"Sepulcro vazio e sepulcros cheios"
Na manhã gloriosa e bendita da Páscoa, os discípulos, informados pelas mulheres, correm ao sepulcro e descobrem-no vazio! Aquele que tinham matado, Aquele que haviam intentado calar para sempre, Aquele que incomodava os instalados e adormecidos, a Quem haviam condenado à morte infame de Cruz, tinha Ressuscitado para oferecer a Sua vida e a Sua paz a quantos se haviam decidido a «morrer» com Ele para o «homem-velho» com todos os seus trajes de mentira e opulência, de vaidade e de orgulho, de ciúme e de inveja, de maledicência e apatia, de avareza e auto-suficiência para assumirem as vestes novas da verdade e da reconciliação, da pureza e da disponibilidade, da pobreza e do amor incondicional.Na manhã gloriosa da Páscoa percebe-se a vitória definitiva da morte nas suas tantas e diversificadas traduções de cada tempo da História; na Páscoa ergue-se, para sempre, a eloquência do Evangelho e morre, para sempre, toda a tentativa de implantação e vitória dos «venenos» cuspidos de dentro de demasiados corações!
Páscoa que será sempre «tarefa inacabada», missão a cumprir, até que todos os corações humanos pulsem ao jeito do Ressuscitado; Páscoa é apelo a que os corações transfigurados em sepulcros ainda cheios de teimosia e «lixo» espiritual, social, existencial, se deixem esvaziar pela força da morte de Cristo e da Sua Ressurreição!
Porque somos livres, podemos ou não, celebrar na verdade a Páscoa de Jesus de Nazaré; podemos sempre optar por entoar «Glórias» e «Aleluias» e permanecer "túmulos caiados de branco por fora e cheios de podridão por dentro"!
Podemos falar, proclamar, pregar, o sepulcro vazio e permenecer sepulcros cheios de ociosidade, de orgulhos vãos, de falsidades e mentiras espiritualizadas!
Podemos rir e sorrir «gritando» a beleza do sepulcro vazio do Senhor e continuar sepulcros cheios de incredulidade da radicalidade e exigência evangélicas, antes predispostos e disponíveis para o fácil, o cómodo, a indiferença, a rotina, a obstinação do coração!
Aos discípulos de Emaús ardia-lhes o coração bem por dentro ao deixarem-se encontrar pelo Divino Peregrino que com eles Se põe a caminho...
A nós urge acontecer esse ardor e esse arder; importa correr, como eles, de regresso a «Jerusalém», à vida verdadeira, à fé consciente, à Páscoa da vida concreta...
De sepulcros cheios de «nada» e de «lixo» é tudo o que o mundo não precisa!
Ousemos «aspirar às coisas do Alto» neste Tempo Pascal que nos é agora dado viver. Seja a fecundidade espiritual própria deste Tempo a ter e revelar os traços da verdade e do empenhamento, da lucidez e da humildade, do bom senso e da gratuidade... para que o mundo creia na força indestrutível do sepulcro vazio do Senhor Jesus...

