quarta-feira, 4 de maio de 2011

"Uma prece..."

Cheguei a Roma após a beaificação de João Paulo II. Mas as multidões mantinham-se e, sobretudo, esta atmosfera de fé e de gratidão, de esperança e de grandeza interior, de espiritualidade e de vida verdadeira, respirava-se (e respira-se) na mesma!
É surpreendente o número de corações que se encaminha para o túmulo do agora Beato João Paulo II. De todas as nações, raças ou culturas. Gente de saudade e sorriso estampados no rosto e na alma; gente de gratidão reconhecida e de prece decidida a elevar ao Céu por intermédio daquele que foi, verdadeiramente, um missionário de Cristo, um «gigante» da fé, um Pastor absolutamente enamorado de Cristo...
Percorrem-se as ruas da «Cidade eterna» e encontram-se rostos sorridentes diante da festa acontecida; quase nos «acotovelamos» na Basílica de S. Pedro» onde permanecem os seus restos mortais...
E também eu, com uma «encomenda» imensa de preces e intenções, a entrego ao novo Beato que todos nos habituámos a ver, a percorrer o mundo, este nosso mundo concreto, a nossa terra, anunciando a fé que nos é comum...
A cada um confio ao Beato João Paulo II. Cada intenção é colocada no seu coração bem-aventurado. E na oração feita nesta Praça única multiplico as preces, as intenções, os desejos, as dores, os sonhos, que carrega a minha alma...
Uns dias de descanso nesta Roma antiga e sempre nova; uns dias em que reaprendo a universalidade da Igreja e me deixo reapaixonar por ela, tamanha a sua grandeza, a sua beleza, a sua simplicidade, a sua catolicidade.
No «ar» de Roma, por estes dias, respira-se a força e a beleza de João Paulo II. Matam-se saudades, relembram-se histórias, humedecem-se os olhares... tudo é forte demais para a pequenez e fragilidade dos nossos corações...
Mas é bom, mas sabe bem...
E todos estes sentimentos, às vezes confusos, são consagrados e entregues ao Alto.
Pelo Estoril, uma prece especial coloquei bem no coração de João Paulo II. Ele bem sabe porquê! E saberá encaminhá-la ao coração de Deus...
E que tudo seja para maior glória de Deus!

domingo, 1 de maio de 2011

"Cada dia. Todos os dias"

"Eu só queria conhecer
o homem que se deu
de alma e coração
Eu só queria agradecer
e dar-lhe a conhecer a minha gratidão

Do seu rosto que fitei
Jamais esquecerei
A paz que ele irradia
A minh'alma estremeceu
Sentindo o amor de Deus
Com que ele nos contagia

Foi então que percebi
que tudo o que senti
na luz daquele sorriso
era novo para mim
e deve ser assim
 a paz do paraíso

Do seu rosto que fitei
jamais esquecerei
a paz que ele irradia
a minh'alma estremeceu
sentindo o amor de Deus
com que ele nos contagia".

Quantas vezes «cantei» - e canto - sozinho, no meu silêncio, esta minha gratidão! Sempre incompleta, sempre inacabada, sempre insuficientemente manifestada, indizível até...
Hoje, no dia da Beatificação do Papa João Paulo II penso ser natural esta comoção, esta alegria bem interior, esta lágrima teimosa que desce pelo meu rosto...
Recordar aquele dia, aquele momento, aquele segundo em que «a minh'alma estremeceu» ao ver aquele homem vestido de branco, falar como nunca ninguém até então o tinha feito, de Jesus, o Senhor, desconhecido do meu coração, da minha história , da minha vida...
Um «segundo» bastou para inquietar definitivamente todo o meu ser; um «segundo» foi o suficiente para transfigurar uma vida inteira!
Aquele homem que fitei, aquele homem que escutei, aquele homem que toquei, aquele homem que amei, aquele homem que segui, agora proposto oficialmente como modelo de santidade, de caminho e de exemplo a seguir para sermos de Deus em Jesus Cristo!

