"Caminhos..."
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| "Levo-te comigo para não te perder" |
Serão três dias de caminho, marcados com a "rudeza" do silêncio neste nosso tempo de "sons" e de "barulhos"; marcados com a indigência desejada de ser capaz de me alimentar com pão e água, símbolos da pequenez e de despojamento nesta sociedade de consumo tão desordenado quão desenfreado; marcados com a intensidade da oração e da contemplação, buscando abstrair de acessórios e banalidades que não raras vezes asfixiam a alma e sufocam os corações.
Caminhar, com frio ou calor, vento ou chuva, tormentas ou tempestades, mas caminhar, a fim de me deixar encontrar por Deus que me quer mais d'Ele, mais santo!
Mas não, não vou sozinho.
Neste início de Advento quero levar comigo este Estoril que me foi confiado; quero levar cada coração, cada família, cada sonho e cada dor, cada medo e cada esperança. E em cada passo, com maior ou menor dificuldade, entregar, oferecer, confiar, cada homem e mulher, jovem ou criança, que são o meu "eu", a razão do meu "ser" aqui e agora.
Sinto e pressinto que precisamos todos ser mais de Deus; que precisamos de rezar mais, muito mais; que urgem corações distintos, grandes, ricos, santos; que precisamos de re-equacionar a direcção dos caminhos que trilhamos; que precisamos de repensar prioridades, atitudes, desejos, certezas e verdades; que precisamos de aprender e reaprender o que significa "verdade", "perdão", "partilha", "transparência", "serviço", "frontalidade", "amor"...
Também por isso me predisponho a caminhar; também por isso quero fazer "deserto", não como quem foge ou se esconde mas, ao contrário, como quem busca o que vale mais, o essencial, o fundamental, e se sacia nos rios da simplicidade e da paz, da limpidez e da liberdade.
Como alguém canta, "levo-te comigo para não te perder"!
Queiras ou não, sintas que precisas ou não, fosse esse o teu desejo ou não, "levo-te comigo para não te perder" ó Estoril!
Para te entregar, de novo, como se fosse a primeira vez, para te consagrar, de novo, ao Coração Imaculado d'Aquela que nos doou o seu próprio filho.
E quando - eu sei que será assim - quando eu conseguir fitar o meu olhar no olhar da Mãe de Deus e me escorrerem as lágrimas pelo rosto, então sentirei, de novo, que não foram em vão os meus passos, os meus caminhos...
Porque tudo, mas absolutamente tudo, que é vivido por amor, vale sempre a pena ser vivido...

