domingo, 29 de agosto de 2010

"Abraço"

"Dá-me um abraço que seja forte
E me conforte a cada canto
Não digas nada que o nada é tanto
E eu não me importo
Dá-me um abraço fica por perto
Neste aperto tão pouco espaço
Não quero mais nada, só o silêncio
Do teu abraço
Já me perdi sem rumo certo
Já me venci pelo cansaço
E estando longe, estive tão perto
Do teu abraço
Dá-me um abraço que me desperte
E me aperte sem me apertar
Que eu já estou perto abre os teus braços
Quando eu chegar
É nesse abraço que eu descanso
Esse espaço que me sossega
E quando possas dá-me outro abraço
Só um não chega".

Não sei se fomos nós que soletrámos a letra desta canção se foi o senhor Santiago que no-la cantou a nós!
Sei, sinto, simplesmente, que estas são as palavras dos nossos corações.
Feito, percorrido, vivido, o longo Caminho, aquele Abraço tornava-se vida, alento, sentido e razão da nossa aventura.
Um abraço forte, que nos conforte, um abraço que me aperte e me desperte...
Um abraço que nos garanta essa proximidade do essencial e do eterno, experimentado na simplicidade e na beleza simultâneas dos nossos passos percorridos. Um abraço que segure e nos aperte, nos mantenha e nos catapulte para esse desejo nada escondido de «pegar fogo ao mundo inteiro».
O que vivemos, o que sentimos, o que experienciámos, será sempre impossível de dizer ou definir; apenas conseguimos a singeleza manifesta do abraço que recebemos e que demos uns aos outros, ao Apóstolo, ao Senhor.
Nem queremos mais nada senão mesmo esse silêncio, tradução da festa que invade as nossas almas; esse abraço silencioso que «grita», de novo, «Nada nos separará, nada nos separará do Amor de Deus»!
Oxalá consigamos reter a força desse Abraço.
Oxalá possamos guardar infinitamente o segredo que nos foi confiado nesse Abraço: «Gosto de ti, preciso de ti»!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

“Caminhos”

Temos vivido experiências únicas, irrepetíveis mesmo.
O desafio, a aventura, o desconhecido, as dificuldades, o esforço, a vontade de prosseguir, a fé partilhada, a alegria sobejamente manifesta, o Pão vivo como graça e fortaleza quotidiana, são características dos passos que temos experienciado.
Dá gozo à alma e ao coração, apaixona a vontade, relança a esperança, ao olhar e contemplar as dúvidas e os anseios, os medos e os sonhos, as inseguranças e as certezas já conquistadas destes jovens corações.
O cansaço parece, às vezes, querer vencer este combate.
As dificuldades próprias do caminho intentam convencer-nos a parar e a desistir.
Mas eis que nesses precisos momentos aparecem mãos auxiliadoras, corações reconfortantes, vidas cúmplices a «puxarem» e a «gritarem» bem de dentro: vem daí!
Caminhos de Santiago que, afinal, prefiguram os caminhos da nossa vida.
Tortuosos, difíceis, íngremes, incertos, serenos, rectos, belos, sedutores, como são os caminhos do nosso quotidiano.
Hoje sinto, de novo, esta alegria própria de quem se deixa envolver pela beleza da ousadia, de quem teima acreditar na nobreza, às vezes escondida, da juventude.
Provo, comprovo, de novo, que precisam de tempo, de ternura, de ouvidos que escutem de verdade, de «colo» a fim de serem capazes de se despirem das máscaras que este nosso tempo, a nossa cultura, por vezes as próprias famílias, lhes impõe!
Afinal, nas suas rebeldias e irreverências, manifestam uma vontade de personalidade; estão a dizer-nos que precisam de nós, adultos, nas suas guerras e combates, nos seus êxitos e fracassos, nas suas derrotas e nos seus sonhos.
E onde estamos nós?
Por que caminhos seguimos?
Bem ao lado deles ou distraídos e distanciados daquilo que eles são e querem verdadeiramente?
Fazer os Caminhos de Santiago com esta centena de corações ávidos de «mais» de «melhor», são apelo a mudar de atitude, atenção, disponibilidade, presença. Eles serão num futuro próximo a beleza e a verdade, a justiça e a exigência, a caridade e a solidariedade que eu for para eles hoje!
Amanhã, amanhã, pode ser tarde!
Ousemos fazer nossos os caminhos dos que são nossos!
Eles serão a nossa paz, a nossa alegria, a nossa vida redescoberta de sentido e de plenitude.

domingo, 22 de agosto de 2010

Serparil 2010

Não somos poucos nem muitos; aqueles que Deus sonhou para esta aventura divina.
Adolescentes, jovens, adultos, corações – pois que é disso que se trata - conhecidos ou desconhecidos, com mais ou menos história em comum, unem-se nessa vontade firme de se fazerem ao caminho assumindo como seus os passos de tantos e tantos outros que nos precederam na História.

«Passo a passo… pegaremos fogo ao mundo»!
Este é o nosso lema, o nosso programa, o nosso ideal e o objectivo do nosso caminho.
Com este peregrinar saímos do Estoril na manhã de sábado dia 21 para, com tempo e com alma, abraçarmos o Apóstolo, amigo do Senhor, no próximo sábado dia 28.
Com silêncios, com cânticos, descobrindo e redescobrindo novas amizades, deixando que as apreensões e dúvidas, medos e ansiedades sejam superadas, devagar, pela beleza da espontaneidade e pela alegria de nos sabermos todos peregrinos, com a partilha do Pão da Vida, na cumplicidade, naturalmente crescente, vivemos com intensidade este dia.
Domingo, iniciaremos a caminhada com os pés (porque a caminhada já havia começado).
Erguer cedo, bem cedo, para apreender a força da frescura da manhã e aproveitar bem os «sinais» e as «pistas» que o Divino Caminhante, certamente, nos oferecerá.
A Eucaristia na Catedral de Tui foi o primeiro «passo» no Caminho Português de Santiago. Esperam-nos cerca de 120 quilómetros. Nem muitos nem poucos. São os que são. São aqueles que Deus traçou para nós neste Serparil de 2010.
Serparil – que significa Ser da Paróquia do Estoril – é sonho e ousadia, é caminho, fé, desafio, entrega, silêncio e comunhão.
Ser Paróquia do Estoril é desejo de ir sempre mais longe e mais alto, desatando nós e amarras que, sem darmos conta, nos aprisionam a cais da mediocridade, da habituação, dos sonhos baixos... Que não queremos como programa de vida e estilo de existência.
Por isso ousámos a diferença e aproveitámos a oportunidade do Ano Santo Xacobeo 2010 para nos sentirmos caminhantes de Infinito, do Eterno, do Céu, querendo dele fazer o nosso limite…
Entregámos tudo e todos nas mãos de Deus.
Trouxemos tantos e todos com cada um de nós para os entregarmos naquele abraço desejado ao Amigo do Senhor.
Cada olhar, cada sorriso, cada cumplicidade, cada coração, sempre único, que aumenta em nós esta consciência de que queremos, afinal, e apesar das nossas fragilidades, ser de Deus, e oferecer-Lhe um mundo digno da Sua permanente preesença misteriosa...
Será uma caminhada em Igreja. Onde estará cada uma das nossas famílias, a nossa Paróquia.
Para podermos pegar fogo ao mundo que somos já e àquele que queremos construir com a força e a beleza de sermos discípulos de Jesus Cristo.
Rezem por nós…
Nós trazemos-vos connosco…
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