quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Como Criança..."

Como Criança abandonada e confiante ao colo do pai, assim quero ser diante de Jesus meu Senhor e meu Deus, revelado plenitude do Amor no escândalo de uma Cruz!
Como Criança sedenta de ternura e de afecto do coração do pai, assim preciso de experimentar a paz e a beleza que brota d'Esse Coração divino trespassado por Amor também por mim!
Como uma Criança ergue o seu olhar para os olhos serenos e seguros do seu pai, assim eu desejo esse reerguer do meu próprio olhar para o olhar meigo e misericordioso de Cristo, apresentado como Redentor do que tenho e do que sou naquela estranha e incómoda posição, erguido num Madeiro ignominioso e infame!
Porque se não me tornar Criança não entrarei no Reino de Deus; porque se o meu coração não se assemelhar ao de uma Criança não pertencerei ao Reino dos Céus!
E eu quero ser de Deus, do Seu Reino, da Sua Glória, da Sua Paz, do Seu Coração. E eu quero experimentar o colo do Senhor Crucificado e Ressuscitado. E eu quero espantar-me eternamente com a doçura de Cristo Crucificado por Amor...
Mas tenho de ser Criança!
Tenho de, cada dia, aprender a caminhar para Ele; tenho de reaprender a linguagem simples de quem não sabe falar; tenho de ousar a confiança que segreda e desafia a seguir, seguir sempre, confiando na voz de Quem sabe...
Tenho de ser Criança!
De coração humilde, desejoso de saber mais e mais porque não se sabe rigorosamente nada se nao que vale a pena entregar-se e confiar n'Aquele que nos guia!
Criança de coração puro e límpido, que não faz juízos precipitados, que não condena, sem reservas nem barreiras, sem defesas, mas simplesmente aberto e decidido a segui-l'O para onde quer que Ele vá.
Tenho de ser Criança.
Que não tem vergonha nem medo de temer e de chorar, de rir e de sorrir, de se deixar surpreender e apaixonar pelas coisas simples e banais mas, simultaneamente, puras e verdadeiras.
Tenho de ser Criança!
Quero ser Criança!
Que aprende da e na escola do Coração de Deus que aquilo que vale, que vale imensamente mais que tudo, é exclusivamente o Amor que jorra d'Esse mesmo Coração trespassado.
Quero ser Criança! Preciso de ser Criança!
Para ser Homem de Deus, Homem todo de Deus!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

"A Vossa Vontade"

"Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade"!
Foi o refrão da Eucaristia Dominical deste II Domingo do Tempo Comum. E foi, pessoalmente, uma «viagem» emocional, espiritual, eclesial ao passado...
Com efeito, essas mesmas palavras foram cantadas na celebração da minha Ordenação Sacerdotal; foram entoadas de novo na Eucaristia a que presidi pela primeira vez; e têm sido proclamadas todas as vezes em que entro ao serviço de uma nova Comunidade.
Palavras que desde a «primeira hora» assumi como «programa de vida», como desafio perene a acolher no passo-a-passo do meu peregrinar ministerial...
Eu venho, Senhor, eu vivo, eu penso, eu estudo, eu rio e sorrio, eu choro, eu sonho e projecto, eu desejo e quero, para fazer a Vossa vontade!
Creio que apenas esse pode ser o caminho da nossa presença e da nossa pertença à fé, à Igreja, a Jesus Cristo. Apenas essa consegue ser a fonte da nossa paz e da nossa serenidade, da perseverança e da fidelidade a esse bem maior que é permanecer bem dentro do Coração de Deus.
Erguermo-nos cada dia, com essa consciência feliz, de que cada hora da existência é uma bênção e uma oportunidade única para fazer a Sua vontade.
Em detrimento da nossa própria vontade; deixando morrer estilos, preconceitos, verdades, medos e certezas, há mais ou menos tempo alojados no nosso interior, para que em tudo, e sempre, vivamos para fazer a Sua vontade.
Que suavidade experimentada, que luminosidade interior, quando cantamos com a simplicidade da nossa vida essas mesmas palavras: "Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade"!
Mesmo quando, humanamente, não apetece, quando «preguiças» e «apatias» intentam comandar a alma e o coração, é aí, precisamente, que havemos de gritar: "Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade"!
Ah, se nos deixássemos todos, a começar por mim próprio, envolver pelas consequências dessas palavras harmoniosas, desse «projecto» avassalador...
Ah, se quisessemos ser homens e mulheres de Deus a sério, trajando as vestes da humildade e da simplicidade, ornados de caridade e despojamento, de altruísmo e generosidade, como o mundo e a Igreja seriam tão distintos!
Sim, repitamos com paixão e entrega: "Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade"!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"Se quiseres, podes curar-me!"

Esta interjeição surgiu na proclamação do Evangelho várias vezes esta semana; este acto de fé, seja do homem cego, seja do homem leproso, não podem correr o risco de serem visualizados como episódios de um passado longínquo! Ao contrário, são o «sintoma» da nossa realidade humana, social, eclesial!
Uma interjeição, uma prece, uma atitude, que pode e deve ser «escola» de vida e de fé para cada um de nós; uma interiorização que nos há-de relembrar a mais bela das atitudes que pode comportar o nosso coração: a humildade!
Com efeito, apenas um coração simples e humilde consegue reconhecer as suas fraquezas e limites, consegue aceitar que está «doente», «cego», «leproso» ou «paralítico»! Mais: que apenas Jesus, na Sua misericórdia e salvação, pode ser a resposta a essa mesma debilidade exterior e interior!
Claramente somos os «cegos», os «coxos», os «paralíticos» e os «leprosos» deste tempo! Porque «embrulhados» em vaidades e egoísmos, em maledicências e banalidades de prioridades e decisões, em orgulhos vãos e palavras e atitudes que em nada enobrecem a fé que afirmamos ter! Somos os homens e mulheres deste tempo que têm que aprender a humildade daqueles homens e, prostrados, segredarem, implorarem a Jesus: "Senhor, se quiseres, podes curar-me"!
A nossa grande tentação é sempre a de olharmos os outros como os «doentes», aqueles que precisam de conversão, os que têm que mudar de atitudes e de posturas, os que têm que rezar e pedir a sua cura! A nossa tentação é sempre convencermo-nos da nossa sanidade metal, corporal, emocional e que portanto, não precisamos da humildade e da entrega, da simplicidade e do despojamento porque, afinal, «leprosos», «coxos», são sempre os outros!
Tremenda e falaciosa consciência!
Sou eu, somos nós, independentemente de cada outro, que há-de ousar um olhar profundo, sincero, interior, sobre si mesmo, para conseguir decobrir e redescobrir a «lepra» e a «cegueira» do próprio coração!
A preguiça, a apatia, a indiferença, o orgulho, a sobranceria, a auto-suficiência, a mesquinhez, a maldade, os juízos precipitados, o egoísmo, a avareza, etc., são «lepras» poderosas e «cegueira» corrosivas que vão aniquilando a liberdade e a paz que Cristo nos conquistou com o Seu Sangue!
O caminho é outro: humildade! Para dizer, de coração escancarado e sem defesas, sem muralhas e sem falsos moralismos: "Senhor, se quiseres, podes curar-me"!
A resposta do Céu é apenas uma: "Quero, fica curado"!
Queiramos nós, de verdade, aquilo que Deus quer...
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