terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"De mãos vazias"

"Venho para aprender a ser santo
Venho pedir, Senhor, a Tua ajuda.
Quero ser alegre e ser humilde.
Sei que com fé a vida muda.

Perdoa-me, ensina-me Senhor,
a ser melhor; a amar-Te mais. (bis)

Venho com as minhas mãos vazias.
Venho como um cego atrás da luz
Venho como criança perdida.
Venho aprender a amar Jesus".


Quantas vezes neste Estoril ecoou já esta música?
De quantos corações, aqui neste Estoril, subiu ao Céu esta mesma prece?
Neste Estoril, quantas mãos vazias se abriram já?
Quantos almas deste Estoril aprenderam mesmo a amar Jesus?
Bem sei que apenas e só Deus pode e consegue saber e responder a estas questões; que apenas Deus, que vê no segredo, pode e consegue entender a verdade do que dizemos e cantamos, a verdade daquilo que vivemos e anunciamos...
E ainda bem, pois que a cada um de nós compete apenas a perseverança desse cantar, desse sonhar, desse rezar!  A cada um de nós importa somente essa «teimosia» de não desistir de perdir perdão e ousar vir, dia após dia, aprender a amar Jesus, aprnder a amar a Cruz, aprender a ser santo.
Isso mesmo nos foi pedido este Domingo na Eucaristia: "Sede santos como o vosso Deus é Santo"; "Sede perfeitos como o vosso Pai do Céu é perfeito"!
Esse é o nosso caminho; por aí tem de avançar a nossa vontade e a nossa dedicação, o nosso esforço e os nossos desejos. Ser santo, ser perfeito, querer viver ao estilo e ao jeito de Jesus.
Por isso vimos, cada dia, cada Domingo, de mãos vazias para as encher de Graça e de Luz, de Vida e de Verdade, de Esperança e de Eternidade. A fim de podermos ser, no coração do mundo, testemunhas da Ressurreição, apóstolos de outro Reino, discípulos de outro Mestre...
Com humildade genuína, com simplicidade autêntica, como mendigos do eterno, buscamos mais e mais a Deus. A Sua vontade. A Sua Paz. A Sua Vida.
Aqui, neste Estoril, possa Deus encontrar corações - muitos, incontáveis - que mais não querem ou ambicionam senão mesmo serem santos, serem todos de Jesus...
É que é isso mesmo que o Estoril precisa acima de tudo: de homens e mulheres que desejem a santidade e a perfeição de Deus. Isso significa um mundo de irmãos, desprovidos de mentira e de rivalidade, de inveja e de a avareza, de pecado e de morte.
Cada dia, com as nossas mãos vazias, para as encher de Deus... que belo projecto, que fantástico desafio...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"Memórias de alguém..."

