domingo, 19 de setembro de 2010

"Muda tudo até o mundo"

"É por amor que se aceita e também se diz que não
Só por amor se rejeita outro amor outra paixão
É por amor que se cai, ou se vence ou se resiste
Por amor nada nos dói, por ele não se desiste

É por amor que nos damos a quem não gosta de nós
É por amor que cantamos até já não termos voz
É por amor que se aposta toda a vida num segundo
Porque quando a gente gosta muda tudo até o mundo".

É verdade que se trata da letra de um fado.
Mas não é menos verdade que ele nos fala, relembra, de algo que teimosamente este nosso tempo teima esquecer. Não é menos verdade que estas palavras sublinham uma verdade maior que deveríamos deixar comandar o pulsar dos nossos corações.
«É por amor»!
Ou não é!
E a não ser, tudo quanto somos, dizemos, pensamos ou fazemos, fica comprometido.
O amor muda tudo, até o mundo.
O amor - bem sei que é uma palavra gasta, banalizada, mal tratada - é algo que nos há-de seduzir, arrebatar, conquistar. O amor é aquela «verdade» e aquele «sentir», aquela «experiência» e aquele «horizonte» que tem de nos definir enquanto pessoas e enquanto cristãos.
Bento XVI afirmava há tempos que «só o amor pode salvar o mundo».
E não será exagero afirmar que só o amor pode salvar a Igreja; só o amor pode salvar o homem que somos.
Esse amor que nos faz dizer «sim» e dizer «não»; esse amor que nos leva à aventura do perdão e da reconciliação; esse amor que nos impede de olhar fixamente e em exclusivo para o nosso umbigo; esse amor que nos faz esquecer de nós para corrermos em busca de cada outro; esse amor que, ao jeito de Jesus, nos impele a dar a própria vida e porque a isso somos chamados.
Por isso faz sentido cantar - com a voz e com a vida - que o amor muda tudo até o mundo.
A começar pelo mundo que nós somos, o mundo do nosso coração, o mundo do nosso pensar, o mundo do nosso olhar, o mundo do nosso desejar, o mundo do nosso sentir...
O amor como base sólida de cada amanhecer, enquanto nos for dado o dom de experienciar cada alvorecer, transfiguraria sobremaneira esta nossa humanidade.
Um pequeno passo, um simples desejo, uma humilde sentimento, uma «usada» palavra: amor.
Caminho verdadeiro que nos enche e nos preenche, estrada com sentido e sem fim, que muda tudo, até o mundo...
Um fado... cantado.
Um caminho... vivido.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

"Consolação"

"Senhor, quanta tristeza vejo em Teu olhar,
Gostava de Te consolar.
Eu sei que sofres tanto sem o meu amor,

"Hão-de olhar para Aquele que trespassaram..."
Senhor, eu quero ser melhor.
Senhor, às vezes nem me lembro de rezar, Às vezes esqueço-me de Ti.
Senhor, Tu sofres quando eu não sei amar,
Pois Tu sempre pensaste em mim.
Amor me dás sempre que venho aqui
Amor que dás sem nunca t´O pedir,
Eu sei que, em Ti, sempre vou encontrar.
Senhor, eu quero, assim poder amar.
E vou tentar, Senhor e hei-de conseguir
A minha vida vou mudar.
Gostava tanto que deixasses de sofrer!
Senhor, só quero ajudar".

Celebramos hoje a Festa da Exaltação da Santa Cruz!
Desafiados a erguer o olhar e deixarmo-nos espantar sobremaneira por esse «sinal» que escandaliza, provoca e desinstá-la, abraça e serena: a Cruz.
Demasiadas vezes obcecados com o nosso «umbigo», frequentemente fechados nas nossas próprias redomas, nao conseguimos já vislumbrar esse poderoso testemunho de Deus manifestado e revelado na «fraqueza» de uma Cruz, na humilhação de uma Morte que nos alcança a Vida!
Olhar a Cruz!
Contemplá-la!
Adorá-la!
Porque nela Aquele que de tal modo nos ama que Se entrega até ao fim do Seu fim!
Erguer, reerguer o olhar para poder ver - com os olhos da alma e do coração - o «estrondo» da Cruz, a força do Amor, a eloquência da Paixão de Deus por aquilo que é cada um de nós.
Naquele Coração trespassado, n'Aquele Lado aberto, eu caibo, tu cabes... eu posso entrar, tu podes entrar...
No cimo de um Madeiro, eis Deus que espera o encontro, o abraço, derradeiro, definitivo!
Consolá-l'O diante de tamanho Amor!
Porque a ingratidão humana teima, porque o egoísmo dos homens grassa, porque o nosso pecado obscurece a beleza da vida, importa consolál'O com o nosso coração disposto à paz e à reconciliação, à verdade e à justiça, à generosidade e à simplicidade...
Ele sofre quando eu não quero amar!
Aí, nesse momento de fraqueza, ergamos o olhar!
Contemplemos Deus de braços abertos nesse esforço divino de abraçar toda a humanidade.
Contemplemos Deus de Coração aberto buscando apenas o desejo de n'Ele redescobrirmos o nosso verdadeiro repouso.
A Cruz, sim, a Cruz, não pode mais ser um mero sinal exterior, um banal amuleto, que ostentamos no nosso peito!
A Cruz, o Crucificado, o Abandonado, Aquele que pede a minha consolação, o Amor, não é amado.
Ergamo-nos, decididos, para que a nossa vida, toda ela, nas coisas simples e banais do nosso quotidiano, seja um hino de consolação.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Perder? Ganhar?

