sábado, 18 de dezembro de 2010

"Estou à tua porta a bater... se abrires entrarei para ficar"!

Estamos apenas a uma semana daquela Noite mais brilhante que o sol!
Alguns breves dias nos separam daquele momento indizível que transfigurou a história dos homens, que alterou, inclusive, a forma de contar e olhar o tempo!
Natal, realidade maravilhosa que se vislumbra num horizonte já tão próximo, tão real...
É Deus, que Se apresenta, de novo, pobre e frágil, simples e despojado, diante das nossas riquezas estéreis, diante das nossas futilidades endeusadas, diante dos nossos "nadas" para podermos ser, verdadeiramente, "tudo"!
É Deus que, decididamente, arrisca encontrar-Se com cada um de nós, apesar de sermos assim!
"Eu estou à tua porta a bater... se abrires entrarei para ficar"!
Como não escutar?!
Como não ousar?!
Como permanecer apático?!
Como fingir que não é comigo?!
Como desviar o olhar?!
Como endurecer ainda mais o coração?!
Como não ficar espantado, maravilhado, surpreso, diante do inimaginável?
Deus, à minha porta, da minha alma, do meu coração, a bater, a pedir para entrar, a suplicar seja Sua morada!...
Deus na Sua glória, na Sua majestade, no Seu poder, na Sua totalidade, a mendigar a minha fragilidade e pequenez, a suplicar a minha humildade e humanidade, para a preencher de omnipotência e de eternidade!
Abrem-se, diante de nós, as nuvens; chove-nos o Justo; o Desejado é enviado a vida e à história, simplesmente, para entrar, e permanecer, e cear comigo!
É uma "luz pequenina" que importa deixar brilhar!
É um "abraço forte que me conforta" que sobre mim quer descer, acontecer!
É Deus que me sussurra, no turbilhão e na voragem dos ruídos e dos barulhos deste tempo: "Eu estou à tua porta a bater... se me abrires entrarei para ficar"!
Que posso responder?
Vinde, Senhor, e salvai-nos!
Vinde depressa, Senhor, e salvai-nos!

domingo, 12 de dezembro de 2010

"Em nós ou fora de nós?"

A Palavra hoje proclamada é um forte apelo a uma séria reflexão interior sobre a verdade da nossa fé. A questão de João Baptista tem, necessariamente, de provocar em nós uma acção e uma reacção que implique transformação de coração!
"És tu aquele que há-de vir ou devemos esperar outro"?
És tu o Messias?
És tu o Salvador?
És tu a nossa paz?
És tu a resposta aos nossos porquês?
És tu a nossa vida?
À Igreja de hoje é lançada a mesma questão!
Aos cristãos desta hora é colocada a mesma interrogação!
O nosso mundo pergunta: és tu, Igreja, o rosto de Deus que vem? És tu, Igreja, quem nos mostra como é Deus? És tu, Igreja, a certeza da salvação que Jesus oferece? És tu, Igreja deste tempo, a morada da paz e da justiça, da verdade e do amor verdadeiros? É em ti, Igreja, que conseguimos descobrir a ternura e a misericórdia de Deus ou devemos buscar noutro lugar, noutra realidade? És em ti, Igreja, que conseguimos escutar a Palavra que salva e liberta ou devemos procurar outra verdade, outra Boa Nova, outro Evangelho?
É em ti, Igreja, que podemos redescobrir a simplicidade e a força do Presépio ou temos de buscar noutro lugar?
É em ti, povo de Deus, que encontramos a alegria da partilha e do despojamento ou teremos de olhar para outro lado?

