segunda-feira, 29 de novembro de 2010

De novo, Advento!

De novo, Advento!
Tempo favorável para recentrar sentimentos, atitudes, desejos, prioridades... tempo especial para repensar a verdade da fé que afirmamos possuir e ousar direccionarmo-nos rumo a Belém, essa «terra do espanto» e da «graça», esse «monte de vida e de verdade» que nos ofereceu a plenitude do ser.
De novo, Advento!
Oportunidade para «acordarmos dos sonos» tantos que nos submergem em mediocridades e «nadas» conseguindo somente a rotina asfixiante de um peregrinar rumo a lado nenhum!
Importa descobrir a novidade que vem; importa ousar a admiração da ternura de um Deus que Se faz gente, Se faz História, Se faz Vida bem no coração da nossa própria vida.
As nossas pressas e os nossos «stresses» desvirtuam a realidade e ofuscam a Luz que teima irromper nas noites da nossa existência. O ritmo do nosso tempo consegue distrair-nos do essencial. A auto-suficiência que nos domina sufoca essa capacidade tão bela e única que temos de ser, simplesmente, certeza de um Amor que não passa.
Diante de nós, umas breves quatro semanas para reaprendermos a harmonia e a paz de quem deseja fazer do amor e da verdade a bandeira dos seus passos.
«Mesmo que a vida mude os nossos sentidos e o mundo nos leve para longe de nós, e o tempo pareça perdido e tudo se desfaça», temos de guardar cada lugar que é d'Ele, e olhar, embevecidos, para o que significa uma Criança deitada em panos numa pobre e despojada manjedoira!
Porque o nosso olhar e o nosso coração estão habituados à espectacularidade de holofotes inebriantes, porque os nossos olhos se regalam sempre que as «palmas» e os «pódios» se erguem diante de nós mesmos, urge ainda mais a busca desse tempo e desse espaço que nos ensina a admirar, e a desejar, e  a amar, o silêncio, a obscuridade, o deserto, onde Deus Se revela e nos aponta o caminho de uma vida que nao engana nem se engana...
De novo, Advento. 
De novo, o apelo e o desafio a deixar-me ser homem de verdade. Onde Deus tem lugar bem no centro do meu coração. Onde Deus me maravilha e «embriaga» pela força da Sua fragilidade, pelo poder do Seu despojamento, pela riqueza da Sua pobreza, pela eternidade da Sua presença..
Vem, Senhor, e salvai-me.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

"Lugares de história e de vida"

Estou uns dias fora da paróquia; vim a Cracóvia, Polónia, a um lugar e a um "tempo" que têm um lugar especial na minha história e no meu coração...
Terra e história de João Paulo II. Espaço e tempo de uma vida que "deram vida ao mundo". Lugares que são raízes de tantas outras outras histórias e de momentos que incontáveis corações guardarão, agradecidos, nos seus próprios corações.
A chuva e o frio intensos que se fazem sentir, o cinzento dos dias não consegue ofuscar o brilho e a luz interior de quem trilha estes mesmos caminhos, de quem assume a beleza da história de fé que também aqui foi escrita com a vida, com entrega e generosidade, com esperança, perseverança e fé desmedidas.
Caminhando por ruas e vielas, entrando e abraçando o silêncio dos templos, agarrando a força da história aqui tão solenemente expressa e vivida, sublinho e aprendo a fecundidade da minha própria fé e acolho o perene desafio que permanentemente é lançado aos corações de cada tempo: "Faz-te ao largo"!
O ritmo da vida quotidiana, as pressas da contemporaneidade, o "stress" tão profícuo deste nosso tempo, precisam ser contrariados pela novidade e pelo espanto, pela surpresa e pela admiração de novas realidades e da aprendizagem sempre renovada do "belo" do "simples" da "ousadia" e do "sonho" tão características destes mesmos lugares.
Aqui tenho presentes todos aqueles que me estão confiados; aqui relembro os muitos corações que agora são a minha própria história. Aqui rezo por quantos são meus companheiros de viagem neste tempo e nesta hora...
Longe, mas sempre perto. Distante mas tão próximo...
Um abraço amigo, uma comunhão sincera, uma presença "distante" que é, afinal, tão próxima...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"Que queres que Eu te faça?"

Após uns dias de "silêncio" partilho de novo algum sentir e viver da alma que me habita...
Os dias são tremendamente longos, marcados com a tensão e paz que a própria vida envolve; os caminhos a percorrer mostram-se não raras vezes tortuosos e íngremes, difíceis e, simultaneamente, esperançosos.
O tempo, interior e exterior, nem sempre se identificam, entrecruzam-se com sonhos e vontades distintas e ausentes, com apelos e desafios ousados e monótonos, com determinações convictas e epidérmicas.
Mas Deus teima sempre em fazer-nos erguer o olhar.
Deus apela a cada instante a uma aventura de confiança e de entrega, de paixão desmedida e incondicional.
Deus provoca, segundo após segundo, a uma dedicação irrenunciável, a uma obediência imaculada, a um serviço abnegado.
E quando se ergue o olhar da alma e do coração, sempre que ousamos erguer a cabeça, não podemos deixar de nos deparar com uma Cruz e nela O Crucificado de braços abertos e de Coração trespassado. Aí, percebemos essa eterna "fonte" de amor e de paz, esse "manancial" de vida verdadeira e de eternidade que se experiencia já e agora.
As tempestades ofertadas pelo mundo conseguem sempre fazer balançar - mesmo assustar - a barca em que entrámos; os ventos às vezes tão fortes e imprevisíveis empurram para rotas e destinos jamais imaginados; por outro lado, a falta dele - desse vento e desse sopro - ajudam e conseguem uma sonolência que perturba, que amolece, que distrai e não desassossega!
São as margens da banalidade e as âncoras "seguras" da rotina, são os portos do comodismo e as malhas da mesquinhez que desejam, tão simplesmente, convencer-nos que nos tornamos pescadores de homens não saindo da pacatez e da ligeireza da nossa própria humanidade!
Mas a barca é de Deus; os mares pertencem-Lhe, a outra margem espera por nós e nela O Senhor da Vida.
Importa o caminho e a decisão de o abraçar.
Importa a audácia da fidelidade e o mergulhar em águas mais ou menos conhecidas.
Importa o perder medos e aflições diante de "ondas" e "vagas" nem sempre provenientes do "mar" do Evangelho nem da "Água viva que jorra para a eternidade" que se abatem sobre nós!
A certeza da fé impele a ir sempre mais além, mais longe, mais alto!
Ainda que seja decisivo multiplicar os esforços, mesmo que nos pareça humanamente inviável, os "velhos do Restelo" terão sempre os dias contados e a certeza do fracasso das suas falácias e dos seus "gritos" desencorajadores.
Hoje - como "ontem" ao cego de Jericó - Jesus pergunta-nos: "Que queres que Eu te faça?".
E nós apenas podemos e devemos responder: "Que eu veja, Senhor"!
Que nós vejamos a Luz de Deus na noite dos homens, o esplendor do Céu nas escuridões da humanidade, o brilho da eternidade nos cinzentos do efémero e do acidental que tantos abraçam como definitivo!
Que nós vejamos a imensidão da vida e da verdade quando alguns intentam apenas a valorização exterior e a cosmética do que se vê.
Que paz quando deixamos que Deus nos segrede: "Que queres que Eu te faça"?
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