"Tu foste o reanascer da esperança
tu foste o renascer de mim
sem resistir
eu tinha de te seguir
e encher meu coração
na inquietação
que foste tu!"

Bendita e poderosa inquietação!
Feliz e fecunda provocação!
Abençoado e bem-aventurado desafio proclamado e proposto naquela tarde insesquecível daquele Maio de 1982!
Tudo mudou, tudo se transfigurou, tudo se alterou...
E uma estrada nova comecei a percorrer; um caminho outro, imenso, eterno, se abriu dinate de mim... E, com avanços e recuos, com quedas e fidelidades, fui sendo chamado a proclamar a Boa Nova da esperança, da vida e da paz...
Por isso mesmo, por isso tudo «eu só queria agradecer»...
E agradeço. Cada dia. Todos os dias...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Sepulcro vazio e sepulcros cheios"

Na manhã gloriosa e bendita da Páscoa, os discípulos, informados pelas mulheres, correm ao sepulcro e descobrem-no vazio! Aquele que tinham matado, Aquele que haviam intentado calar para sempre, Aquele que incomodava os instalados e adormecidos, a Quem haviam condenado à morte infame de Cruz, tinha Ressuscitado para oferecer a Sua vida e a Sua paz a quantos se haviam decidido a «morrer» com Ele para o «homem-velho» com todos os seus trajes de mentira e opulência, de vaidade e de orgulho, de ciúme e de inveja, de maledicência e apatia, de avareza e auto-suficiência para assumirem as vestes novas da verdade e da reconciliação, da pureza e da disponibilidade, da pobreza e do amor incondicional.
Na manhã gloriosa da Páscoa percebe-se a vitória definitiva da morte nas suas tantas e diversificadas traduções de cada tempo da História; na Páscoa ergue-se, para sempre, a eloquência do Evangelho e morre, para sempre, toda a tentativa de implantação e vitória dos «venenos» cuspidos de dentro de demasiados corações!
Páscoa que será sempre «tarefa inacabada», missão a cumprir, até que todos os corações humanos pulsem ao jeito do Ressuscitado; Páscoa é apelo a que os corações transfigurados em sepulcros ainda cheios de teimosia e «lixo» espiritual, social, existencial, se deixem esvaziar pela força da morte de Cristo e da Sua Ressurreição!
Porque somos livres, podemos ou não, celebrar na verdade a Páscoa de Jesus de Nazaré; podemos sempre optar por entoar «Glórias» e «Aleluias» e permanecer "túmulos caiados de branco por fora e cheios de podridão por dentro"!

Podemos falar, proclamar, pregar, o sepulcro vazio e permenecer sepulcros cheios de ociosidade, de orgulhos vãos, de falsidades e mentiras espiritualizadas!
Podemos rir e sorrir «gritando» a beleza do sepulcro vazio do Senhor e continuar sepulcros cheios de incredulidade da radicalidade e exigência evangélicas, antes predispostos e disponíveis para o fácil, o cómodo, a indiferença, a rotina, a obstinação do coração!

Aos discípulos de Emaús ardia-lhes o coração bem por dentro ao deixarem-se encontrar pelo Divino Peregrino que com eles Se põe a caminho...
A nós urge acontecer esse ardor e esse arder; importa correr, como eles, de regresso a «Jerusalém», à vida verdadeira, à fé consciente, à Páscoa da vida concreta...

De sepulcros cheios de «nada» e de «lixo» é tudo o que o mundo não precisa!
Ousemos «aspirar às coisas do Alto» neste Tempo Pascal que nos é agora dado viver. Seja a fecundidade espiritual própria deste Tempo a ter e revelar os traços da verdade e do empenhamento, da lucidez e da humildade, do bom senso e da gratuidade... para que o mundo creia na força indestrutível do sepulcro vazio do Senhor Jesus...
Web Analytics