Que conseguimos responder a estas questões existenciais dos homens nossos irmãos?
Como não sentir estas inquietações que pulsam bem no coração desta hora da história?
Como permanecer indiferente quando o homem contemporâneo grita tamanhas dúvidas?
Seremos nós, Igreja, este rosto amoroso de Deus?
Somos já a imagem serena e pacificadora d'Aquele Menino que é Deus?
Os pobres, os fracos, os oprimidos na sua dignidade, os famintos, os excluídos, marginalizados, os esquecidos, os tristes, os que choram, olham para nós, Igreja, e encontram alento, esperança, resposta, paz, vida?
Os afastados, os indiferentes, os que abandonaram a fé, descobrem na nossa postura, nas nossas palavras, no nosso testemunho, razões para tornarem a acreditar?
Aqueles tantos que duvidam, os descrentes, os "zangados" com a Igreja, olham para nós, cristãos, e espantam-se com a nossa generosidade e a nossa partilha, a nossa verdade e o nosso serviço, o nosso perdão e a nossa ternura?
Não terão que buscar Deus, procurar o Presépio, desejar a paz, descobrir a vida verdadeira fora de nós?!!!

Faltam ainda doze días para o Natal; podemos ainda deixar transfigurar o coração; estamos a tempo de converter sentimentos, atitudes, desejos, palavras...
Em nós ou fora de nós poderá o mundo redescobrir a beleza da fé e a paz que Jesus é?
Em nós ou fora de nós poderão os homens espantar-se com a harmonía e a transcendência do Presépio?
Em nós ou fora de nós poderá Deus nascer e voltar ao nosso mundo?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"Caminhos..."

"Levo-te comigo para não te perder"
Daqui a algumas breves horas estarei a partir para uma experiência, repetida e, porém, sempre nova: caminhar a pé até Fátima, Altar do mundo...
Serão três dias de caminho, marcados com a "rudeza" do silêncio neste nosso tempo de "sons" e de "barulhos"; marcados com a indigência desejada de ser capaz de me alimentar com  pão e água, símbolos da pequenez e de despojamento nesta sociedade de consumo tão desordenado quão desenfreado; marcados com a intensidade da oração e da contemplação, buscando abstrair de acessórios e banalidades que não raras vezes asfixiam a alma e sufocam os corações.
Caminhar, com frio ou calor, vento ou chuva, tormentas ou tempestades, mas caminhar, a fim de me deixar encontrar por Deus que me quer mais d'Ele, mais santo!
Mas não, não vou sozinho.
Neste início de Advento quero levar comigo este Estoril que me foi confiado; quero levar cada coração, cada família, cada sonho e cada dor, cada medo e cada esperança. E em cada passo, com maior ou menor dificuldade, entregar, oferecer, confiar, cada homem e mulher, jovem ou criança, que são o meu "eu", a razão do meu "ser" aqui e agora.
Sinto e pressinto que precisamos todos ser mais de Deus; que precisamos de rezar mais, muito mais; que urgem corações distintos, grandes, ricos, santos; que precisamos de re-equacionar a direcção dos caminhos que trilhamos; que precisamos de repensar prioridades, atitudes, desejos, certezas e verdades; que precisamos de aprender e reaprender o que significa "verdade", "perdão", "partilha", "transparência", "serviço", "frontalidade", "amor"...
Também por isso me predisponho a caminhar; também por isso quero fazer "deserto", não como quem foge ou se esconde mas, ao contrário, como quem busca o que vale mais, o essencial, o fundamental, e se sacia nos rios da simplicidade e da paz, da limpidez e da liberdade.
Como alguém canta, "levo-te comigo para não te perder"!
Queiras ou não, sintas que precisas ou não, fosse esse o teu desejo ou não, "levo-te comigo para não te perder" ó Estoril!
Para te entregar, de novo, como se fosse a primeira vez, para te consagrar, de novo, ao Coração Imaculado d'Aquela que nos doou o seu próprio filho.
E quando - eu sei que será assim - quando eu conseguir fitar o meu olhar no olhar da Mãe de Deus e me escorrerem as lágrimas pelo rosto, então sentirei, de novo, que não foram em vão os meus passos, os meus caminhos...
Porque tudo, mas absolutamente tudo, que é vivido por amor, vale sempre a pena ser vivido...
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