De novo, Advento!
De novo, Advento!
Tempo favorável para recentrar sentimentos, atitudes, desejos, prioridades... tempo especial para repensar a verdade da fé que afirmamos possuir e ousar direccionarmo-nos rumo a Belém, essa «terra do espanto» e da «graça», esse «monte de vida e de verdade» que nos ofereceu a plenitude do ser.
De novo, Advento!
Oportunidade para «acordarmos dos sonos» tantos que nos submergem em mediocridades e «nadas» conseguindo somente a rotina asfixiante de um peregrinar rumo a lado nenhum!
Importa descobrir a novidade que vem; importa ousar a admiração da ternura de um Deus que Se faz gente, Se faz História, Se faz Vida bem no coração da nossa própria vida.
As nossas pressas e os nossos «stresses» desvirtuam a realidade e ofuscam a Luz que teima irromper nas noites da nossa existência. O ritmo do nosso tempo consegue distrair-nos do essencial. A auto-suficiência que nos domina sufoca essa capacidade tão bela e única que temos de ser, simplesmente, certeza de um Amor que não passa.
Diante de nós, umas breves quatro semanas para reaprendermos a harmonia e a paz de quem deseja fazer do amor e da verdade a bandeira dos seus passos.
«Mesmo que a vida mude os nossos sentidos e o mundo nos leve para longe de nós, e o tempo pareça perdido e tudo se desfaça», temos de guardar cada lugar que é d'Ele, e olhar, embevecidos, para o que significa uma Criança deitada em panos numa pobre e despojada manjedoira!
Porque o nosso olhar e o nosso coração estão habituados à espectacularidade de holofotes inebriantes, porque os nossos olhos se regalam sempre que as «palmas» e os «pódios» se erguem diante de nós mesmos, urge ainda mais a busca desse tempo e desse espaço que nos ensina a admirar, e a desejar, e a amar, o silêncio, a obscuridade, o deserto, onde Deus Se revela e nos aponta o caminho de uma vida que nao engana nem se engana...
De novo, Advento.
De novo, o apelo e o desafio a deixar-me ser homem de verdade. Onde Deus tem lugar bem no centro do meu coração. Onde Deus me maravilha e «embriaga» pela força da Sua fragilidade, pelo poder do Seu despojamento, pela riqueza da Sua pobreza, pela eternidade da Sua presença..
Vem, Senhor, e salvai-me.

