"Cada lugar teu..."
"Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meutento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar
Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só
Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar".
E talvez bastassem estas palavras para significar o sentido de uma alma; e talvez palavra alguma conseguisse dizer esse mesmo sentir... Não sei...
Sei apenas que quero guardar cada lugar «teu», para poder chegar onde só chega quem não tem medo de naufragar...
Sabendo-te minha âncora, meu porto seguro, minha margem alcançada...
Atado a «ti», a esse caminho que foi comum, a esse sonho que erguemos e construímos, a esse horizonte que vislumbrámos e alcançámos...
Atado a «ti», a esse coração gigante que me fez acreditar que podíamos lá chegar porque sem medo de nos perder ou de naufragar...
E porque chegámos, e porque não nos perdemos, e porque não naufragámos, e porque pisámos a «terra firme» que é o coração do outro, sem defesas nem muralhas que fizessem deter, agora é «hora» da gratidão, do louvor e da alegria pelo «mar adentro» que ousámos vencer...
Pensa em mim! Sem medos nem vergonhas, pensarei em ti, «atleta» do mais alto e do mais além; pensarei nas tuas forças e nos teus esforços, no teu suor e nas tuas lágrimas, no teu incentivo e na tua coragem, na tua ousadia e no teu vencer...
E guardarei apenas o que é bom de guardar: «tu». E «tu» sabes quem és! Não és um nem uma; és «muitos», «muitos mesmo»...
Agora há que entender o rumo que a vida nos faz tomar; agora há que acreditar que nas vagas e ondas que o mar nos oferecer, há sempre uma margem, uma âncora, um porto, que nos abriga e sustenta...
Agora há que olhar, agradecer, e teimar... o infinito não foi por nós ainda tocado; o definitivo é caminho ainda a palmilhar...
Sem nunca nos esquecermos que, seja em que mar navegarmos, só chega quem não tem medo de naufragar...
Jesus elevado ao Céu deixa a Igreja como «Barca» onde se podem abrigar quantos ousam viver do coração. Nela cabes «tu» que fazes desse santuário a fonte de cada amanhecer...

