Eu por ti
o teu problema arcaria sobre mim
e abraçaria o horizonte
que trazes dentro do teu olhar.
Eu por ti
buscar-te-ia no mar da tua solidão
Eu por ti
te encontraria no grito dos teus porquês,
não pensando às minhas decisões
e aos meus critérios se falas tu...
Eu por ti, palpitaria pelos teus desejos.
Eu por ti, daria voz às tuas mil razões.
Eu por ti, eu por ti,
perder-me-ia no teu pranto,
cantaria o teu próprio canto...
Eu por ti
faria ecoar no meu peito a voz da tua dor
Eu por ti
suportaria a tua fragilidade
e ancorar-te-ia à minha mão
se fosses arrastado na maré
Eu por ti
faria minha a angústia que vive em ti
Eu por ti
entregaria os meus trunfos à tua mão;
e por ti sentiria a saudade
pelo fragor da terra que deixaste...
Eu por ti...".
Estas são palavras cantadas tantas e tantas vezes em Eucaristias celebradas...
Palavras que denotam, anunciam, uma postura na vida bem diferente daquela que o mundo nos ensina e «obriga»!
Palavras que transportam uma saudade interior pois que significam sonho e realidade em incontáveis corações; palavras que hoje quero dedicar a tantos que ousam viver de acordo com o Evangelho, com a loucura da Cruz, com a radicalidade da Boa-Nova.
Saber, ousar, querer, dar a vida, por esse «tu» que é cada outro!
«Combater o bom combate» da fé em Cristo que nos ensina a lavar os pés, a oferecer a outra face, a enxugar as lágrimas, a tocar, por amor, os «leprosos», os «coxos», os «paralíticos» desta hora...
Fechados dentro de nós, amuralhados dentro de espiritualidades alienantes, escondidos em piedades que desembocam em nadas, onde o «tu» não é o mais importante e decisivo, conseguiremos unicamente o definhar dessa fabulosa aventura denominada Igreja!
Cantando, sonhando e vivendo em função do «tu» a peregrinação própria de cada um de nós, seria tão diferente. O mundo e a Igreja sorririam com o rosto de Cristo, teriam os traços do Ressuscitado/Crucificado...
«Eu por ti...»!
Que estrada ousada e fabulosa erguida diante de nós...
Que estrada ousada e fabulosa erguida diante de nós...

