"Abraço"
E me conforte a cada canto
Não digas nada que o nada é tanto
E eu não me importo
Dá-me um abraço fica por perto
Neste aperto tão pouco espaço
Não quero mais nada, só o silêncio
Do teu abraço
Já me perdi sem rumo certo
Já me venci pelo cansaço
E estando longe, estive tão perto
Do teu abraço
Dá-me um abraço que me desperte
E me aperte sem me apertar
Que eu já estou perto abre os teus braços
Quando eu chegar
É nesse abraço que eu descanso
Esse espaço que me sossega
E quando possas dá-me outro abraço
Só um não chega".
Não sei se fomos nós que soletrámos a letra desta canção se foi o senhor Santiago que no-la cantou a nós!
Sei, sinto, simplesmente, que estas são as palavras dos nossos corações.
Feito, percorrido, vivido, o longo Caminho, aquele Abraço tornava-se vida, alento, sentido e razão da nossa aventura.
Um abraço forte, que nos conforte, um abraço que me aperte e me desperte...
Um abraço que nos garanta essa proximidade do essencial e do eterno, experimentado na simplicidade e na beleza simultâneas dos nossos passos percorridos. Um abraço que segure e nos aperte, nos mantenha e nos catapulte para esse desejo nada escondido de «pegar fogo ao mundo inteiro».
O que vivemos, o que sentimos, o que experienciámos, será sempre impossível de dizer ou definir; apenas conseguimos a singeleza manifesta do abraço que recebemos e que demos uns aos outros, ao Apóstolo, ao Senhor.
Nem queremos mais nada senão mesmo esse silêncio, tradução da festa que invade as nossas almas; esse abraço silencioso que «grita», de novo, «Nada nos separará, nada nos separará do Amor de Deus»!
Oxalá consigamos reter a força desse Abraço.
Oxalá possamos guardar infinitamente o segredo que nos foi confiado nesse Abraço: «Gosto de ti, preciso de ti»!
