sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"Um sopro, um brilho..."

"Eu sinto que vem do céu
Um sopro leve,
Um vento quente que nos aquece,
Um sopro vivo que vem de Deus.
Um vento que acalma o ser
"Passo a passo... pegaremos fogo ao mundo"
E envolve a alma
Do mesmo modo que o mar se acalma
Logo que as ondas se vão deitar

Eu sinto que vem do céu
Um amor imenso
Que se transforma em nuvens de incenso
Um amor suave que vem de Deus
Um amor que nos transforma e alumia
Tal como a noite dá a vez ao dia
Quando as estrelas se vão deitar".

Não se consegue negar que «paira» no «ar» que nos rodeia algo de novo, de diferente, de gozoso, de encantador.
Há um brilho no olhar, no sorrir, no andar, no viver.
Se nos atrevermos a perscrutar que «brisa» ou que «sopro» nos envolve, depressa perceberemos a Fonte dessa força e dessa beleza que nos quer contagiar a todos: Deus.
Adolescentes, jovens, acabados de chegar dos Campos de Fé(rias), trazem tatuados no coração os sentimentos próprios de quem se deixou encontrar e arrebatar por Deus. Eles são a tradução mais perfeita e e actualizada desse «amor que nos transforma e alumia», desse «amor suave que vem de Deus». Eles são a certeza da nossa aposta, a paz e a verdade que outros ventos teimam roubar-nos, a transparência e o sonho que deixámos de abraçar. Eles revelam aquela profundidade e aquela alegria que perdemos com facilidade. Eles são a harmonia bonita apesar das suas fraquezas, rebeldias e fragilidades.
Eles são «vento quente que nos aquece», são «aragem serena que nos refresca», «vento que acalma o ser e envolve a alma».
Saber ser, querer ser, aprendiz desse «vento», desse «sopro» que esses nobres corações nos oferecem!Perceber, acreditar, aceitar, que nós adultos podemos também ser cumplicidade dessa alegria e dessa «garra», sempre que nos despimos das roupagens da aparência e da imagem que nos envolve, seduz e vence!
Tornar a crer no coração. Nesse santuário de vida verdadeira, nessa torrente de humanidade e de gozo que podem transformar-nos em «novidade» permanente para o mundo que nos rodeia.
Tornar a crer nos afectos, na ternura, nos sentimentos. Derrubando muralhas e construindo pontes, para que Deus nos olhe e possa, simplesmente, sorrir.
Brilho novo no olhar, no andar, no viver, que tem a potencialidade de nos contagiar a nós; a outra possibilidade é a de sermos «apagadores» desse «fogo» que nos arde bem diante dos olhos. O medo ou a ousadia, o comodismo ou a aventura, a inércia ou o compromisso, são os trilhos que havemos de percorrer.
Qual será a nossa escolha?
Porque, com mais ou menos consciência, teimosamente, permanecerá sobre nós "um sopro leve, um vento quente que nos aquece, um sopro vivo que vem de Deus".

domingo, 29 de agosto de 2010

"Abraço"

"Dá-me um abraço que seja forte
E me conforte a cada canto
Não digas nada que o nada é tanto
E eu não me importo
Dá-me um abraço fica por perto
Neste aperto tão pouco espaço
Não quero mais nada, só o silêncio
Do teu abraço
Já me perdi sem rumo certo
Já me venci pelo cansaço
E estando longe, estive tão perto
Do teu abraço
Dá-me um abraço que me desperte
E me aperte sem me apertar
Que eu já estou perto abre os teus braços
Quando eu chegar
É nesse abraço que eu descanso
Esse espaço que me sossega
E quando possas dá-me outro abraço
Só um não chega".

Não sei se fomos nós que soletrámos a letra desta canção se foi o senhor Santiago que no-la cantou a nós!
Sei, sinto, simplesmente, que estas são as palavras dos nossos corações.
Feito, percorrido, vivido, o longo Caminho, aquele Abraço tornava-se vida, alento, sentido e razão da nossa aventura.
Um abraço forte, que nos conforte, um abraço que me aperte e me desperte...
Um abraço que nos garanta essa proximidade do essencial e do eterno, experimentado na simplicidade e na beleza simultâneas dos nossos passos percorridos. Um abraço que segure e nos aperte, nos mantenha e nos catapulte para esse desejo nada escondido de «pegar fogo ao mundo inteiro».
O que vivemos, o que sentimos, o que experienciámos, será sempre impossível de dizer ou definir; apenas conseguimos a singeleza manifesta do abraço que recebemos e que demos uns aos outros, ao Apóstolo, ao Senhor.
Nem queremos mais nada senão mesmo esse silêncio, tradução da festa que invade as nossas almas; esse abraço silencioso que «grita», de novo, «Nada nos separará, nada nos separará do Amor de Deus»!
Oxalá consigamos reter a força desse Abraço.
Oxalá possamos guardar infinitamente o segredo que nos foi confiado nesse Abraço: «Gosto de ti, preciso de ti»!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

“Caminhos”

Temos vivido experiências únicas, irrepetíveis mesmo.
O desafio, a aventura, o desconhecido, as dificuldades, o esforço, a vontade de prosseguir, a fé partilhada, a alegria sobejamente manifesta, o Pão vivo como graça e fortaleza quotidiana, são características dos passos que temos experienciado.
Dá gozo à alma e ao coração, apaixona a vontade, relança a esperança, ao olhar e contemplar as dúvidas e os anseios, os medos e os sonhos, as inseguranças e as certezas já conquistadas destes jovens corações.
O cansaço parece, às vezes, querer vencer este combate.
As dificuldades próprias do caminho intentam convencer-nos a parar e a desistir.
Mas eis que nesses precisos momentos aparecem mãos auxiliadoras, corações reconfortantes, vidas cúmplices a «puxarem» e a «gritarem» bem de dentro: vem daí!
Caminhos de Santiago que, afinal, prefiguram os caminhos da nossa vida.
Tortuosos, difíceis, íngremes, incertos, serenos, rectos, belos, sedutores, como são os caminhos do nosso quotidiano.
Hoje sinto, de novo, esta alegria própria de quem se deixa envolver pela beleza da ousadia, de quem teima acreditar na nobreza, às vezes escondida, da juventude.
Provo, comprovo, de novo, que precisam de tempo, de ternura, de ouvidos que escutem de verdade, de «colo» a fim de serem capazes de se despirem das máscaras que este nosso tempo, a nossa cultura, por vezes as próprias famílias, lhes impõe!
Afinal, nas suas rebeldias e irreverências, manifestam uma vontade de personalidade; estão a dizer-nos que precisam de nós, adultos, nas suas guerras e combates, nos seus êxitos e fracassos, nas suas derrotas e nos seus sonhos.
E onde estamos nós?
Por que caminhos seguimos?
Bem ao lado deles ou distraídos e distanciados daquilo que eles são e querem verdadeiramente?
Fazer os Caminhos de Santiago com esta centena de corações ávidos de «mais» de «melhor», são apelo a mudar de atitude, atenção, disponibilidade, presença. Eles serão num futuro próximo a beleza e a verdade, a justiça e a exigência, a caridade e a solidariedade que eu for para eles hoje!
Amanhã, amanhã, pode ser tarde!
Ousemos fazer nossos os caminhos dos que são nossos!
Eles serão a nossa paz, a nossa alegria, a nossa vida redescoberta de sentido e de plenitude.
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