Estou, juntamente com outro sacerdote, e mais um grupo de leigos, a orientar um Cursilho de Cristandade. Uma experiência eclesial sempre determinante, marcante, insubstituível. Um grupo de 24 corações que, durante três dias, «afastados» do mundo, intenta descobrir ou redescobrir, as maravilhas de Deus realizadas pelo msitério da Pessoa, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
Um tempo que é vivido em mistério de oração, de partilha de vida e de experiências de fé; um tempo em que deixamos que Cristo tome posse dos nossos corações e da nossa boca para que seja Ele a o colocar em nós mesmos palavras de eficácia afim de que todos quantos nos escutem se deixem, sem medos, arrebatar por Esse Senhor da Galileia...
E por mais Cursilhos que jáa tenha vivido, cada um é novo e é diferente. Porque estamos nós mesmos diferentes, porque os «novos» são pessoas, vidas, corações diferentes. Mas onde permanece o essencial: o desejo desmesurado de levar o amor de Jesus a cada um destes corações. Como um dia alguém o trouxe até mim!
E porque não podemos guardar aquilo é o mais importante e valioso, há que o partilhar com os demais. E faz bem, e sabe bem, falar «das razões da nossa esperança» a tantos que d'Ele nunca ouviram falar, a muitos que d'Ele se afastaram ou d'Ele têm conjecturas e ideias deformadas!
Falar do amor de Deus, na nossa vida, é relembrar sempre as maravilhas do Céu sobre cada um de nós; é agradecer de novo, e sempre, tanta bênção, tanta graça, que às vezes o «mundo» nos faz relativizar, menosprezar, esquecer, desvalorizar.
E para falar do amor de Deus em mim tenho sempre de falar de tantos momento, incontáveis acontecimentos, diversificados corações, que marcaram a minha vida até agora... Por isso mesmo, viver um Cursilho de Cristandade, como responsável, é fazer «história» da nossa «história»; é reviver alegrias e sonhos, lágrimas e projectos, vidas, sorrisos, entregas, cumplicidades, desafios, corações, sempre todos tão concretos... e isso é, simplesmente, maravilhoso!
Nestes dias - até sábado bem à noite - recordo rostos e vidas a Jesus. Agradeço tantas vivências, bendigo múltiplos momentos, consagro, de novo, tantos corações...
É fazer «memória», um «filme da nossa vida», onde são muitos, são imensos, os protagonistas. E, como alguém canta, "sabe bem ter-te ao meu lado, sabe bem essa abraço apertado"! Mesmo que tenha o sabor agridoce da saudade, da ausência, da distância...
Mas essa mesma pessoa também canta: "por onde quer que o mundo nos leve, vou levar-te comigo... E há uma canção que um dia aprendi e eu hei-de cantá-la a pensar em ti..."!
É tarde! O cansaço deixa as suas marcas! E amanhã - logo - cada um destes corações precisa do meu pronto para amar e servir. E, como prometi a alguém, «no coração do Cursilho eu serei o amor»! Um amor limitado, frágil, pequeno, miserável, discreto, pobre, mas o amor...
Sintamo-nos unidos no Coração do Crucificado...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Sempre mais do que eu sei dizer"

"Por mais que a vida nos agarre assim
Nos troque planos sem sequer pedir
Sem perguntar a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir

Eu sei que ainda somos imortais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se o meu caminho for para onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

Por mais que a vida nos agarre assim
Nos dê em troca do que nos roubou
Às vezes gogo e mar, loucura e chão
Às vezes só a cinza do que sobrou

Eu sei que ainda somos muito mais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se a minha vida for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer".


Esta fala-nos do Amor, de um Amor intenso, tal como o é, certamente, o Amor de Deus por cada um de nós; como o é, certamente, o amor humano quando vivido na sua íntegra e intensidade, na sua radicalidade e na sua beleza mais profundas.
Quantos "lugares ausentes" no nosso coração humano a precisarem ser preenchidos pela força do Divino, pela presença de Deus! Quantos sentimentos com traços de frugalidade, de ligeireza e de banalidade! Quantos afectos desordenados, interesseiros e ocos, pois que se negam à profundidade do coração e à exigência da doação!
Se a nossa vida for, tão simplesmente, pelos caminho por onde Deus vai, quão diferente seria esta mesma nossa vida, que renovado sentido faria o nosso peregrinar, tão longe iria o poder da nossa existência! Mas, porque fugimos ao amor, porque nos escondemos da verdade que realiza, porque nos envergonhamos dos laços que nos podem prender em liberdade, porque teimamos em erguer muralhas e barreiras à volta do peito, desviamo-nos do essencial, estragamos a beleza do amor, duvidamos da força da amizade pura e generosa, entregamo-nos ao simplismo de relações que preenchem as nossas agendas carentes de sociabilidade generalizada e sem consequências, derrubamo-nos a nós mesmos na estrada que foi sonhada para nós, rumo a um infinito que nem sonhamos!
Querer tanto ao Outro e a cada outro! Querer tanto, mas tanto, que não saberíamos viver sem O ter e sem os ter; querer tanto, sempre mais do que somos capazes de dizer, mil vezes mais do que sabemos sequer dizer!
Porquê teimar na superficialidade dos afectos e na mediocridade das relações, divinas e humanas?! Porquê adiar indefinidamente a força invencível do coração e do amor que aí se gera a cada instante?! Porquê convencermo-nos (nunca seremos verdadeiramente capazes) de que podemos prescindir da ternura, da amabilidade, do afecto, da generosidade, que curam, que salvam, que libertam?!
Como afirmava S. João, quem não ama o outro que vê e diz amar a Deus que não vê, é mentiroso! E quanta compulsividade nessa mentira! Quanta teimosia balofa e oca!
O Amor é sempre mais do que eu sei dizer!
Mas o Amor é ainda aquilo que, dia após dia, me faz viver!

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