam afogar o que de bom a vida nos ofereceu, a história nos cumulou, Deus nos agraciou.
Estarei bem por sobre as águas que desejem fazer esquecer a beleza que se construiu, as águas que desejam agora (tarde demais) criar contendas ou divisões, quando o essencial está alicerçado na rocha que é Jesus, a Sua Palavra, o Seu Caminho!
"Quem a Deus tem, nada lhe falta", canta a Igreja repetidas vezes; como eu hei-de cantar enquanto nessa verdade de vida acreditar teimosamente; como eu hei-de "gritar" todas as vezes que vozes derrotistas, sonhos mundanos, desejos terrenos, espiritualidades palacianas almejarem sobrepor-se à humildade e à simplicidade do Evangelho.
"No coração da Igreja eu serei o amor" afirmava um coração puro e cheio de Deus. Mesmo que no seio da Igreja demasiadas vezes prevaleça o desamor, o nosso caminho está definido e traçado há mais de dois mil anos: uma Cruz que nos revela que apenas o amor nos fala de Deus. Utilizar, na palavra ou na vida, outra linguagem, será sempre falar de um Deus que não existe! E esse eu não quero! Não quero!

domingo, 5 de junho de 2011

"Cada lugar teu..."

"Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar".

E talvez bastassem estas palavras para significar o sentido de uma alma; e talvez palavra alguma conseguisse dizer esse mesmo sentir... Não sei...
Sei apenas que quero guardar cada lugar «teu», para poder chegar onde só chega quem não tem medo de naufragar...
Sabendo-te minha âncora, meu porto seguro, minha margem alcançada...
Atado a «ti», a esse caminho que foi comum, a esse sonho que erguemos e construímos, a esse horizonte que vislumbrámos e alcançámos...
Atado a «ti», a esse coração gigante que me fez acreditar que podíamos lá chegar porque sem medo de nos perder ou de naufragar...
E porque chegámos, e porque não nos perdemos, e porque não naufragámos, e porque pisámos a «terra firme» que é o coração do outro, sem defesas nem muralhas que fizessem deter, agora é «hora» da gratidão, do louvor e da alegria pelo «mar adentro» que ousámos vencer...
Pensa em mim! Sem medos nem vergonhas, pensarei em ti, «atleta» do mais alto e do mais além; pensarei nas tuas forças e nos teus esforços, no teu suor e nas tuas lágrimas, no teu incentivo e na tua coragem, na tua ousadia e no teu vencer...
E guardarei apenas o que é bom de guardar: «tu». E «tu» sabes quem és! Não és um nem uma; és «muitos», «muitos mesmo»...
Agora há que entender o rumo que a vida nos faz tomar; agora há que acreditar que nas vagas e ondas que o mar nos oferecer, há sempre uma margem, uma âncora, um porto, que nos abriga e sustenta...
Agora há que olhar, agradecer, e teimar... o infinito não foi por nós ainda tocado; o definitivo é caminho ainda a palmilhar...
Sem nunca nos esquecermos que, seja em que mar navegarmos, só chega quem não tem medo de naufragar...
Jesus elevado ao Céu deixa a Igreja como «Barca» onde se podem abrigar quantos ousam viver do coração. Nela cabes «tu» que fazes desse santuário a fonte de cada amanhecer...
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