domingo, 22 de agosto de 2010

Serparil 2010

Não somos poucos nem muitos; aqueles que Deus sonhou para esta aventura divina.
Adolescentes, jovens, adultos, corações – pois que é disso que se trata - conhecidos ou desconhecidos, com mais ou menos história em comum, unem-se nessa vontade firme de se fazerem ao caminho assumindo como seus os passos de tantos e tantos outros que nos precederam na História.

«Passo a passo… pegaremos fogo ao mundo»!
Este é o nosso lema, o nosso programa, o nosso ideal e o objectivo do nosso caminho.
Com este peregrinar saímos do Estoril na manhã de sábado dia 21 para, com tempo e com alma, abraçarmos o Apóstolo, amigo do Senhor, no próximo sábado dia 28.
Com silêncios, com cânticos, descobrindo e redescobrindo novas amizades, deixando que as apreensões e dúvidas, medos e ansiedades sejam superadas, devagar, pela beleza da espontaneidade e pela alegria de nos sabermos todos peregrinos, com a partilha do Pão da Vida, na cumplicidade, naturalmente crescente, vivemos com intensidade este dia.
Domingo, iniciaremos a caminhada com os pés (porque a caminhada já havia começado).
Erguer cedo, bem cedo, para apreender a força da frescura da manhã e aproveitar bem os «sinais» e as «pistas» que o Divino Caminhante, certamente, nos oferecerá.
A Eucaristia na Catedral de Tui foi o primeiro «passo» no Caminho Português de Santiago. Esperam-nos cerca de 120 quilómetros. Nem muitos nem poucos. São os que são. São aqueles que Deus traçou para nós neste Serparil de 2010.
Serparil – que significa Ser da Paróquia do Estoril – é sonho e ousadia, é caminho, fé, desafio, entrega, silêncio e comunhão.
Ser Paróquia do Estoril é desejo de ir sempre mais longe e mais alto, desatando nós e amarras que, sem darmos conta, nos aprisionam a cais da mediocridade, da habituação, dos sonhos baixos... Que não queremos como programa de vida e estilo de existência.
Por isso ousámos a diferença e aproveitámos a oportunidade do Ano Santo Xacobeo 2010 para nos sentirmos caminhantes de Infinito, do Eterno, do Céu, querendo dele fazer o nosso limite…
Entregámos tudo e todos nas mãos de Deus.
Trouxemos tantos e todos com cada um de nós para os entregarmos naquele abraço desejado ao Amigo do Senhor.
Cada olhar, cada sorriso, cada cumplicidade, cada coração, sempre único, que aumenta em nós esta consciência de que queremos, afinal, e apesar das nossas fragilidades, ser de Deus, e oferecer-Lhe um mundo digno da Sua permanente preesença misteriosa...
Será uma caminhada em Igreja. Onde estará cada uma das nossas famílias, a nossa Paróquia.
Para podermos pegar fogo ao mundo que somos já e àquele que queremos construir com a força e a beleza de sermos discípulos de Jesus Cristo.
Rezem por nós…
Nós trazemos-vos connosco…

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Pastores"

"F
oi-me dirigida a palavra do Senhor nestes termos: "Filho de homem, profetiza contra os pastores de Israel, profetiza e diz a esses pastores: Assim fala o Senhor Deus: 'Ai dos pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar o rebanho? Vós, porém, bebestes o leite, vestistes-vos com a sua lã, matastes as rezes mais gordas e não apascentastes as ovelhas. Não tratastes das que eram fracas, não cuidastes da que estava doente, não curastes a que estava ferida; não reconduzistes a transviada; não procurastes a que se tinha perdido; mas a todas tratastes com violência e dureza. Por isso, à falta de pastor, elas dispersaram-se e, na sua debandada, tornaram-se a presa de todos os animais dos campos. As minhas ovelhas vagueiam por toda a parte, pelas montanhas e pelas colinas elevadas; o meu rebanho anda disperso por sobre toda a superfície do país; ninguém se preocupa nem as vai procurar.' Por isso, pastores, ouvi a palavra do Senhor: 'Pela minha vida - oráculo do Senhor Deus: porque as minhas ovelhas ficaram entregues à pilhagem e se tornaram a presa de todos os animais dos campos, por falta de pastor; porque os meus pastores não se preocupam com o meu rebanho, porque eles se apascentam a si mesmos e não apascentam o meu rebanho' por isso, pastores, ouvi a palavra do Senhor. Assim fala o Senhor Deus: 'Aqui estou Eu contra os pastores! Vou tirar as minhas ovelhas das suas mãos, e não permitirei que apascentem mais as minhas ovelhas; e eles não se apascentarão mais a si mesmos. Da sua boca arrancarei as minhas ovelhas, e elas nunca mais serão uma presa para eles.'" Porque assim fala o Senhor Deus: "Eis que Eu mesmo cuidarei das minhas ovelhas e me interessarei por elas".

