quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Perder? Ganhar?

"ESTA ES LA HISTORIA DE UN MENDIGO
A QUIEN DIOS DECIDIO VISITARLE
ENTERADO DE ESTA NOTICIA
SE DECIA A SI MISMO
DIOS VIENE A VERME
POR FIN ME DARA TODO LO QUE NECESITO
EL SEÑOR LLEGO HASTA DONDE EL
Y DE RODILLAS LE PIDIO
DAME ALGO DE TI
A EL MENDIGO LE DIO MUCHA RABIA
ESA ACTITUD DE DIOS
ENFADADO SACO DE SU BOLSA UN TROCITO DE PAN
Y SE LO DIO

EL SEÑOR LE BESO EFUSIVAMENTE
Y MUY AGRADECIDO SE MARCHO
MUCHO TIEMPO DESPUES
EL MENDIGO VOLVIO A ABRIR SU BOLSA
Y SE ENCONTRO EN ELLA
UNA HERMOSA MIGA DE PAN DE ORO
ENTONCES SE DIJO
QUE BUENO ES DIOS
AHORA COMPRENDO
POR QUE ME PEDIA EL A MI

QUIEN PIERDE SU VIDA POR MI
LA ENCONTRARA, LA ENCONTRARA, LA ENCONTRARA

QUIEN DEJA A SU PADRE POR MI
SU MADRE POR MI
ME ENCONTRARA, ME ENCONTRARA
NO TENGAS MIEDO, NO TENGAS MIEDO
YO ESTOY AQUI, YO ESTOY AQUI

QUIEN DEJA SU TIERRA POR MI
SUS BIENES POR MI, SUS HIJOS POR MI
ME ENCONTRARA
NO TENGAS MIEDO,
YO CONOZCO A QUIENES ELEJI
A QUIENES ELEJI
QUIEN PIERDE SU VIDA POR MI
LA ENCONTRARA, LA ENCONTRARA, LA ENCONTRARA"...

Não seriam precisas palavras diante destas!
Elas falam eloquentemente da verdade maior no coração do que crê verdadeiramente; elas relembram a relação, o mistério, a beleza e a gratuidade de Deus para com cada um de nós.
Ao «olhar» para o horizonte que se ergue diante de mim, um novo ano pastoral com tudo o que isso significa de sonho e de trabalho, de medo e de esperança, de novidade e de entrega, de receios e de sorrisos, de graça e de desgraça, estas palavras, verdadeiramente, soam como bálsamo que serena o coração, fortifica a humanidade, suaviza a alma, desafia o espírito...
Perder para ganhar!
Perder-se para ser ganho!
Perder-se para ser encontrado!
Perder-se para viver verdadeiramente!
Uma longa estrada a percorrer; um caminho que oferecerá obstáculos e paisagens maravilhosas, trilhos que precisarão de esforço, persistência, confiança, abnegação, perda para que se torne ganho, vitória, encontro, meta, vida.
Caminho desconcertante, para muitos obsoleto, para tantos outros sem sentido...
Caminho de perda de nós mesmos para sermos, a sério, ricos e grandes, fortes e únicos...
Caminho de sentido único para quem tem o dom da fé, da esperança e da caridade no coração.
Caminho de verdade e de vida para quem não se deixa conformar com os descaminhos apontados como futuro prometedor, mas claramente vazios de saídas e de regressos!
Perder, gastar, a vida por Deus para a reencontrar mais plena, mais forte, maior.
Só assim faz sentido recomeçar; apenas dessa forma conseguiremos «passar à outra margem do lago»; estrada de Damasco que nos permitirá o encontro com o Deus da vida verdadeira.

domingo, 5 de setembro de 2010

"Deus é assim"

"Deus é assim... sabe mesmo arrebatar!
Inquieta a alma e entra assim, sem avisar..."

De forma muita intensa e muito bela, muito profunda e agradecida, vivi hoje na minha Comunidade estas palavras certeiras e concretas, objectivas, reais, acontecidas, amadas...
Quatro jovens desta Paróquia testemunharam hoje, diante de centenas de paroquianos a sua decisão de entrarem amanhã no Seminário. Dois recomeçam a caminhada; os outros dois entram pela primeira vez nessa «estrada» de discernimento, de busca, de desejo autêntico de quererem ser mais e mais de Deus.
Percebemos naqueles corações grandes como Deus sabe mesmo arrebatar!

