domingo, 27 de fevereiro de 2011

A quem servir?

"Não podeis servir a Deus e ao dinheiro"!
Palavras sobejamente conhecidas, escutadas mas, simultaneamente, desacertadas com o palpitar da nossa própria vida!
O «dinheiro», o «ter», tornaram-se, desde há muito, os «amantes» - no mau sentido da palavra -  destes nossos corações; tentamos, com todas as forças, conciliar esses mesmos temas: «ter» e «ser», tarefa, de todo, impossível para cada um de nós!
A fé não rejeita o dinheiro; a fé combate a idolatria que dele - e das suas consequências - fazemos! A fé combate a primazia desse «deus» obstinado em conquistar a nossa existência, os nossos esforços, horizontes, princípios, valores...
Procurar primeiro o Reino de Deus e a sua justiça que tudo o mais no-lo será dado por acréscimo. Palavras, verdades, promessas, que saem do coração de Deus mas que, teimosamente, duvidamos, menosprezamos, ignoramos!
O nosso «amanhã», o nosso «devir», o nosso «futuro», as nossas «seguranças» e «certezas» de um «depois» melhor e seguro permanecem assentes naquilo que amealhámos, seja a conta bancária, o carro(s), a casa(s), a roupa(s), os bens materiais muito mais que em Deus! Com efeito, desejamos essa permanente conciliação entre «ser» de Deus e «ter» dinheiro! Impossível, segundo as palavras e a proposta de Jesus!
Então como fazer?
Decididamente, rezar!
Rezar para que nenhum outro «senhor», nenhuma outra «realidade» se transfigure em «amante» opressora e insatisfeita, da nossa própria vida. Rezar para que Deus aumente em nós o dom da fé no poder e na força da Sua Palavra. Rezar para que nesse «bom combate» entre o «ser» e o «ter» vença aquele primeiro que nos pode conquistar e alcançar aquela paz e aquela serenidade, aquela harmonia existencial e aquela felicidade que dinheiro algum do mundo consegue comprar! Rezar para acreditar mais na beleza do Evangelho que na «beleza» sempre efémera e pontual das coisas.... Rezar... sempre mais, a fim de que o nosso coração sossegue e se satisfaça n'Aquele que absolutizou Deus e secundarizou - sem as negar - todas as coisas!
Não, nunca conseguiremos servir a dois senhores! Por mais que tentemos, por mais esforços que façamos!
Desafiados, hoje, a passar de um paganismo «embrulhado» de religiosidade e «espiritualismos» alienantes a uma adesão de coração, de alma, a Cristo, manso, pobre, despojado, humilde, desejoso do Pai...
«De que valerá ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder-se a si mesmo?»!
Pois é, enquanto não nos «prendermos» a essa questão de fundo, corremos o risco de nos cansar, durante uma vida inteira, a vencer-nos e a convencer-nos, que valemos e somos pelo que temos! Erro crasso que nos pode «sair caro», onde o «dinheiro» não consegue solução!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"De mãos vazias"

"Venho para aprender a ser santo
Venho pedir, Senhor, a Tua ajuda.
Quero ser alegre e ser humilde.
Sei que com fé a vida muda.

Perdoa-me, ensina-me Senhor,
a ser melhor; a amar-Te mais. (bis)

Venho com as minhas mãos vazias.
Venho como um cego atrás da luz
Venho como criança perdida.
Venho aprender a amar Jesus".


