domingo, 5 de junho de 2011

"Cada lugar teu..."

"Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar".

E talvez bastassem estas palavras para significar o sentido de uma alma; e talvez palavra alguma conseguisse dizer esse mesmo sentir... Não sei...
Sei apenas que quero guardar cada lugar «teu», para poder chegar onde só chega quem não tem medo de naufragar...
Sabendo-te minha âncora, meu porto seguro, minha margem alcançada...
Atado a «ti», a esse caminho que foi comum, a esse sonho que erguemos e construímos, a esse horizonte que vislumbrámos e alcançámos...
Atado a «ti», a esse coração gigante que me fez acreditar que podíamos lá chegar porque sem medo de nos perder ou de naufragar...
E porque chegámos, e porque não nos perdemos, e porque não naufragámos, e porque pisámos a «terra firme» que é o coração do outro, sem defesas nem muralhas que fizessem deter, agora é «hora» da gratidão, do louvor e da alegria pelo «mar adentro» que ousámos vencer...
Pensa em mim! Sem medos nem vergonhas, pensarei em ti, «atleta» do mais alto e do mais além; pensarei nas tuas forças e nos teus esforços, no teu suor e nas tuas lágrimas, no teu incentivo e na tua coragem, na tua ousadia e no teu vencer...
E guardarei apenas o que é bom de guardar: «tu». E «tu» sabes quem és! Não és um nem uma; és «muitos», «muitos mesmo»...
Agora há que entender o rumo que a vida nos faz tomar; agora há que acreditar que nas vagas e ondas que o mar nos oferecer, há sempre uma margem, uma âncora, um porto, que nos abriga e sustenta...
Agora há que olhar, agradecer, e teimar... o infinito não foi por nós ainda tocado; o definitivo é caminho ainda a palmilhar...
Sem nunca nos esquecermos que, seja em que mar navegarmos, só chega quem não tem medo de naufragar...
Jesus elevado ao Céu deixa a Igreja como «Barca» onde se podem abrigar quantos ousam viver do coração. Nela cabes «tu» que fazes desse santuário a fonte de cada amanhecer...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

"Passos..."

Escuto o som do mar diante de mim..
Bem diante da minha janela, o oceano espraia-se numa imensidão sem fim... Imagino, com gozo, essa mesma imensidão, que ao longo destes cinco anos, tão bem me falou da imensidão de Deus, do Seu amor, da Sua paz, do Seu Reino...
Quantos passos palmilhados por esse Paredão que nos pertence, que já faz parte de nós?! Quantas Avé-Marias rezadas, de dia e de noite, entregando pessoas e corações, implorando soluções e discernimento, louvando e agradecendo autênticos milagres que o Céu me oferecia...
Quantos passos feitos em silêncios exteriores e, simultaneamente tornados prece, feitos oblação, transfigurados em oração, convertidos em meditação e em palavras a proferir a seguir naquele altar voltado para o mar...
Naqueles passos, nunca por nunca apressados, passaram histórias, pessoas, sentimentos, sonhos, medos, ilusões, ocupações e preocupações... naqueles passos, mais cedo ou não raras vezes pela noite dentro, sentindo a presença do Deus do Universo, falava-Lhe baixinho do que me atormentava e me dava gozo e me enchia de paz e de sonhos...
Naqueles passos, por esse Paredão que jamais se extinguirá da nossa vida, passou já tanta vida, tanta vida...
Deles, certamente, sentirei a falta!
Simplesmente porque neles e por eles se construiu história, se fez mundo, se edificou Igreja, se sonhou um Estoril mais de Deus, mais dos homens!
Passos somados e feitos quilómetros de uma estrada que por aqui fui construindo; quilómetros de vida que sempre soube ser de todos e nunca minha; passos direccionados sempre em direcção a um coração concreto, a uma vida específica...
Mas como canta a fadista, "há gente que fica na história, da história da gente"!
E na história desta gente que também sou, quantas histórias guardadas, agradecidas, choradas, sonhadas, partilhadas, escutadas, rezadas... E há gente, tanta gente, tanta gente mesmo, que fica na história desta gente que sou!
Passos seguros e inseguros, às vezes certos e outras nem tanto, mas sempre com rumo determinado, com objectivo definido, com "meta" bem delineada: servir, servir sempre, porque cada outro é sempre mais importante do que nós mesmos.
Passos que revelam uma "filosofia", uma forma diferente de estar na vida, uma postura outra. Porventura discutível, porventura a evitar, porventura questionável... mas que para cada passo dado por mim revelam uma interiorioridade, uma espiritualidade, uma vontade "teimosa" de prosseguir um caminho, feito de passos dados e trilhados após passos...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"O que vale mais"

