"Gostar de gostar"
Gosto de gostar da beleza dos corações.
Gosto de gostar da força da paixão.
Gosto de gostar de acreditar que a vida, a fé, o homem, o mundo, a Igreja, podem ser tão diferentes.
Gostar de gostar de amar e do amor.
Fazer dessa aventura algo de essencial, de fundamental, de derradeiro. Mesmo que isso comprte sempre consigo o perigo de fazer doer!
Abraçar esse projecto como determinante, como decisivo, como único até. Para dar sentido, dar credibilidade à existência, para redescobrirmos razões credíveis para cada segundo do nosso peregrinar.
Opção, decisão, prioridade até, na vida quotidina, que implica combate, frontalidade, exigência, não raras vezes incompreensão e experiência de deserto, mas seguramente mais reconfortante, mais universal, mais humanizante.
Gostar de gostar de ter fé, gostar, de gostar de ser Igreja, gostar de gostar da verdade, gostar de gostar dos afectos, gostar de gostar dos amigos, para em cada situação, em cada momento, sermos parcelas, ainda que simples, pobres e insignificantes, do amor que nos habita, nos envolve, acaricia e compromete na construção de algo mais belo e mais nobre.
Ser «morno», ser «diplomata», ser «embaixador» da banalidade, da superficialidade, do medo e da apatia, é desdenhar essa vocação suprema e sublime que nos habita, com mais ou menos consciência: capazes de amar, de amar muito, capazes de gostar de gostar de amar sem vacilações, preconceitos, vergonhas ou subterfúgios sufocadores de emoções que alegram o coração.
As férias, o Verão, o descanso, a possibilidade de fazer novas coisas - como seja pensar, meditar, repôr a liberdade no seu verdadeiro lugar - podem ajudar-nos a maravilharmo-nos connosco próprios.
Bastará deixarmo-nos guiar até onde nos leva o coração.
Mesmo que doa. Que custe. Que sangre... Nada há de mais humano, de mais divino...