Pastores e pastores!
Deles fala o Coração do nosso Deus. Coração sofrido, Coração «sangrado» porque nos encontra «amolecidos», «endeusados», «politizados», «anunciadores» de nós mesmos. Um Coração magoado porque o Bom Pastor que dá a vida pelas Suas ovelhas nos vê a «adocicar» o Evangelho, a «diplomatizar» a radicalidade e a beleza da Boa Nova! Um Coração «sentido» porque olha as Suas ovelhas desamparadas, esfomeadas, sedentas de vida e de verdade e nós, pastores, demasiadas vezes gastamo-nos e desgastamo-nos a alimentar as nossas veleidades e os nossos «umbigos», as nossas verdades pessoais e vontades idolatradas!
Importa a oração permanente por nós, pastores consagrados por Deus!
Urge a cumplicidade, a comunhão, a caridade e fraternidade cristãs para com cada um de nós.
Deus sofre!
A Igreja sofre!
Porque demasiadas vezes desfiguramos o rosto tão belo e radioso de Deus, do Céu, da Vida em abundância. Porque nos escondemos, nos refugiamos, nos negamos a nós mesmos! Porque nos esquecemos que somos apenas servos, escravos, de cada outro. Porque tememos a radicalidade, a frontalidade, o apontar o caminho certo, sempre que essa aventura é propiciadora de conversas ou diálogos menos animosos, de perca de pseudo privilégios, de honrarias que são sempre pontuais e efémeras!
Um dia, um dia, acreditarei, acreditaremos, completamente que a nossa felicidade, a plenitude da nossa vocação e existência não é fazer a vontade do mundo nem o agradar aos homens; ao contrário, é fazer a vontade de Deus e agradar ao Senhor Crucificado por Amor.
Um dia, um dia - e oxalá seja breve - seremos santos, seremos a alegria do nosso Deus pois que apascentaremos fielmente as ovelhas que nos foram confiadas, saciaremos plenamente as suas fomes, apontaremos solene e fielmente o caminho do Céu. Sem medos. Sem diplomacias. Sem ligeirezas. Sem subterfúgios. Sem condições.
Creio firmemente que um dia, um dia, Deus nos olhará e sorrirá porque somos todos d'Ele pois somos absolutamente servos dos homens nossos irmãos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

"Fragilidade"

"Talvez pudesse o tempo parar
Quando tudo em nós se precipita
Quando a vida nos desgarra os sentidos
E não espera, ai quem dera
Houvesse um canto pra se ficar
Longe da guerra feroz que nos domina
Se o amor fosse um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade
Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve
Tão bom pudesse o tempo parar
E encharcar-me de azul e de longe
Acalmar a raiva aflita da vertigem
Sentir o teu braço e poder ficar
É tudo tão fugaz e tão breve
Como os reflexos da lua no rio
Tudo aquilo que se agarra já fugiu
É tudo tão fugaz e tão breve".

Quando nos convenceremos desta verdade maior: «é tudo tão fugaz e tão breve»?!
O tempo foge, imparável, do controlo das nossas mãos; a voragem dos acontecimentos não consegue ser dominada pelas nossas verdades ou pelos nossos desejos; os segundos dos relógios não abrandam a sua velocidade porque queremos ou nos apetece! De facto, é mesmo «tudo tão fugaz e tão breve»!
Podemos tentar acreditar que a realidade é diferente, que somos donos e senhores do nosso «destino», que controlamos eficácias, horizontes e até a própria vida. Mais um engodo em que sucumbe demasiada gente!
Somos da eternidade e não do tempo; somos do definitivo e nunca do passageiro; do fim e não do instante. Porquê teimar em ser donos da vida, da nossa e da dos outros? Para quê viver em função da aparência e do banal, da máscara e do ilusório se, de facto, «é tudo tão fugaz e tão breve»?
Relembro neste momento as mentes, as vontades e os corações maldosos que grassam no mundo e na Igreja. Gente iludida que acredita que essa mesma maldade ou mesquinhez de atitudes, que a falácia das palavras e dos gestos, que a falsidade de relações e de convivências, se prolongarão definitivamente!
É que até o mal e as suas consequências, o cinismo e as suas ilusórias vitórias, as hipocrisias aparentemente tornadas verdades, são também elas «tão fugazes e tão breves»!
É certo que ainda existe gente a tentar lutar contra Deus. É verdade que ainda peregrinam vidas e corações convencidos de que a duplicidade de vida vingará definitivamente e que as suas atitudes vitupérias levarão a melhor! Pobres e tristes criaturas! Esquecem essa realidade inultrapassável: «é tudo tão fugaz e tão breve»!
A mentira e a maledicência, a falsidade e a incoerência, a calúnia e a baixeza de espírito têm, também eles, os dias contados. Não vale, de todo, teimar em eternizar essa demência existencial, essa loucura crescente tantas vezes mas destinada ao fracasso e à irrupção da verdade.
O bem e a justiça, a transparência e a paz, a honestidade e a frontalidade, ainda que marcados sempre pela dimensão da fragilidade humana têm o suporte da grandeza e do poder de Deus. Serão sempre vencedores. Porque valores e bens assentes na liberdade e na vida verdadeira, ao contrário da maldade e da mentira, sempre revestidos de medo e de insegurança pois que nunca sabem o dia em que serão desmascaradas!
Mesmo na «guerra feroz que nos domina», mesmo que nos custe aprender que «na vida nada se repete», seria bom desejar que o tempo parasse? Penso que não! Ainda bem que não! Porque a estrada da eternidade começa no «agora» e no «já» da nossa existência.
Aos corações manchados pela mentira e pela inveja, revestidos de ciúmes e de cinismos, fica uma «dica»: voltem «a preencher o vazio» desses vossos corações com a alegria da verdade e da paz próprias de quem se sabe simples e frágil, mas sustentado pela graça de Alto.
Não sejam teimosos, não se iludam indefinidamente; é que, mesmo que não queiram, «é tudo tão fugaz e tão breve»!
E nada melhor nem mais reconfortante, nada mais encorajador e entusiasmante que saber e acreditar que essa «vidinha» tresloucada e de espiritualismos doentios está destinada ao fracasso rotundo e absoluto. Pensem nisso. Talvez ainda estejam a tempo de experienciar uma serenidade e uma alegria que essa escuridão da alma que vos invade vos proibe de viver.
E nunca se esqueçam que creio numa «verdade maior»: "a minha vingança é amá-los mais"!
Nunca vos farei mal; seria igual a essa baixeza de espírito. Entrego-vos cada dia à misericórdia do Pai. Porque sei que não sabem o que fazem...
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