"ESTA ES LA HISTORIA DE UN MENDIGO
A QUIEN DIOS DECIDIO VISITARLE
ENTERADO DE ESTA NOTICIA
SE DECIA A SI MISMO
DIOS VIENE A VERME
POR FIN ME DARA TODO LO QUE NECESITO
EL SEÑOR LLEGO HASTA DONDE EL
Y DE RODILLAS LE PIDIO
DAME ALGO DE TI
A EL MENDIGO LE DIO MUCHA RABIA
ESA ACTITUD DE DIOS
ENFADADO SACO DE SU BOLSA UN TROCITO DE PAN
Y SE LO DIO

EL SEÑOR LE BESO EFUSIVAMENTE
Y MUY AGRADECIDO SE MARCHO
MUCHO TIEMPO DESPUES
EL MENDIGO VOLVIO A ABRIR SU BOLSA
Y SE ENCONTRO EN ELLA
UNA HERMOSA MIGA DE PAN DE ORO
ENTONCES SE DIJO
QUE BUENO ES DIOS
AHORA COMPRENDO
POR QUE ME PEDIA EL A MI

QUIEN PIERDE SU VIDA POR MI
LA ENCONTRARA, LA ENCONTRARA, LA ENCONTRARA

QUIEN DEJA A SU PADRE POR MI
SU MADRE POR MI
ME ENCONTRARA, ME ENCONTRARA
NO TENGAS MIEDO, NO TENGAS MIEDO
YO ESTOY AQUI, YO ESTOY AQUI

QUIEN DEJA SU TIERRA POR MI
SUS BIENES POR MI, SUS HIJOS POR MI
ME ENCONTRARA
NO TENGAS MIEDO,
YO CONOZCO A QUIENES ELEJI
A QUIENES ELEJI
QUIEN PIERDE SU VIDA POR MI
LA ENCONTRARA, LA ENCONTRARA, LA ENCONTRARA"...

Não seriam precisas palavras diante destas!
Elas falam eloquentemente da verdade maior no coração do que crê verdadeiramente; elas relembram a relação, o mistério, a beleza e a gratuidade de Deus para com cada um de nós.
Ao «olhar» para o horizonte que se ergue diante de mim, um novo ano pastoral com tudo o que isso significa de sonho e de trabalho, de medo e de esperança, de novidade e de entrega, de receios e de sorrisos, de graça e de desgraça, estas palavras, verdadeiramente, soam como bálsamo que serena o coração, fortifica a humanidade, suaviza a alma, desafia o espírito...
Perder para ganhar!
Perder-se para ser ganho!
Perder-se para ser encontrado!
Perder-se para viver verdadeiramente!
Uma longa estrada a percorrer; um caminho que oferecerá obstáculos e paisagens maravilhosas, trilhos que precisarão de esforço, persistência, confiança, abnegação, perda para que se torne ganho, vitória, encontro, meta, vida.
Caminho desconcertante, para muitos obsoleto, para tantos outros sem sentido...
Caminho de perda de nós mesmos para sermos, a sério, ricos e grandes, fortes e únicos...
Caminho de sentido único para quem tem o dom da fé, da esperança e da caridade no coração.
Caminho de verdade e de vida para quem não se deixa conformar com os descaminhos apontados como futuro prometedor, mas claramente vazios de saídas e de regressos!
Perder, gastar, a vida por Deus para a reencontrar mais plena, mais forte, maior.
Só assim faz sentido recomeçar; apenas dessa forma conseguiremos «passar à outra margem do lago»; estrada de Damasco que nos permitirá o encontro com o Deus da vida verdadeira.
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