"Para que me sirve ganar el mundo entero 
Ganar el mundo entero, si te pierdo a Ti 
Para que me sirve, ganar el mundo entero 
Si te pierdo a Ti, si te pierdo a Ti 
De nada me sirve, de nada me sirve 

Ganar el mundo entero, si te pierdo a Ti 
Para que me sirve, ganar el mundo entero 
Si pierdo la paz, si pierdo la paz 
Para que me sirve, ganar el mundo entero 
Si pierdo la paz, si pierdo la paz 

De nada me sirve, de nada me sirve 
Ganar el mundo entero, si pierdo la paz 
Para que me sirve, ganar el mundo entero 
Si pierdo mi libertad, si pierdo mi libertad 

Para que me sirve, ganar el mundo entero 
Si pierdo mi libertad, si pierdo mi libertad 
De nada me sirve, de nada me sirve 
De nada me sirve, si pierdo mi libertad 

Para que me sirven tantas cosas 
Tantas idas y vueltas 
De que me sirve todo el dinero del mundo 
Todo el placer, todo el poder, todo el exito 
Si me pierdo a mi mismo 
Si no logro encontrarte Señor 

De que me sirve ganar el mundo entero 
Si pierdo la alegria, si pierdo la alegria 
Para que me sirve, si te pierdo a Ti 
Si te pierdo a Ti, de nada me sirve 

De nada me sirve, si te pierdo a Ti 
Si te pierdo a Ti, de nada me sirve 
De nada me sirve, ganar el mundo entero 
Si te pierdo a Ti, de nada me sirve 

De nada me sirve 
De nada me sirve 
De nada me sirve ".


Palavras tão sábias estas, que brotam de um coração absolutamente enamorado de Deus! Palavras, sentimentos, alma, que percebe e entende a verdadeira liberdade, que experimenta a autêntica esperança, que traduz na sua simplicidade e canção aquela paz e aquela vida cheia de sentido quando nos sabemos presos a Deus, à Sua Palavra, à Sua Igreja... 
Na vida da fé, na pertença à Igreja, na adesão ao Evangelho, aquilo que verdadeiramente interessa é isso mesmo, o estar dependente todo de Deus. Saber que de nada nos serve tudo quanto possamos ter, tudo quanto de nós possam dizer, quanto possamos desejar, se O perdermos a Ele! E apenas Deus, em Jesus revelado e incarnado, sacia e preenche as aspirações mais profundas do nosso ser.
Contrariando a vontade - tantas vezes -, avançar no escuro e na incerteza - tantas vezes -, obedecer livremente acreditando sempre que sabem mais do que nós mesmos - tantas vezes -, recomeçar do "zero" mesmo quando se não está à espera - tantas vezes -, mas com o coração em Deus, na Igreja que Jesus sonhou - serva, pobre, humilde, obediente, disponível, discreta, despojada, entregue - é o único caminho para não O perder verdadeiramente!
E quantos crentes sem Deus? E quantos ditos praticantes sem Jesus? E quantos ditos religiosos sem Mandamento Novo? E quantos comungantes sem amor ao próximo?
Por si, pelas suas verdades, pelas suas ânsias e ganâncias, tudo deitam a perder! Só lhes importa mesmo o saberem-se e sentirem-se "cheios" de si mesmos! Numa auto-suficiência cega, arrogante, preconceituosa, medíocre, sem Deus!
De que nos valerá ganhar o mundo inteiro se O perdermos a Ele?
De que nos valerá uns tempos de glória humana, de poder passageiro, de ribalta efémera, se Deus não nos habitar?!
Por favor, pensemos nisto... a fim de não O perdermos do horizonte da própria vida...
Web Analytics