Quantas vezes neste Estoril ecoou já esta música?
De quantos corações, aqui neste Estoril, subiu ao Céu esta mesma prece?
Neste Estoril, quantas mãos vazias se abriram já?
Quantos almas deste Estoril aprenderam mesmo a amar Jesus?
Bem sei que apenas e só Deus pode e consegue saber e responder a estas questões; que apenas Deus, que vê no segredo, pode e consegue entender a verdade do que dizemos e cantamos, a verdade daquilo que vivemos e anunciamos...
E ainda bem, pois que a cada um de nós compete apenas a perseverança desse cantar, desse sonhar, desse rezar!  A cada um de nós importa somente essa «teimosia» de não desistir de perdir perdão e ousar vir, dia após dia, aprender a amar Jesus, aprnder a amar a Cruz, aprender a ser santo.
Isso mesmo nos foi pedido este Domingo na Eucaristia: "Sede santos como o vosso Deus é Santo"; "Sede perfeitos como o vosso Pai do Céu é perfeito"!
Esse é o nosso caminho; por aí tem de avançar a nossa vontade e a nossa dedicação, o nosso esforço e os nossos desejos. Ser santo, ser perfeito, querer viver ao estilo e ao jeito de Jesus.
Por isso vimos, cada dia, cada Domingo, de mãos vazias para as encher de Graça e de Luz, de Vida e de Verdade, de Esperança e de Eternidade. A fim de podermos ser, no coração do mundo, testemunhas da Ressurreição, apóstolos de outro Reino, discípulos de outro Mestre...
Com humildade genuína, com simplicidade autêntica, como mendigos do eterno, buscamos mais e mais a Deus. A Sua vontade. A Sua Paz. A Sua Vida.
Aqui, neste Estoril, possa Deus encontrar corações - muitos, incontáveis - que mais não querem ou ambicionam senão mesmo serem santos, serem todos de Jesus...
É que é isso mesmo que o Estoril precisa acima de tudo: de homens e mulheres que desejem a santidade e a perfeição de Deus. Isso significa um mundo de irmãos, desprovidos de mentira e de rivalidade, de inveja e de a avareza, de pecado e de morte.
Cada dia, com as nossas mãos vazias, para as encher de Deus... que belo projecto, que fantástico desafio...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"Memórias de alguém..."

Estou, juntamente com outro sacerdote, e mais um grupo de leigos, a orientar um Cursilho de Cristandade. Uma experiência eclesial sempre determinante, marcante, insubstituível. Um grupo de 24 corações que, durante três dias, «afastados» do mundo, intenta descobrir ou redescobrir, as maravilhas de Deus realizadas pelo msitério da Pessoa, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
Um tempo que é vivido em mistério de oração, de partilha de vida e de experiências de fé; um tempo em que deixamos que Cristo tome posse dos nossos corações e da nossa boca para que seja Ele a o colocar em nós mesmos palavras de eficácia afim de que todos quantos nos escutem se deixem, sem medos, arrebatar por Esse Senhor da Galileia...
E por mais Cursilhos que jáa tenha vivido, cada um é novo e é diferente. Porque estamos nós mesmos diferentes, porque os «novos» são pessoas, vidas, corações diferentes. Mas onde permanece o essencial: o desejo desmesurado de levar o amor de Jesus a cada um destes corações. Como um dia alguém o trouxe até mim!
E porque não podemos guardar aquilo é o mais importante e valioso, há que o partilhar com os demais. E faz bem, e sabe bem, falar «das razões da nossa esperança» a tantos que d'Ele nunca ouviram falar, a muitos que d'Ele se afastaram ou d'Ele têm conjecturas e ideias deformadas!
Falar do amor de Deus, na nossa vida, é relembrar sempre as maravilhas do Céu sobre cada um de nós; é agradecer de novo, e sempre, tanta bênção, tanta graça, que às vezes o «mundo» nos faz relativizar, menosprezar, esquecer, desvalorizar.
E para falar do amor de Deus em mim tenho sempre de falar de tantos momento, incontáveis acontecimentos, diversificados corações, que marcaram a minha vida até agora... Por isso mesmo, viver um Cursilho de Cristandade, como responsável, é fazer «história» da nossa «história»; é reviver alegrias e sonhos, lágrimas e projectos, vidas, sorrisos, entregas, cumplicidades, desafios, corações, sempre todos tão concretos... e isso é, simplesmente, maravilhoso!
Nestes dias - até sábado bem à noite - recordo rostos e vidas a Jesus. Agradeço tantas vivências, bendigo múltiplos momentos, consagro, de novo, tantos corações...
É fazer «memória», um «filme da nossa vida», onde são muitos, são imensos, os protagonistas. E, como alguém canta, "sabe bem ter-te ao meu lado, sabe bem essa abraço apertado"! Mesmo que tenha o sabor agridoce da saudade, da ausência, da distância...
Mas essa mesma pessoa também canta: "por onde quer que o mundo nos leve, vou levar-te comigo... E há uma canção que um dia aprendi e eu hei-de cantá-la a pensar em ti..."!
É tarde! O cansaço deixa as suas marcas! E amanhã - logo - cada um destes corações precisa do meu pronto para amar e servir. E, como prometi a alguém, «no coração do Cursilho eu serei o amor»! Um amor limitado, frágil, pequeno, miserável, discreto, pobre, mas o amor...
Sintamo-nos unidos no Coração do Crucificado...
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