Olhamos e acreditamos naquelas palavras partilhadas como Deus inquieta, desassossega a alma e entra assim, sem avisar!
Neste «sim» de cada um destes jovens acolhemos as maravilhas de Deus que teima em amar e salvar o Seu Povo, a Sua Igreja. Projectos, sonhos, desejos, expectativas, pessoais que decidem secundarizar para intentarem descobrir a vontade de Deus a seu respeito. Sinais de que Jesus continua a apaixonar profundamente, a arrebatar e a seduzir imensamente.
Como me senti grato diante daqueles jovens e dos seus testemunhos.
Como senti uma alegria e comoção indizíveis ao olhá-los, escutá-los, amá-los, pois que se predispõem a dar a vida por mim, por cada outro, pela Igreja.
Independentemente do fim do caminho a que essa mesmaestrada levar, cada um tornou-se, hoje, para mim, para nós, luz de esperança que me fizeram renascer. Foram "minha estrada de Damasco, trilho de Emaús... Hoje sei que renasci ao conhecer-te, pois ao encontrar-te, ao encontrar-te, eu redescobri Jesus".
O corpo está cansado, exausto, após mais um Domingo carregado de actividades.
A alma serena, leve, suave, agradecida...
Por esses quatro jovens que amanhã entrarão no Seminário.
Por esses outros, muitos mais, que neste preciso momento rezam o Terço no Paredão...
Por cada um desses corações generosos, rebeldes, irreverentes, fracos e frágeis, às vezes irresponsáveis e incoerentes, mas corações inquietos, à procura, desejando mais e melhor...
E é em corações assim, desassossegados, que Deus teima e consegue arrebatar, que Deus provoca, inquieta e entra assim, sem avisar...
Bendito seja Deus!
"Não é digno de Mim"

«Se alguém ver ter comigo e não Me preferir aos seus familiares, não pode ser meu discípulo; quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo; quem não renunciar a todos os seus bens, não pode ser Meu discípulo».
Palavras exigentes do Senhor Jesus, que provocam a nossa inércia e apatia; palavras que desassossegam os nossos comodismos e instalações, que desarmam as nossas consciências sempre tranquilas e serenas diante do que já fizemos, partilhámos ou vivemos!
Estas sentenças de Jesus, escutadas no Evangelho deste Domingo, pretendem definir as verdadeiras características do discípulo. Quando pensamos e nos convencemos que somos de Deus porque celebramos a Eucaristia, fazemos as nossas orações, abraçamos determinadas espiritualidades, o Mestre da Galileia vem esclarecer-nos que apenas somos d'Ele na medida em que O colocamos, profunda e autenticamente, no centro da nossa existência, quando O temos como meta e horizonte do nosso caminhar, como razão primeira e última da nossa vida.
Ser discípulo é mais, é imensamente mais, do que uma simples pertença sócio-religiosa! É mais, é imensamente mais, que um gesticular de rituais ou o afirmar de verdades dogmáticas, por mais profundas, sábias ou espirituais que elas sejam!
Com efeito, a Jesus nunca lhe importou a «massificação» de seguidores, a quantidade de aderentes; ao Mestre de Nazaré importava a qualidade dos discípulos, a pureza e verdade dos seus corações, a adesão gratuita e incondicional das Suas propostas, por mais radicais ou utópicas com que as possamos definir!
O medo dessas palavras, a ligeireza com que demasiadas vezes escutamos a Palavra proclamada, a supérflua interpretação que dela fazemos, segundo os nossos critérios sempre tão terrenos e mundanos, apenas conseguem a adulteração daquilo que Jesus pede à Igreja, a cada um de nós!
Continuo a acreditar que é a exigência que nos prende, que nos seduz e apaixona a grandes ideais. O facilitismo das propostas do tempo actual não conseguem arrebatar as nossas forças, energias e entusiasmos profundos.
Hoje é relembrado a cada um de nós a força de uma Palavra, que incomoda, que desinstala e desassossega. Mas uma Palavra que, feita vida em nós, se transforma em sal e fermento de uma nova humanidade. Escolher Jesus e o Seu Reino, em detrimento dos mais nobres valores e ideais humanos será sempre o único caminho para a pertença ao Céu.
Intentar «baixar a fasquia» da exigência evangélica apenas nos alcançará como resposta a questão sempre actual e pertinente de Jesus: "Também vós vos quereis ir embora?".
"A quem iremos nós, Senhor; só Tu tens palavras de vida eterna" , respondeu Pedro, já consciente da sua fragilidade e pretensão mundana!
Sejamos nós capazes de acreditar que a Palavra de Deus vale mais, imensamente mais, que todas as palavras humanas e decidamo-nos a esse seguimento incondicional.
Aquilo que sempre será considerado loucura para o mundo, torna-se, na fé, sabedoria de Deus. E apenas essa mesma sabedoria nos importa alcançar e viver.
Na verdade, temos de acreditar que não importa tanto sermos muitos; vale apenas sermos bons, sermos santos. Apenas dessa forma seremos "sal da terra e luz do mundo"!
Na medida da nossa entrega confiante a essa Palavra nos escusaremos a escutar aquela outra: "Não é digno de Mim"!
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