"Nada de desculpas..."!
Nós não temos mais desculpas!
Se os gemidos e lamentos, se os apelos e lágrimas, se os silêncios e os desesperos dos nossos irmãos e irmãs já não são suficientes para nos acordarem, então que sejam escutadas as palavras do próprio Jesus: «Foi a Mim»!!!
E estas mesmas palavras têm de fazer «moça», tem de «mexer» com cada um de nós! Porque este é, necessariamente, um dos textos essenciais do Evangelho (ler Mt 25, 37)! Um texto que responde a todas as especulações e esforços para procurar Deus e dizemos não saber onde!
Esta palavra é, verdadeiramente, desconcertante!
Nós, muitas vezes, demasiadas vezes até, preferimos o Senhor dos nossos cânticos e das nossas orações! É, claro mais cómodo!
Graças a Deus que alguns já conseguiram fazer a passagem; que alguns já tomaram e levaram a sério a palavra de Deus; que alguns sabem e vivem a verdadeira Quaresma, o autêntico jejum, a renúncia generosa e fecunda...
Porém, muitos outros, muitos de nós, cristãos de «todos os dias» havemos de redescobrir a força, a carga e a ousadia dessa palavra de Jesus! Temos mesmo que converter ideias, conceitos e preconceitos, hábitos, «tranquilidades» «consciências serenas» para conseguir a beleza e ousadia do inconformismo, da desinstalação, do Evangelho em nós!
Não temos mais desculpas, de facto!
Jesus identifica-se com cada outro, entra em comunhão e unidade com cada coração e, a escolher, a preferir, a chamar de irmãos e de irmãs, abraça os pobres, os nús, os fracos, os doentes, os famintos, os presos, os rejeitados, do mundo e da Igreja!
Para nos ensinar o caminho; para nos «abrir os olhos» demasiadamente tão fechados para a caridade e o serviço, a generosidade e a partilha, a disponibilidade e a verdade, e tão abertos para espiritualismos sem vida nem coração, para piedades tão amorfas, tão desencarnadas da vida real, tão sem alma verdadeira!
Será o jejum de comida, de bebida, que agrada ao Senhor?!
Não será antes o jejum da indiferença e da apatia, dos egoísmos e das vaidades, das sobrancerias e comodismos?! Não será antes o jejum da opulência, da avareza, da «beatice» descontrolada e sem efeitos?!
«Foi a Mim»! «Foi a Mim» que o fizestes - ou deixastes de fazer!
Não, não temos mais desculpas!
Ele, o nosso Deus, aí está, de mão dada, de coração envolvido com o coração de cada um que chora à beira da vida porque escorraçados da nossa religiosidade cega, porque marginalizados pela nossa pressa «espiritualóide»!
Quaresma é esta oportunidade de reconhecer nos crucificados de hoje O Crucificado de sempre!


