Palavras sobejamente conhecidas, escutadas mas, simultaneamente, desacertadas com o palpitar da nossa própria vida!
O «dinheiro», o «ter», tornaram-se, desde há muito, os «amantes» - no mau sentido da palavra - destes nossos corações; tentamos, com todas as forças, conciliar esses mesmos temas: «ter» e «ser», tarefa, de todo, impossível para cada um de nós!
A fé não rejeita o dinheiro; a fé combate a idolatria que dele - e das suas consequências - fazemos! A fé combate a primazia desse «deus» obstinado em conquistar a nossa existência, os nossos esforços, horizontes, princípios, valores...
Procurar primeiro o Reino de Deus e a sua justiça que tudo o mais no-lo será dado por acréscimo. Palavras, verdades, promessas, que saem do coração de Deus mas que, teimosamente, duvidamos, menosprezamos, ignoramos!
O nosso «amanhã», o nosso «devir», o nosso «futuro», as nossas «seguranças» e «certezas» de um «depois» melhor e seguro permanecem assentes naquilo que amealhámos, seja a conta bancária, o carro(s), a casa(s), a roupa(s), os bens materiais muito mais que em Deus! Com efeito, desejamos essa permanente conciliação entre «ser» de Deus e «ter» dinheiro! Impossível, segundo as palavras e a proposta de Jesus!
Então como fazer?
Decididamente, rezar!
Rezar para que nenhum outro «senhor», nenhuma outra «realidade» se transfigure em «amante» opressora e insatisfeita, da nossa própria vida. Rezar para que Deus aumente em nós o dom da fé no poder e na força da Sua Palavra. Rezar para que nesse «bom combate» entre o «ser» e o «ter» vença aquele primeiro que nos pode conquistar e alcançar aquela paz e aquela serenidade, aquela harmonia existencial e aquela felicidade que dinheiro algum do mundo consegue comprar! Rezar para acreditar mais na beleza do Evangelho que na «beleza» sempre efémera e pontual das coisas.... Rezar... sempre mais, a fim de que o nosso coração sossegue e se satisfaça n'Aquele que absolutizou Deus e secundarizou - sem as negar - todas as coisas!
Não, nunca conseguiremos servir a dois senhores! Por mais que tentemos, por mais esforços que façamos!
Desafiados, hoje, a passar de um paganismo «embrulhado» de religiosidade e «espiritualismos» alienantes a uma adesão de coração, de alma, a Cristo, manso, pobre, despojado, humilde, desejoso do Pai...
«De que valerá ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder-se a si mesmo?»!
Pois é, enquanto não nos «prendermos» a essa questão de fundo, corremos o risco de nos cansar, durante uma vida inteira, a vencer-nos e a convencer-nos, que valemos e somos pelo que temos! Erro crasso que nos pode «sair caro», onde o «dinheiro» não consegue solução!


